<
>

De Tostãozinho a Djalminha, a história de uma foto que levou o craque a se tornar nome de ginásio

play
Como uma foto fez com que Djalminha ganhasse homenagem em ginásio (10:06)

Uma imagem fez com que o São Cristóvão desse o nome de seu ginásio a Djalma Feitosa Dias, o Tostãozinho que virou Djalminha (10:06)

A placa marca o dia 26 de abril de 2019. Mas a inauguração oficial do ginásio Djalma Feitosa Dias, o Djalminha, aconteceu na tarde de 14 de maio.

Tudo começou com a história de uma foto, apresentada pelo ex-jogador e comentarista dos canais ESPN dias atrás, em uma conversa informal no meio da Redação.

O filho do grande Djalma Dias, um dos mais maiores zagueiros da história do futebol brasileiro, nos apresentou uma foto de 1982. Nela, o garoto filho do craque relembrava os tempos em que desfilava seu talento, aos 11 anos, na quadra de futsal do São Cristóvão de Futebol e Regatas.

O clube foi campeão do Campeonato Carioca em 1926 e luta, junto à CBF (Confederação Brasileira de Futebol), pelo título que alega ter vencido também no Estadual de 1937. Mas, na memória, o São Cristóvão aparece como a primeira casa de Ronaldo Fenômeno.

Os dois títulos importantes, mas esquecidos, são parte da história não apenas do clube carioca, mas de outros tantos pelo país. Assim como outros, o São Cristóvão ainda tenta sobreviver, mesmo que conte com apenas mil sócios.

Mesmo que a agremiação esteja longe das grandes verbas e de algum tipo de luxo, o clube segue contando com gente nova, esperançosa em dias melhores e preocupada com a memória e com as raízes construídas em décadas de trabalho árduo.

Foi por intermédio da foto apresentada por Djalminha que tivemos a ideia de reunir os personagens daquele registro. Tarefa que não foi nada fácil, pois os cinco jogadores, nascidos em 1970, não se encontravam há, no mínimo, 37 anos.

A produtora Clara Gomes conseguiu encontrar os três que aparecem em pé: o goleiro Marcelo, o ala Paulinho e Djalminha, à época conhecido como Tostãozinho, por lembrar demais o futebol de Tostão.

Marcelo seguiu no futsal e hoje é treinador de goleiros no Corinthians. Já Paulo Henrique Pereira, o Paulinho, nunca mais quis saber do esporte, tornou-se representante comercial de uma grande montadora de automóveis.

Assim entramos em contato com o São Cristovão para pedir a liberação para a gravação da reportagem, já que a ideia inicial era reunir os amigos de Djalminha, ou melhor, de Tostãozinho, sem que eles soubessem.

Mas a verdade é que a ideia gerou outro fruto: a possibilidade de o clube prestar uma homenagem e dar o nome de Djalminha ao nome do ginásio onde ele deu seus primeiros e fantásticos dribles, onde ele marcou seus primeiros e mágicos gols.

Foi um dia épico, não só para os amigos Paulinho e Marcelo, como também para a família de Djalminha que viu o craque, hoje do Resenha ESPN, brilhar e se emocionar em uma homenagem feita em vida.

Homenagem se faz em vida

“Nunca me esqueço de uma frase do Roberto Rivellino, que o importante é você receber uma homenagem em vida. No meu caso, não tenho palavras para agradecer, pois receber o nome do ginásio onde tudo começou é uma felicidade que não tem como explicar. Um orgulho muito grande ter recebido essa placa pela diretoria do São Cristóvão”, disse Djalminha.

Foi uma tarde emocionante onde o craque revelou histórias fantásticas da camisa 11, a original que ele levou para o encontro, relembrando também os jogos assistidos pelo pai, Djalma Dias, ex-zagueiro da seleção brasileira e de outros grandes times do Brasil como Santos, Palmeiras e Botafogo, entre outros. Djalminha contou passagens ao lado do pai, que exigia que o garoto fizesse não só os 6, 7 ou 8 gols que ele costumava fazer em cada partida, mas que não desperdiçasse os outros 2,3 ou 4 que ele deixava de marcar.

“Meu pai acompanhava todos os jogos. Ele ficava quietinho atrás do gol. Não gostava de alerde, ficava quietinho com os braços cruzados atrás do gol. Me lembro que muitas vezes a gente vencia com 6 gols meus e, quando eu chegava em casa, eu perguntava: ‘E aí pai, gostou da minha atuação?’. E ele, sem pestanejar, falava: ‘Deveria ter feito mais. Vi que você perdeu dois gols que não poderia ter perdido’. Confesso que ficava chateado porque para ele nunca estava bom. Mas depois, quando cheguei ao júnior do Flamengo, aquela cobrança serviu para eu sempre me cobrar mais e fazer melhor. Ali, naquela época, eu consegui tirar alguns elogios de um pai que cobrava muito e que hoje eu entendo perfeitamente, até porque faço a mesma coisa com os meus filhos”, finalizou Djalminha.

Na festa, com certeza, faltou o velho Djalma, morto em 1990.

Se estivesse presente, com certeza se emocionaria como a mãe, Dona Miriam, sua esposa, filhos e amigos, que saíram daquela quadra mágica com o coração cheio de alegria e com a alma lavada de tanta história boa e emoção.