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Venezuela colocou meninas para treinar com meninos e diminuir atraso no futebol feminino

Se o futebol masculino na Venezuela experimentou uma evolução nos últimos 20 anos e já almeja até uma vaga na próxima Copa do Mundo, a seleção feminina ainda tenta diminuir anos e anos de atraso. A Federação local já até recorreu a medidas emergenciais.

Em 2014, exigiu que todos os clubes escalassem em seus times de base meninas de 15 anos.

"Obrigamos que todos os times sub-14 tivessem tivessem entre os titulares uma menina de 15 anos. O raciocínio foi simples: se tivéssemos 50 equipes, teríamos 50 meninas jogando em um nível superior e com possibilidade de ter uma evolução mais rápida", disse Jesus Berardinelli, vice-presidente da Federação local, à reportagem.

"Foi uma medida pensada para a preparação para os Jogos Olímpicos Juvenis, na China. Tínhamos de ter uma seleção competitiva e a nossa direção entendeu que seria uma boa ideia, um caminho para alcançar o objetivo mais rapidamente", acrescentou.

Na edição daqueles Jogos, a equipe venezuelana teve bom desempenho e chegou até a decisão, mas foi goleada pela China por 5 a 0.

Apesar de a Federação ter alcançado o objetivo, a medida utilizada há cinco anos não prosseguiu porque era apenas emergencial. Decidiu-se pensar em ações que fossem mais eficazes e a longo prazo.

"Desde 2017, nos obrigamos que as equipes profissionais tenham uma equipe feminina sub-16. Além disso, por decisão da Conmebol, as equipes que jogam a Copa Libertadores e a Copa Sul-Americana têm times profissionais", disse Berardinelli.

A existência de times profissionais femininos propiciou a criação de um torneio profissional regular desde 2017. Antes, de 1999 até 2003, e depois de 2004 até 2016, foram jogadas competições com mudanças na quantiade de clubes e sem qualquer interesse.

Há uma evolução possível de ser notada, segundo o dirigente.

"Nas categorias sub-17 e sub-20 estamos em bom nível. Para a seleção principal vamos contratar uma treinadora italiana, que assumirá o comando de todo o projeto. Com a presença dela esperamos chegar ao Mundial em quatro anos", disse Berardinelli.

O dirigente viajará para a Itália na próxima semana e já tem duas reuniões agendadas com Carolina Morace e Nicola Williams.

Títulos

A medalha de prata nos Jogos Olímpicos da Juvenis foi para a galeria de troféus do futebol do país, que aliás já tem algumas honrarias com as mulheres para se orgulhar.

A categoria feminina acumula uma medalha de ouro nos Jogos CentroAmericanos e do Caribe, em 2010, e três medalhas de bronze. Uma na Copa América (1991), outra nos Jogos Bolivarianos (2009) e a última nos Jogos Centro-Americanos e do Caribe (2018).

As seleções de base também tiveram bons momentos. A sub-20 tem um vice no Sul-Americano de 2015, uma medalha de prata nos Jogos Bolivarianos (2013) e duas de bronze (2009 e 2017). No sub-17, foram dois títulos Sul-Americanos (2013 e 2016).

No entanto, o futebol feminino sempre teve mais dificuldade. A seleção da modalidade só foi criada em 1991. Jamais chegou ao Mundial.