<
>

Liga Europa: após Mkhitaryan, final no Azerbaijão tem nova polêmica: 'Repressão aos direitos humanos'

A Anistia Internacional intensificou a pressão sobre a UEFA por conta da final da Liga Europa dizendo que o Azerbaijão, sede da partida, “não pode mascarar seu terrível histórico de violação dos direitos humanos através do esporte”. O Estádio Olímpico de Baku, localizado na capital azeri, será o palco do duelo entre Arsenal e Chelsea na próxima quarta-feira que vale o título europeu e de mais quatro partidas da Eurocopa de 2020.

As polêmicas sobre a escolha da sede da decisão começaram assim que o Arsenal garantiu sua vaga. Por medo de sofrer com a violência por conta da disputa territorial que envolve Azerbaijão e Armênia, o armênio Henrikh Mkhitaryan anunciou na última terça-feira que não irá viajar e será desfalque dos Gunners na partida.

“Nós precisamos garantir que o Azerbaijão não seja capaz de mascarar seu terrível histórico de violação dos direitos humanos por conta da festa do futebol”, afirmou Kate Allen, diretor britânico da Anistia Internacional ao jornal The Guardian, da Inglaterra. “O Azerbaijão está no meio de uma crise de direitos humanos com jornalistas, blogueiros e defensores dos direitos humanos sendo alvo de perseguições infundadas, julgamentos injustos e campanhas de difamação”, continua.

“Pessoas LGBTI têm sido presas e até pessoas que saíram do país estão sendo assediadas e pressionadas a voltarem. Fãs, jogadores e todos os envolvidos na final podem ajudar a não deixar o Azerbaijão utilizar o esporte para esconder essa situação se informando do que acontece por lá”, afirma Allen.

“É bastante comum ver governos utilizarem competições esportivas de alto nível para distrair as atenções de repressões policiais e violações de direitos humanos, visando criar uma imagem positiva do país. Isto não poderia estar mais longe da verdade neste governo atual e Arsenal e Chelsea não podem esconder isso”, completa.

De acordo com organizações pró direitos humanos do Azerbaijão, mais de 150 pessoas estão presas no país por motivações puramente políticas, enquanto prisões em massas tem sido utilizada como arma para silenciar a mídia e todos aqueles que se posicionam contra a situação. O país, governado por Ilham Aliyev desde 2003, está em 166º no ranking de Liberdade de Imprensa Mundial, a pior marca de um país europeu.