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Manchester City: Dono de uma das melhores bases do mundo, clube perde dinheiro na venda de atletas

O futebol brasileiro vive há alguns anos um momento dourado no que diz respeito à produção – e especialmente venda - de atletas formados na base de grandes clubes. Fenômenos recentes como Vinícius Júnior e Lucas Paquetá, do Flamengo, Rodrygo, do Santos, e Arthur, do Grêmio, se tornaram fontes importantes de renda para suas instituições formadoras, que ainda mantêm uma porcentagem de lucros sobre os atletas mesmo depois de vendidos.

A venda de atletas da base é, no Brasil, uma forma de equilibrar o caixa e buscar se fortalecer para gerar mais lucro. Mas como funciona esse mercado para clubes que não precisam dessa 'renda extra'? O atual campeão inglês, Manchester City, é um caso curioso dentro desse contexto.

Acumulando títulos em sua história recente, o clube que tem Pep Guardiola no comando da equipe principal é uma verdadeira fábrica de talentos. Desde sua aquisição em 2008 pelo sheik Mansour bin Zayed Al Nahyan, foram investidos pouco mais de R$1 bilhão em instalações de alto nível para o desenvolvimento de jovens atletas.

Tanto dinheiro circulando entre títulos conquistados e valores investidos pela empresa que comanda o clube, no entanto, acabam trazendo alguns problemas. O City possui uma equipe profissional de alto nível em todas as posições, o que diminui o espaço dos jovens formados pelo clube. Com poucas chances, atletas optam por serem vendidos, e é comum que os valores pagos por eles fiquem abaixo do considerado normal para seu nível.

O jornal britânico Daily Mail calculou o valor total de 11 jogadores que foram vendidos pelo Manchester City nos últimos anos. O grupo definido pela publicação seria formado por Angus Gunn (Southampton) no gol; Kieran Trippier (Tottenham), Jason Denayer (Lyon), Karim Rekik (Hertha Berlin) e Angeliño Tasende (PSV) na defesa; um meio de campo com Denis Suárez (Barcelona), Brahim Díaz (Real Madrid) e Rony Lopes (Monaco); e David Brooks (Bournemouth), Jadon Sancho (Borussia Dortmund) e Kelechi Iheanacho (Leicester) no ataque.

A soma de todas essas peças na época em que foram vendidas daria um valor aproximado de R$ 500 milhões em lucros para o clube. Hoje, porém, o time é avaliado em quase R$1,8 bilhão.

Entre os 11, poucos atletas chegaram a realizar partidas pelo time profissional. Juntos, fizeram um total de 92 jogos oficiais, com Iheanacho sendo o responsável por 60 deles. Trippier, titular do Tottenham e finalista da Champions League, e Denayer, por outro lado, deixaram o City sem estrear no primeiro time.

De acordo com a publicação, vários jogadores tiveram ofertas de renovação acima da média, mas viram a impossibilidade de se fixarem no time principal e preferiam deixar o clube. Entre os casos, está o de Sancho, que em pouco tempo na Alemanha se tornou um dos principais jogadores da Bundesliga e já disputou partidas pela seleção inglesa.

"Ele não quis aceitar o desafio, a oportunidade de descobrir se podia jogar no City. Ele decidiu ir para o Borussia Dortmund e me pareceu perfeito. O parabenizo pelo que está fazendo. Esta temporada está sendo incrivelmente boa para ele. O que ele teria feito aqui nesta temporada? Eu não sei", disse Pep Guardiola em janeiro, perguntado sobre a situação do jogador e o 'desperdício' de atletas de base.

Brahim Díaz viveu uma história parecida com a do inglês, o que o levou a optar por ir para o Real Madrid, onde os poucos minutos dos quais desfrutou aproveitou com boas atuações que convenceram Zinedine Zidane.

A frequente perda de talentos por falta de espaço, porém, não é uma realidade única dentro do clube. Phil Foden foi uma exceção à regra, sendo o único atleta da base a compor o elenco que conquistou a tríplice coroa nesta temporada. O jogador tem feito boas aparições sob o comando de Guardiola e vai ganhando, aos poucos, peso dentro do time do City.

Ao longo da temporada, o jovem de 18 anos acumulou titularidades na Copa da Inglaterra e na Copa da Liga, além de ter saído do banco em algumas oportunidades, tanto na Premier League quanto na Champions. Ao todo, entrou em campo em um total de 26 partidas e anotou sete gols, firmando-se como uma opção na milionária equipe principal.