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De Bruyne diz que Klopp o quis no Dortmund e relembra conversa com Mourinho antes de deixar Chelsea

Kevin De Bruyne, conhecido pela habilidade com a bola no meio de campo do Manchester City, resolveu abrir o coração em carta ao site The Players' Tribune sobre todas as dificuldades e momentos delicados de sua carreira. Sua timidez e os problemas causados por falar pouco, sua formação no Genk, da Bélgica, a passagem pelo Chelsea, interesse do Borussia Dortmund e chegada ao Manchester City.

Em diversos momentos, De Bruyne destaca que não é um homem de muitas palavras e gosta de "se expressar pelo futebol", por conta disso já teve problemas nos tempos de Genk, quando a família que o hospedava (já que teve que se mudar para longe da casa de seus pais) pediu para que ele não retornasse após as férias por ele ser "muito quieto e que interage muito pouco" e, pela primeira vez, foi considerado um jogador "difícil" de lidar.

Para o jogador, esse momento foi a primeira reviravolta de sua carreira, quando viu sua mãe lhe falar isso aos prantos achando que ele não teria mais para onde ir e voltar para jogar futebol.

No entanto, o meia voltou mesmo com todos os problemas, se destacou no Genk e foi contratado pelo Chelsea em 2012. Na época, o técnico era José Mourinho e De Bruyne conta por que não ficou por muito tempo na equipe.

"Se falava muito na imprensa sobre meu relacionamento com José Mourinho. Mas, na verdade, eu falei com ele apenas duas vezes. Eu sempre tive o plano de sair por empréstimo. Então, em 2012, fui ao Werder Bremen e a temporada foi muito boa. Quando voltei ao Chelsea no verão seguinte, muitos clubes alemães queriam contar comigo. Klopp queria que eu fosse para o Borussia Dortmund e eles jogavam o tipo de futebol que eu gostava e eu achei que o Chelsea me deixaria ir!"

Porém, Mourinho mandou uma mensagem: "Você fica. Eu quero que você seja parte desse time".

No começo da temporada, segundo o jogador, a "vibe era boa". De Bruyne começou dois dos quatro jogos da temporada como titular, diz não ter sido brilhante, mas foi muito bem. Porém, no quarto jogo estava no banco e nunca mais teve uma chance: "Não me deram explicação. Eu apenas estava fora dos planos, por algum motivo".

"O que muitos fãs não sabem é que quando você não faz parte dos planos do clube, você não recebe a mesma atenção nos treinamentos. Em alguns clubes, você simplesmente não existe mais".

Em dezembro daquele ano, Mourinho o chamou ao escritório e a "segunda grande mudança" na vide do belga aconteceu. O português tinham papéis que diziam: "Uma assistência. Zero gols. Dez recuperações".

O técnico comparou o desempenho com os meias da época (Willian, Oscar, Mata e Schurrle) que tinham números muito melhores e o jogador respondeu que os jogadores tinham entre 15 e 20 jogos na temporada, logo, teriam um melhor desempenho.

O momento foi "estranho" e no momento Juan Mata estava de saída, então o técnico disse que "se o Mata sair, você será a quinta escolha, ao invés de sexta". Após isso, De Bruyne pediu para deixar o time e foi negociado com o Wolfsburg.

Após ótimas temporada na Alemanha, o meia despertou o interesse do Manchester City, PSG e Bayern de Munique. Escolheu pelo time inglês e abriu o coração ao falar de sua chegada ao clube, quando junto dele chegava o companheiro Sterling: "Eu não achava que ele era uma pessoa ruim, sinceramente. Mas os tablóides diziam que ele era arrogante. Então achei que ele seria... babaca, talvez?"

"Raheem [Sterling] e eu temos uma forte conexão. Chegamos ao City na mesma época e tinha muito negatividade sobre nós na imprensa. Diziam que eu era o "rejeitado do Chelsea". Diziam que Sterling era o garoto rápido que deixou Liverpool por dinheiro. Diziam que éramos personagens difíceis".

A dupla "passou por cima de tudo isso", se entrosou e hoje são grandes amigos dentro e fora de campo: "A realidade é que Raheem é um dos melhores e mais humildes que conheci no futebol".

Sobre o técnico Pep Guardiola, De Bruyne não poupa elogios. Em seu primeiro encontro, o técnico lhe disse: "Kevin, escute. Você pode, facilmente, ser um dos cinco melhores jogadores do mundo. Top cinco. Tranquilamente".

"Eu fiquei em choque, ele acreditava muito em mim, isso mudou totalmente minha mentalidade. Isso foi genial, acredito. Porque eu senti que tinha que provar para ele que era verdade, ao invés de provar o contrário", adicionou o belga.

"Pep e eu temos a mesma mentalidade. Para ser sincero, ele é muito mais intenso quanto a futebol do que eu. Ele é muito, muito estressado - o tempo todo. Mesmo que nós jogadores tenhamos muito estresse mental, ele tem o dobro. Porque ele não está interessado apenas em vencer. Ele quer a perfeição".

O meia belga termina o texto contando como a temporada atual está sendo difícil por conta das lesões e a bronca que levou de sua esposa quando, após lesão na partida contra o Fulham, chorou ao contar para ela a situação e a resposta foi: "Você não chorou no nosso casamento! Você não chorou nem mesmo quando seus filhos nasceram! O que, literalmente, foi ONTEM!".

O jogador então adiciona: "Acredito que isso diz tudo, realmente. Casamentos, funerais, aniversários? Não é nada. Sou uma pedra. Mas, tirar o futebol de mim? Esquece. Eu não sei lidar".