<
>

'É 100% a cara dele', diz brasileiro ex-Roma sobre a Libertadores, que De Rossi conhecerá hoje

play
De Rossi reforça sonho que tinha em jogar pelo Boca, compara à Roma e define o que é seu novo clube (1:45)

Italiano fará sua estreia com a camisa do time pela Copa Libertadores (1:45)

Quando pisar o gramado do Estádio Rodrigo Paz Delgado, em Quito, para enfrentar a LDU, De Rossi estará sendo apresentado à Copa Libertadores. Um torneio que tem "100% a cara dele".

A afirmação é de Júlio Sérgio, goleiro que trabalhou com o italiano do Boca Juniors por sete anos, na Roma. Julio conhece bem a personalidade, ao mesmo tempo, dura e afável de Daniele, como ele o chama.

"É um cara tranquilo no convívio. Mas, por ser romano e romanista (torcedor do time), mesmo nos treinamentos, ele era muito dedicado, muito sério", afirma o campeão brasileiro com o Santos, em 2004. "Ele incorporava o espírito da torcida em campo".

De Rossi é a grande atração do Boca Juniors nas quartas de final do torneio continental. Hoje, ele enfrenta a LDU, às 19h15.

"O europeu se dedica um pouco mais nos treinos que os sul-americanos. E o Daniele entrava nos treinos com a mesma seriedade dos jogos", explica.

"Ele tem uma personalidade muito forte, uma voz muito importante e características de liderança, de dar a alma no campo, que vão fazer com que ele aproveite muito o tempo dele no Boca Juniors", assegura Júlio Sérgio.

Se Júlio Sérgio sabe disso, é evidente que De Rossi também não escolheu o Boca Juniors ao acaso. Logo em sua apresentação no clube, ele já mencionou o torneio como uma de suas prioridades.

"O objetivo é conquistar a Copa Libertadores... e tudo mais", afirmou ele, logo nas primeiras respostas de sua entrevista coletiva de apresentação.

O conhecimento do futebol sul-americano vinha, além das conversas com Burdisso, atual diretor do Boca, primordial para a vinda de De Rossi para a Argentina, de dois computadores com acesso à internet que a Roma tinha nos vestiários.

"A gente chegava e ia ver os gols e, como tinha muito sul-americano no time (chegaram a ser oito brasileiros ao mesmo tempo), a gente ia conferir como os times tinham ido", conta.

O Boca Juniors, claro, era um deles.

LIDERANÇA POSITIVA

O lado mais afável de De Rossi se apresentou a Júlio Sérgio em 2009. Já fazia três anos que o goleiro chegara ao Estádio Olímpico e ainda não tinha conseguido jogar.

Sua estreia foi logo contra a toda poderosa Juventus, com uma derrota em casa, por 3 a 1, com três gols brasileiros: dois de Diego, hoje no Flamengo, e um do palmeirense Felipe Melo - o próprio De Rossi descontou para o time da casa.

Ao término do jogo, mesmo com o resultado adverso, De Rossi passou por Júlio e o abraçou.

"Ele me disse: 'Fico muito feliz pela sua estreia. Pessoas como você e eu, dedicadas, que trabalham sério, merecem muito ter oportunidades'", conta Júlio.

"Para mim, aquilo foi um gesto importante, vindo de um dos líderes do elenco", disse Julio.

IL FUTURO CAPITANO

Só mesmo Francesco Totti é maior do que Daniele de Rossi na história recente da Roma, atesta Julio Sérgio.

"Enquanto Francesco jogava, De Rossi era chamado de 'il futuro capitano' na Roma", conta ele.

Depois, com o tempo passando e a proporção que Daniele ganhou, o clube passou passou a ter dois capitães com praticamente o mesmo peso.

"Principalmente depois da conquista da Copa do Mundo pela Itália (2006), o Daniele tornou-se um cara incontestável. Em 2009 e 2009, ele era o maior meia do mundo", diz.

"Ele e o Totti eram os únicos que tinham quartos individuais na nossa concentração. Todos os demais, dividiam quartos", conta.

Júlio falou pela última vez com De Rossi em 2016, quando visitou o clube.

"Acebei mantendo mais amizade com o Totti. Com ele, falo em aniversários e outras datas", conta.

Mas, com a possibilidade de De Rossi vir jogar no Brasil na Libertadores - já que, se for finalista, o clube argentino obrigatoriamente enfrentará um brasileiro, pode ser que eles retomem contato.

"O que sei é que, se estiver com condições físicas, ele vai se divertir muito jogando pelo Boca Juniors. Esse estilo de jogo, de dar carrinhos, de se doar, é exatamente o que o De Rossi entrega", finaliza.