<
>

Cruzeiro: relembre quando Rogério Ceni também discordou de técnicos como fez Thiago Neves

play
Ceni diz que Edilson mudou sua escalação e explica trocas questionadas por Thiago Neves: 'Preciso ganhar o jogo' (2:21)

O meia disse em entrevista que achou que trocas foram feitas "muito em cima da hora" (2:21)

Logo depois de o Cruzeiro ter sido eliminado pelo Internacional na semifinal da Copa do Brasil com uma derrota por 3 a 0, Thiago Neves manifestou sua discordância com a escalação de Rogério Ceni. O treinador mudou a linha defensiva da equipe para o jogo no Estádio Beira-Rio, sendo que a principal alteração foi a improvisação de Jadson na lateral-direita, além da entrada de Dodô no lugar de Egídio.

"Foi na preleção, umas duas, três horas antes do jogo. Na minha opinião, é muito em cima da hora. Você improvisar três, quatro jogadores numa linha que já vinha formada há dois anos", afirmou o meia à rádio Itatiaia, sobre quando o time soube sobre a alteração.

"Nada contra, óbvio que a gente quer ganhar, a gente jogou bem, os jogadores que entraram jogaram bem, só que é muita coisa para uma decisão, para um segundo jogo de semifinal. O time sentiu um pouco de entrosamento. O primeiro gol foi um balde de água fria."

Ao longo do confronto, Rogério Ceni também improvisou Henrique na zaga ao substituir no intervalo o lesionado Dedé por Ariel Cabriel.

Tal contestação de um atleta a um treinador não é novidade na vida de Rogério Ceni, uma vez que ele já passou por isso também com os papéis invertidos.

Em 2012, houve um desentendimento explícito entre o então goleiro do São Paulo e o treinador Ney Franco. Durante empate por 0 a 0 com a LDU, o goleiro pediu a entrada de Cícero, mas o técnico optou por Willian José. Quando conversava com o atacante, ele parou para discutir com Ceni, que mostrou toda sua reprovação com a decisão.

"Ele pediu para colocar o Cícero de referência e eu preferi colocar o Willian José. Foi isso que aconteceu. Não gostei das duas coisas. Do pedido dele e do jeito que falou. Eu sou o treinador, quem decide sou eu", declarou Ney Franco após a partida no Morumbi.

Posteriormente, os dois trocaram ataques por meio da imprensa. Após a demissão de Ney Franco em julho de 2013, Ceni disse que o legado do time havia sido "zero" no último ano. Posteriormente, o treinador criticou a postura do ex-goleiro. "Em 2013, não tive nele o capitão de que precisava. Havia a preocupação de quebrar marcas individuais".

Em 2010, houve um episódio semelhante, mas sem tanto conflito. Quando os jogadores reservas aqueciam durante o segundo tempo de uma partida do São Paulo contra o Atlético-GO em 2010, o goleiro pediu a entrada de Cleber Santana. O técnico Sérgio Baresi acabou tomando esta decisão pouco depois.

Baresi declarou após a partida que tomou a decisão por conta própria e que não ficou sabendo do pedido de seu arqueiro.

Richarlyson falou sobre tal postura de Ceni à época e citou outros episódios anteriores. "O Rogério já teve esse tipo de atitude antes com o próprio Baresi, Muricy e Paulo Autuori. É uma maneira de mostrar uma leitura de jogo de quem pode ver melhor, sem adrenalina, é natural isso", disse. "Ele tem muita facilidade para ver o jogo".

Dagoberto, por sua vez, demonstrou certo incômodo. "São coisas que é melhor ficar na boa, respeito todo mundo. É uma autonomia difícil de ser questionada. Respeito, mas tenho meu modo de pensar".

O próprio Rogério também se manifestou sobre o assunto naquele momento. "Quem manda aqui é o treinador. Naquele dia, apenas falei para Cleber Santana e Samuel aquecerem, porque eles são altos e logo o Sérgio os chamaria. Como poderia substituir se eu estava no gol? Em nenhum momento substitui o Cleber Santana, apenas tenho 20 anos de São Paulo e vejo o momento do jogo. O Atlético-GO tinha dois postes de zagueiros, e mais quatro Xandões. Só dei um toque para os que estavam aquecendo".