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Rio volta a sediar grande evento em meio ao caos, mas sem clima de 'carnaval' e esperando ver a seleção brasileira

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Juca detona público em jogo da seleção: 'Para ver se a dona CBF se dá conta do que está acontecendo' (2:23)

Comentarista criticou a fase da entidade (2:23)

Pergunte para um carioca o que ele acha da Copa América e provavelmente você ouvirá: "A final é no Maracanã". Mas, a três dias da abertura do torneio, que será em São Paulo com Brasil x Bolívia, e a cinco do primeiro jogo no Rio de Janeiro, com Paraguai x Catar, a Cidade Maravilhosa não dá qualquer sinal de que o torneio passará por aqui.

Não há referências sobre o evento para quem desembarca no aeroporto Santos Dummont, que fica na área central. Não há cartazes ou anúncios espalhados pela cidade, que em breve receberá seleções como Chile e Uruguai, os últimos campeões da Copa América, para se enfrentarem em 24 de junho, no Maracanã.

Pelo contrário, ao andar de carro pelas avenidas é mais fácil encontrar referências a "Rio 2016", cujo logo ainda está pintando nas faixas das vias mais movimentadas, do que qualquer tema relacionado a Copa América.

Como sempre, o assunto no Rio são os times cariocas, e, nos últimos dias, o caso Neymar.

Quem trabalha na rede hoteleira ou com transporte --Táxi ou Uber, por exemplo-- aposta que a partir do momento que os jogos começarem o clima deve mudar, mesmo assim não será nada como foi na Copa do Mundo ou na Olimpíada há três anos.

Que diz isso alega que o público carioca prefere "produtos" genuinamente cariocas, como o futebol local.

Porém, é importante explicar que há motivos para falta de clima e qualquer carioca deixa isso bem claro. A cidade vive um dos piores momentos da história, com recursos financeiros escassos, desemprego acelerado, catastrófes naturais --as chuvas recentes causaram a morte de dez pessoas e deixaram dezenas desalojadas-- e tragédias (a morte de dez adolescentes após incêndio no Ninho do Urubu).

Durante a Copa América, o Maracanã receberá cinco partidas, entre as quais a grande decisão, em 7 de julho. Todos os dias que a seleção brasileira jogar --por enquanto não há partida certa da seleção no Rio-- haverá fan fest na praça Mauá.

Quem trabalha com turismo tem a expectativa de ver turistas ligados a Copa América nos próximos dias, embora nem Argentina nem Colômbia --duas das seleções que mais atraem turistas do próprio país-- tenham jogos previstos aqui.

O Rio de Janeiro também é a casa administrativa do torneio, abrigando os dirigentes da Conmebol, que estão alojados em um escritório na Barra da Tijuca, e também de outras confederações sul-americanas. Veja abaixo a programação na cidade.

Calendário

Jogo 1
16 de junho, 16h (de Brasília)
Paraguai x Catar
Fase de grupos (Grupo B)

Jogo 2
18 de junho, 18h30 (de Brasília)
Bolívia x Peru
Fase de grupos (chave A)

Jogo 3
24 de junho, 20h (de Brasília)
Chile x Uruguai
Fase de grupos (chave C)

Jogo 4
28 de junho, 16h (de Brasília)
2º colocado Grupo A x 2º colocado Grupo B
Quartas de final

Jogo 5
7 de junho, 17h (de Brasília)
Final

Curiosidades

Assim como foi ocorreu na Copa do Mundo de 2014, o Rio de Janeiro pode ficar sem receber a seleção brasileira. Existem duas possibilidades de a equipe se apresentar no estádio.

A primeira (mais improvável) é se terminar na segunda colocação do Grupo A. Assim jogaria as quartas de final no Maracanã, no dia 28. A segunda é chegar à decisão, expectativa geral.

No Mundial de 2014, o cenário foi pior. A única possibilidade era chegar à final, o que não aconteceu.

A expectativa para receber a Copa América deste ano, pela quarta vez organizada pelo Brasil, não mexeu ainda com o ânimo do carioca. Por aqui Em 1989, o Maracanã recebeu seis jogos, todos do quadrangular final. A média de público foi de 87 mil pessoas por partida. Antes, o estádio também recebeu um jogo em 1983 e dois em 1979 (ambos anos em que torneio não teve sede fixa).