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Dória revela que recebeu consultas de Flamengo e Cruzeiro e diz que ainda sonha com seleção

Desde o ano passado no Santos Laguna, atual líder do Torneio Apertura da Liga Mexicana com nove pontos ganhos, o zagueiro Dória vive um momento especial. Depois de passar por clubes como Botafogo e São Paulo, ele conta que recebeu consultas de equipes brasileiras neste ano.

"O Cruzeiro e o Athletico Paranaense perguntaram da minha situação. Nas férias tiveram algumas sondagens do Flamengo, mas de oficial não chegou nada. Pessoal queria saber quanto tempo tinha de contrato, se era empréstimo, salários e se queria voltar ao Brasil. Disse que meu pensamento é ficar. Se tiver algum plano de carreira como recebi aqui poderíamos conversar. Não fechei portas para ninguém, mas deixei claro como estou me sentindo. Ficar trocando de clube não é bom. As coisas estão indo bem, e agora é dar sequência", disse, ao ESPN.com.br.

Formado nas categorias de base do Botafogo, ele foi promovido ao time profissional em 2012 pelo treinador Oswaldo de Oliveira. Em pouco tempo, o defensor se firmou na equipe e foi considerado uma das principais revelações da temporada.

Em 2013, ele foi campeão carioca e ajudou a equipe a se classificar para a Libertadores depois de 17 anos. No ano seguinte, foi vendido ao Olympique de Marselha, da França.

O zagueiro foi emprestado ao São Paulo por seis meses antes de ir ao Granada, da Espanha. Depois, passou por Yeni Malatyaspor, da Turquia, até chegar ao clube mexicano, no qual tem contrato até 2022.

Com o sucesso na equipe mexicana, alguns torcedores começaram a raspar o cabelo como homenagem ao zagueiro, que sonha em jogar pelo Brasil outra vez. Ele defendeu a seleção brasileira desde as categorias de base e disputou o Sul-Americano Sub-20 de 2013, foi bicampeão do Torneio de Toulon (2013 e 2014) e chegou a ser capitão da seleção pré-olímpica.

O defensor foi convocado para a equipe principal - comandada à época por Felipão - um amistoso contra a Bolívia e foi titular.

"Seleção é você estar bem independentemente de onde estiver. O pessoal da Ucrânia e da China já foram convocados. Tem que estar jogando bem e em alto nível. Hoje em dia você está sendo visto, é só ligar a televisão que dá para ver jogos do mundo todo. Está nos meus planos, mas meu principal objetivo é ir bem no meu clube. As coisas vão acontecer naturalmente", finalizou.

Veja a entrevista com Dória:

Conte como foi a saída do Olympique de Marselha?
Eu saí porque o treinador Rudi Garcia me colocou muito de lateral-esquerdo e eu quase não estava atuando. Ele falou: 'Se tiver alguma oportunidade para sair nós vamos te liberar. Caso não venha, vamos contar com você'. Veio uma oferta da Turquia e foi bem rápido porque o campeonato já estava em andamento. Depois, fui ao México de forma definitiva. Isso mudou minha vida porque foi uma das melhores escolhas para mim. Eu estava sendo muito emprestado, não tinha muito tempo para me adaptar e sabia que os times não iriam me comprar. Agora eu e a minha esposa estamos bem.

Como foi a negociação com o Santos Laguna?
Tinha algumas situações para eu ir para clubes da França, mas o treinador não quis me liberar porque não queria que jogasse contra ele. Teve ofertas da Arábia, que eram muito boas financeiramente, mas tinha medo por ser muito jovem. Foi quando veio essa oferta que foi muito convincente e bem elaborada. O diretor do clube foi à minha casa falar comigo, sendo que antes nos falávamos por vídeo. Ele já tinha estudado tudo da minha vida e apresentou um plano de carreira que encheu meus olhos.

Como é jogar no México?
A rapaziada é muito legal e a estrutura é muito boa. O clube é muito organizado e cuida da minha família. Não me preocupo com nada. O pessoal é muito amável, simpático e alegre. As pessoas no Brasil tem uma ideia errada do futebol mexicano. É um campeonato muito organizado, disputado e que tem grandes jogadores. São pelo menos 8 times que podem ser campeões facilmente.

Você conhecia algo do México? Como pegou informações?
Quando vim para cá a gente só sabia de história de narcotraficante na cabeça. Meu pai não queria que eu fosse por causa disso. A gente estava muito com as séries como "El Chapo" e "Narcos" na cabeça. Meu pai veio para cá antes para conhecer as instalações do clube e a cidade. Ele me disse para vir tranquilo porque era show de bola e que iria me amarrar.

Alguma história curiosa desse período por aí?
O mais engraçado é ver os vizinhos te contando que anos antes tinha muito problema com narcotráfico. Eles falam: 'Aqui mataram 15 pessoas e prenderam a cabeça do cara'. Eu pensei: 'O que é isso? Não é possível!' Hoje em dia não tem nada disso, é um lugar super tranquilo. A cidade é muito segura e tem muito policiamento.

Como tem sido dentro de campo para você?
Dentro de campo tem sido muito bom para mim. No primeiro ano eu joguei dois torneios. No segundo não fomos bem e não nos classificamos para o mata mata, mas no primeiro a gente foi bem. Nesse terceiro estamos com três vitórias em três jogos e lideramos o campeonato. São oito gols marcados e um sofrido. Está sendo bem legal aprender sobre essa cultura. O futebol tem muita qualidade e é parecido com o do Brasil. Gostam de sair jogando desde o goleiro. Ainda posso ajudar com a minha experiência na Europa e aprender com eles também. Espero que a gente consiga coisas maiores como títulos.

Qual seu plano de carreira? Pretende ficar ou sair?
Agora eu pretendo ficar aqui. Tive algumas propostas para voltar ao Brasil nesta janela, mas não é o que eu penso agora. Minha família está bem adaptada e a minha filha está na escola. Estou feliz de morar aqui.

Quais times foram atrás de você?
O Cruzeiro e o Athletico-PR perguntaram da minha situação. Nas férias tiveram algumas sondagens do Flamengo, mas de oficial não chegou nada. Pessoal queria saber quanto tempo tinha de contrato, se era empréstimo, salários e se queria voltar ao Brasil. Disse que meu pensamento é ficar. Se tiver algum plano de carreira como recebi aqui poderíamos conversar. Não fechei portas para ninguém, mas deixei claro como estou me sentindo. Ficar trocando de clube não é bom. As coisas estão indo bem, e agora é dar sequência.

Você tem planos de voltar à seleção? Dá para ser convocado mesmo jogando no México?
Seleção é você estar bem independentemente de onde estiver. O pessoal da Ucrânia e da China já foram convocados. Tem que estar jogando bem e em alto nível. Hoje em dia você está sendo visto, é só ligar a televisão que dá para ver jogos do mundo todo. Está nos meus planos, mas meu principal objetivo é ir bem no meu clube. As coisas vão acontecer naturalmente.