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Advogados da acusadora 'dificultaram' a investigação no caso de estupro envolvendo Cristiano Ronaldo

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A polícia conseguiu verificar que as amostra de DNA de Cristiano Ronaldo batiam com as provas de de um suposto caso de estupro ocorrido em 2009, em um hotel em Las Vegas. Mas os detetives tiveram dificuldades para lidar com advogados "não-cooperativos" da própria acusadora, Kathryn Mayorga, antes que os promotores se recusassem a investigar o possível crime, segundo correspondência obtida pela ESPN.

Em emails trocados entre os promotores de Clark County (Nevada) e a polícia de Las Vegas, os detetives expressaram frustração com o relação aos advogados de Kathryn.

"A comunicação com a vítima agora é impossível, e seu advogado, Les Stovall, é extremamente desafiador", disse Jeffrey Guyer, detetive de Las Vegas, em 28 de março, por email, ao promotor Jacob Villani.

O gabinete do promotor público disse, em 22 de julho, que estava se recusando a processar a acusação de agressão sexual feita por Mayorga porque a alegação "não pode ser comprovada sem que haja qualquer dúvida razoável".

Os advogados de Kathryn Mayorga não responderam aos pedidos de comentários na quinta-feira, e o escritório da promotoria disse à ESPN: "Não temos comentários adicionais além do que foi divulgado originalmente em 22 de julho."

De acordo com documentos, Mayorga assinou um acordo de confidencialidade em 2010 com Cristiano Ronaldo, em troca de um pagamento de US$ 375 mil em dinheiro (cerca de R$ 675 mil na época). Os advogados do jogador disseram que Cristiano Ronaldo e Kathryn Mayorga tiveram uma relação consensual em uma suíte de hotel em Las Vegas, negando as acusações de estupro.

Os promotores dizem que a investigação em 2009 foi encerrada depois que a polícia não encontrou evidências e esbarrou em falta de cooperação da acusadora.

Mayorga, de 35 anos, pediu à polícia que reabrisse o caso em agosto de 2018. Depois de meses de investigação, os detetives não ficaram confiantes a ponto de abrir um caso contra Ronaldo, de acordo com o que foi recebido pela ESPN

"Além das questões óbvias em relação a um caso que ficou congelado por dez anos, envolvendo um suspeito extremamente famoso, temos um acordo secreto feito previamente e uma vítima que divulga material diretamente para jornalistas internacionais", escreveu Guyer, citando outros "pontos negativos", incluindo dificuldade de comunicação com os advogados de Mayorga.

"Eu pedi repetidamente à vítima pela documentação listada acima, no entanto ela não tem e não pode fornecê-la", escreveu Guyer a Villani em 20 de março.

Villani chegou a sugerir que se fizesse uma intimação se um ex-advogado de Mayorga não respondesse questões sobre o acordo feito em 2010.

A polícia também não conseguiu autenticar documentos vazados na mídia europeia. Os documentos, roubados por um hacker e publicados pelo grupo conhecido como "Football Leaks", supostamente incluíam uma confissão de Ronaldo, dizendo que fez sexo com Mayorga sem o consentimento da mulher.

O estafe de Cristiano Ronaldo negou o relatório.

Guyer escreveu que era "impossível determinar quais documentos foram alterados ou quais são legítimos".

"Na minha opinião, mesmo se [o hacker] revelar que obteve os documentos e os vendeu sem edição, é impossível autenticar sua validade sem o advogado de Ronaldo ou uma testemunha presente quando ele supostamente respondeu a essas perguntas", escreveu o detetive.

De acordo com um e-mail de 4 de junho, Mayorga se reuniu com a polícia de Las Vegas. Guyer falou sobre a reunião e disse que Mayorga afirmou ter identificado Ronaldo para a polícia em 2009 como o homem que a agrediu, mas ela também disse que na época, ela "insistiu que não queria seguir com a acusação".

A polícia e os promotores têm contestado o fato de Mayorga ter apontado Ronaldo como o agressor.

No início de julho, Guyer estava pronto para enviar aos promotores um pedido de acusação.

"Obrigado pelo seu trabalho árduo nesta investigação", escreveu o vice-promotor James Sweetin a Guyer em 3 de julho. "Com base nas minhas conversas com você, bem como em minha análise dos documentos e informações obtidas na sua investigação, não consigo pensar em algo que você não abordou."

Menos de três semanas depois, os promotores anunciaram a decisão de não continuar com o caso. Eles não responderam perguntas sobre o caso ou sua decisão.

O caso civil de Mayorga contra Cristiano Ronaldo alega conspiração, difamação, quebra de contrato, coerção e fraude. Sua reclamação procura danos monetários indeterminados superiores a 50 mil dólares. Este mês, os advogados de Ronaldo pediram a um juiz para declarar que o acordo de 2010 ainda está em vigor e mover o caso para a mediação extrajudicial.