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Jornal teme efeito do dólar nos clubes da Argentina e lembra como Boca perdeu Gómez para Palmeiras

No último domingo, o oposicionista Alberto Fernández, que tem a a ex-presidente Cristina Kirchner como vice, venceu a eleição primária da Argentina com mais de 15 pontos de vantagem sobre o atual mandatário do país, Mauricio Macri. O resultado fez o mercado argentino entrar em pânico, com o dólar disparando e tendo uma alta de 8,8%, passando a ser cotado a 52,1 pesos. Além disso, a Bolsa de Buenos Aires caiu 37,9%.

E, quando o assunto é dólar na Argentina, os clubes locais ficam bastante preocupados, especialmente os gigantes Boca Juniors e River Plate. Afinal, essas equipes pagam salários na moeda norte-americana aos seus principais destaques, como o atacante Lucas Pratto, do River, e o volante Daniele De Rossi, do Boca, só para citar dois exemplos.

Além disso, muitas transferências de jogadores também são negociadas em dólar, o que faz o valor das contratações explodir.

Não à toa, a imprensa esportiva da Argentina mostrou enorme preocupação com mais uma desvalorização monstruosa do peso.

"(A subida do dólar) É algo que deixa o país envolto em uma crise cada vez mais severa e preocupante. E o futebol, claro, é um dos grandes mercados dolarizados de nossa economia, não fica alheio. Ao contrário. É claro que os clubes são exportadores e sua principal fonte de arrecadação é a venda de jogadores para o exterior. Mas também é certo que muitos têm seus 'figurões' com contratos atrelados ao dólar", ressaltou o Olé.

O diário lembrou um caso ocorrido durante a última grande subida do dólar na Argentina, em que o Boca perdeu a chance de contratar um zagueiro de alto nível.

Em 2018, o time xeneize e o Palmeiras negociavam com o Milan pelo zagueiro Gustavo Gómez. No entanto, o paraguaio pediu um contrato pago na moeda dos Estados Unidos, o que tornou a transferência inviável para o clube de Buenos Aires. Dessa forma, o defensor foi para o Palestra Itália e tornou-se campeão brasileiro com a camisa do Verdão.

O Olé também salientou que clubes que estão construindo novos estádio, como o San Lorenzo, também se complicam.

"Tudo isso torna difícil a vida de times que estão em pleno processo de construção de estádios, porque, obviamente, os preços disparam. O San Lorenzo (já fora da Copa Libertadores e com importantes contratações) para US$ 1 milhão por ano ao Carrefour pelo terreno que permitiu ao clube voltar ao bairro de Boedo", revelou.

Sobre os contratos mais recentes, o jornal confirmou que De Rossi assinou contrato em dólar com o Boca, mas também afirmou que o time acertou um bom contrato de material esportivo com a Adidas, já para o primeiro semestre de 2020, com um dólar cotado a 70 pesos.

O River Plate, por sua vez, também tem alguns contratos dolarizados que ajudam a equipe, como seus principais patrocinadores: Turkish Airlines, Axion e Adidas.