Grande estreias no São Paulo já geraram frustrações, recorde e título

O São Paulo se prepara para a estreia do lateral-direito Daniel Alves, que deve ocorrer no próximo domingo, no estádio do Morumbi, diante do Ceará, pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro.

Até a noite da última quarta-feira, o clube já tinha comercializado quase 20 mil ingressos. A expectativa é chegar perto de atrair 60 mil pagantes e gerar uma renda superior a R$ 3 milhões.

Há ainda uma outra expectativa, que está mais ligada as pretensões esportivas.

A diretoria e a comissão técnica esperam que, com a presença de Daniel Alves, o time consiga brigar pelo título nacional deste ano. Hoje, a equipe está na quinta posição, com 24 pontos, oito atrás do Santos, líder.

Vale lembrar que o São Paulo tem um jogo a menos do que os primeiros colocados --teve a rodada contra o Athletico Paranaense adiada. Contado essa partida, ainda restam 24 para jogar.

Ou seja, é possível tirar a diferença.

A história do clube pode até servir de apoio neste momento. Ao trazer Leônidas da Silva, Zizinho, Gerson, Toninho Guerrero, Falcão, Cerezo e Raí, o São Paulo conseguiu ser campeão na sequência.

A estreia destes nomes também foi um evento para o clube. Atraindo imprensa, torcedores... Mas nem todo grande jogador rendeu os frutos desejados pela diretoria da época. Alguns tiveram um início bem frustrante.

Veja as estreias mais famosas do São Paulo

Leônidas, em 1942

A primeira grande contratação de impacto da história do São Paulo, Leônidas da Silva estreou pelo clube tricolor em 24 de maio de 1942, no Pacaembu, contra o Corinthians. O jogo registrou o recorde de público no estádio: 71.281 presentes.

Um número impressionante levando-se em conta que não existia o setor do Tobogã, por exemplo.

O clássico terminou empatado por 3 a 3 e a imprensa condenou a atuação de Leônidas. Algumas publicações da época chegaram a afirmar que Hércules, zagueiro da seleção e estreante pelo Corinthians naquele dia, saiu com um diamante no bolso. Outros comentaristas disseminaram que o São Paulo tinha contratado um "bonde de 200 contos".

Leônidas não empolgou na estreia, mas depois tornou-se um sucesso. Com ele, o São Paulo ganhou cinco edições do Paulista.

Zizinho, em 1957

O Mestre Ziza, reconhecidamente um dos melhores jogadores do Brasil até o surgimento de Pelé, chegou veterano ao São Paulo, em 1957. Estreou apenas no segundo turno do Campeonato Paulista e fez a diferença.

Na primeira partida, participou de uma goleada por 4 a 2 sobre o Palmeiras, no Pacaembu, em setembro. Os jornais da época não registraram quantas pessoas estiveram presentes, mas os cálculos apontam mais de 50 mil.

Zizinho não fez nenhum dos quatro gols do time tricolor, mas teve atuação de gala. Após o jogo, ainda mostrou seu lado modesto. "Foi um bom começo, mas o placar foi injusto para o Palmeiras, que não merecia sofrer quatro gols".

Com ele no time, o São Paulo ganhou o Estadual daquele ano.

Didi, em 1966

O inventor da "Folha Seca" e melhor jogador da Copa de 1958 chegou ao São Paulo com 37 anos e já longe de apresentar seu melhor futebol. Veio de um período sem jogos e após uma passagem pelo Peru, onde foi endeusado.

O clube tricolor apostava nele para quebrar a seca de títulos, que vinha desde o Estadual de 1957. A estreia de Didi foi uma decepção. Os são-paulinos foram derrotados pela Portuguesa por 2 a 0, no Pacaembu, em 12 de outubro de 1966.

Foram apenas 12.110 pagantes e a manchete da "Folha de S.Paulo" foi: "S. Paulo perde com Didi: 2 a 0".

Depois desse jogo, Didi atuou mais três vezes e despediu-se de forma frustante.

Gerson e Toninho Guerreiro, em 1969

Ambas contratações de impacto, chegaram para também ajudar o São Paulo sair da fila. Gerson veio do Botafogo e Toninho Guerreiro, do Santos. A torcida ficou animada, mas a estreia não foi bem assim...

Ela ocorreu em 21 de setembro de 1969, diante do Atlético-MG, pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. E o "Galo" venceu por 5 a 2. Gerson fez os dois gols, um deles de pênalti. Foram 37.593 pagantes.

A "Folha de S.Paulo" definiu a estreia da dupla como "regular". O motivo não foi a dupla exatamente, mas sim o time tricolor, que era não era tão forte e vinha tendo dificuldades na temporada.

Depois, Gerson e Toninho foram campeões pelo São Paulo, com as taças do Estadual de 1970 e 1971.

Falcão, em 1985

Contratado da Roma, a estreia ocorreu em um amistoso no Morumbi contra o Internacional, equipe em que Falcão iniciou a carreira e conquistou títulos marcantes. Assim que entrou em campo, a torcida atirou papel picado e fez festa.

Foram quase 50 mil pagantes, que viram uma vitória por 1 a 0, sem grande espetáculo de Falcão.

Mas a passagem do Rei de Roma não foi tão marcante. Apesar de o título do Estadual daquele ano, o volante sofreu com problemas físicos e musculares e atuou poucas vezes.

Toninho Cerezo, em 1992

A estreia não tem nada a ver com a bem sucedida passagem de Cerezo pelo São Paulo. Ele chegou após ser vice da Champions League com a Sampdoria, perdendo a final para o Barcelona. Fez o primeiro jogo em 27 de setembro de 1992, em um empate com o Santo André por 1 a 1, no estádio Bruno José Daniel, em Santo André, diante de 13.184 presentes.

Em pouco tempo, virou titular. Destacou-se na final do Mundial contra o Barcelona, no Japão. Depois ainda esteve na conquista da Libertadores e do Mundial do ano seguinte. Eternizou-se como ídolo tricolor.

Raí, em 1998

Algo impensável para os dias de hoje, Raí foi repatriado pelo São Paulo após cinco anos na França e estreou no segundo jogo da final do Campeonato Paulista de 1998. O adversário era o Corinthians, que estava invicto e jogava pelo empate.

Com Raí, o time tricolor não deu chance para a equipe alvinegra. Venceu por 3 a 1, sendo o primeiro gol dele e criou as principais chances de gol do São Paulo. Uma curiosidade é que ele jogou com a camisa 23.

Raí, a final e o clássico dividido no Morumbi ajudaram a atrair 79.710 pagantes.

Adriano, em 2008

A vinda de Adriano, o Imperador, para o São Paulo impactou o mundo do futebol. Emprestado pela Inter de Milão, ele estreou no dia 27 de janeiro de 2008, diante do Corinthians, no Morumbi, pelo Paulistão. Mas foi frustrante.

O clássico terminou sem gols e Adriano teve um gol anulado de forma polêmica. Foi aos 40 minutos do segundo tempo, quando marcou de cabeça, mas o árbitro Salvio Spinola Fagundes Filho viu falta no zagueiro William.

Naquele dia foram 41.211 pagantes.

Luis Fabiano, em 2011

Após apresentar Luis Fabiano, o São Paulo aguardou seis meses para vê-lo estrear. Foi o tempo que o atacante precisou para recuperar-se de uma lesão no joelho direito. O primeiro dia de venda de ingressos para a estreia registrou 18.411 bilhetes.

No entanto, a "Festa Fabulosa," em homenagem ao "Fabuloso", foi frustrada pelo Flamengo. O Rubro-Negro venceu por 2 a 1, em um dia que o técnico Adilson Batista foi chamado de burro por tirar o estreante e colocar o volante Carlinhos Paraíba.

A mudança ocorreu aos 14 minutos do segundo tempo, após Lucas ser expulso. Foram 63.871 pagantes.

Kaká, em 2014

Onze anos depois de deixar o São Paulo, tendo sido vaiado por parte da torcida, Kaká teve um dia de gala ao retornar ao Morumbi, mas não chegou a atrair um público condizente com o evento. Foram apenas 29.202 pagantes.

Ele já tinha feito uma partida antes. Foi contra o Goiás, na derrota por 2 a 1, com direito a um gol. Mas para voltar ao Morumbi o São Paulo fez uma festa especial. Teve mensagem no telão, faixa de capitão e música especial nas arquibancadas.

O time tricolor derrotou o Vitória por 3 a 1, com dois gols de Pato e outro de Alan Kardec.

Hernanes, em 2017

Ao regressar ao São Paulo, a missão de Hernanes era evitar o rebaixamento no Campeonato Brasileiro. O time estava na zona de rebaixamento. A primeira partida foi fora, no Engenhão, diante do Botafogo. O time venceu por 4 a 3 e ele fez o último gol.

Depois o Profeta jogou no Morumbi contra o Coritiba, mas no estádio são-paulino a volta foi decepcionante. O time perdeu por 2 a 1 e voltou para a zona de rebaixamento. O volante Denilson fez o gol de honra tricolor.

A torcida compareceu --foram 53.635 pagantes-- e fez homenagem especial para Hernanes.