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Europa League: 'Caso Mkhitaryan' não é novidade; relembre outros incidentes diplomáticos no futebol mundial

Quando Arsenal e Chelsea entrarem em campo para decidirem a Liga Europa nesta quarta, uma ausência seguirá sendo comentada: a do meia armênio Henrik Mkhitaryan.

O camisa 7 optou por não seguir com o elenco dos Gunners para o Azerbaijão, local da decisão, por conta de problemas diplomáticos do país com sua nação-natal, Armênia. Tal fato decorre da guerra pela região de Nagorno-Karabakh, que ocorreu entre 1988 e 1994 e estremeceu a relação entre os países mesmo após a assinatura do cessar-fogo.

O assunto foi tema de discussões e polêmica entre personalidades no mundo do futebol, mas está longe de ser novidade. O ESPN.com.br listou outros casos que fora das quatro linhas acabaram impactando no jogo.

Reincidência de Mkhitaryan

Apesar de ganhar os holofotes, a ausência de Mkhitaryan por motivos políticos não é novidade. O meia já deixou de disputar partidas contra o Gabala, quando ainda defendia o Borussia Dortmund, em 2015, e o Qarabag em 2018, quando já atuava pelo Arsenal. O motivo era o mesmo: ambas as equipes são azerbaidjanas, o que gerou o mesmo problema para o meia.

Shaqiri e a independência kosovar

Outro caso que ganhou atenção foi o do atacante suíço Shaqiri. Durante partida entre Suíça e Sérvia, ele marcou o gol da virada - e vitória - no duelo, comemorando com o símbolo da águia. O símbolo é um dos mais representativos para o povo de Kosovo, território do qual possui ascendência. O ato não foi em vão: sua família é refugiada da Guerra da Iugoslávia (1991-2001), atual Sérvia - a qual não reconhece o Kosovo como território independente - e que levou seus pais a se refugiarem na Suíça.

Por ser um defensor da causa do país, Shaqiri ainda sofreu novos impactos. Ele não foi relacionado para a partida entre Estrela Vermelha e Liverpool realizada em Belgrado, válida pela primeira fase da atual UEFA Champions League. Na partida, os Reds foram derrotados por 2 a 0.

Ardiles e a Guerra das Malvinas

Não é segredo a rivalidade histórica entre Argentina e Inglaterra - dentro e fora dos gramados. Por conta da Ilhas Malvinas (ou Ilhas Falkland), os países tem um estremecimento de relações, culminando em uma guerra, em 1982.

O conflito gerou repercussões também no futebol. Campeão do mundo com a seleção argentina em 1978, Osvaldo Ardiles estava no clube desde aquele ano, conquistando três títulos pelos Tottenham: Duas Copas da Inglaterra e uma Copa da Uefa. Contudo, o meia interrompeu sua passagem pelo clube londrino por conta da guerra, sendo emprestado ao Paris Saint-Germain após a Copa de 1982, na Espanha.

Benayoun e a questão israelita

Em 2006, durante a pré-temporada europeia, o West Ham programou uma viagem à Dubai, onde faria parte da preparação. Contudo, por conta dos conflitos entre Israel e os países árabes no Oriente Médio, o clube optou por deixar Yossi Benayoun, então titular e peça importante da equipe, de fora para evitar incidentes, enviando o atleta para Marbella, na Espanha, com a família durante o período.

O primeiro EUA x Irã

A Copa do Mundo de 1998 colocou dois países com relações diplomáticas conturbadas frente à frente: Estados Unidos e Irã. As nações estavam estremecidas desde 1980, quando os EUA apoiaram o Iraque durante a Guerra do Golfo.

Contudo, a tensão foi deixada de lado dentro das quatro linhas: os jogadores iranianos ofereceram flores aos estadunidenses, além de posarem para foto juntos. A partida acabaria 2 a 1 para a seleção asiática.

O título catari de 'pouca' comemoração

Convidado da Copa América de 2019, o Catar conquistou seu primeiro título há pouco tempo. O país se sagrou campeão da Copa da Ásia deste ano, a qual foi bastante comemorada dentro do país - e que não pôde ser vista por muitos dos seus torcedores.

Isto ocorreu por conta da sede da competição. Os Emirados Árabes Unidos decretaram um bloqueio econômico e político ao país por acusarem o governo catari de financiarem o terrorismo e de uma aproximação com o Irã, algo negado pelo Catar.

Em campo, a seleção não se intimidou, goleando os donos da casa por 4 a 0 na semifinal, inclusive, e batendo o Japão na sequência para assegurar o título.

O jogo da 'unificação' alemã

A Copa do Mundo de 1974, realizada na Alemanha Ocidental, foi palco de um dos jogos mais marcantes do futebol: A 'unificação' da Alemanha nas quatro linhas.

A divisão do país pelo Muro de Berlim, em 1961, representou a polarização mundial durante grande parte do século XX - quis o destino que se enfrentassem justamente em um Mundial no próprio país. O confronto entre Alemanha Ocidental e Alemanha Oriental ocorreu em Hamburgo e, surpreendentemente, acabou com vitória do lado oriental por 1 a 0. Apesar disso, a Alemanha Ocidental, de Franz Beckenbauer, foi a campeã do torneio.

O duelo que terminou em guerra

A representação de partidas de futebol como 'guerras' são comuns em clássicos e jogos importantes. Contudo, para Honduras e El Salvador, este contexto se tornou um conflito - literalmente - entre os países.

Durante as eliminatórias para a Copa de 1970, as seleções se enfrentaram na semifinal da competição. Estremecidas desde o processo de independência das nações, o primeiro duelo ocorreu em Honduras, com vitória dos mandantes por 1 a 0. Na volta, El Salvador venceu por 3 a 1, gerando brigas nas ruas entre os torcedores. Uma terceira partida foi necessária, sendo realizada na Cidade do México, com vitória de El Salvador por 3 a 2, se classificando para a final das eliminatórias - e, posteriormente, para o Mundial do México.

Contudo, duas semanas depois, houve o rompimento de relações diplomáticas entre os países, iniciando um conflito armado em 14 de julho de 1969, acabando com mais de duas mil mortes. Quatro dias depois, os países chegariam a entrar em uma trégua, mas o tratado só seria ratificado mais de uma década depois.