Fernando Prass, 1,91m e 93kg, tem hoje 9,5% de gordura corporal. O índice do goleiro do Palmeiras é melhor do que ele apresentava aos 20, quando foi promovido aos profissionais do Grêmio e ostentava 87 kg e 12,5% de percentual de gordura.
Quando Prass fala que está na melhor forma de sua carreira, é em números desse tipo que ele se apóia. Mas nem todos os números jogam a favor do jogador, sendo 40, sua idade, o que mais atrapalha.
Não porque ele tenha limitações. "Treino como todo mundo que tem 20, não faço menos que ninguém", diz ele, e confirma o departamento de fisiologia do clube. Mas a idade numérica sempre é motivo de desconfiança.
Os números apenas corroboram o que é visível a olho nu. Comparar fotos da chegada de Prass com outras atuais evidenciam a transformação do jogador, hoje muito mais forte.
Nessa segunda parte da conversa exclusiva com o ídolo palmeirense, a ESPN perguntou ao camisa 1 se era chato responder sempre sobre o fim da carreira.
"Ah, é chato porque as pessoas olham muito para o número (da idade) que, sinceramente, não quer dizer nada. Tem que olhar para o campo, para o rendimento e para os números científicos", diz ele. "Mas não tem jeito. Passou dos 35, 37, vai ser questionado", conforma-se.
"É claro que estou mais perto do fim, mas os 40 são apenas um número. Não significam nada", diz ele que, neste momento, ainda não vê motivos para pensar em aposentadoria ao fim da temporada, quando chega ao fim seu contrato com o Palestra.
"Eu não projeto (parar ou continuar). Conversei muito com o Zé Roberto sobre isso. Não tem como dizer. Agora, é ano a ano. Se eu chegar no fim do ano e estiver nessa condições. Ser titular é outra coisa, se tudo correr dentro do normal, nada me leva a crer que eu pare de jogar no ano que vem
UM MODELO CONSERVADO
Prass gosta de se comparar a um carro:
"Às vezes, um carro do ano 2000 com 50 mil quilômetros rodados, pode estar melhor do que um carro 2018 com 5 mil, quase zero. Porque o cara do carro 2000 trocou óleo, amortecedor, enquanto o outro andou com o carro na beira da praia, detonou", filosofa.
Em seu sétimo ano alviverde - sua chegada fez seis anos no último dia 20 -, o jogador se sente em casa. Tanto é que preferiu renovar contrato, mesmo tendo de disputar posição com Weverton e Jailson, a buscar oportunidade em outro clube.
"Eu me sinto motivado para jogar aqui, sinto que posso ser muito útil aqui ainda. Quero ser importante jogando, é claro, mas me realizo também fazendo outras coisas. Fiquei aqui porque creio ter condições de disputar a posição", afirma.
NÃO É ACASO
Prass não chegou a essa idade com essa forma por sorte. Desde o começo da carreira, o goleiro já olhava para o próprio corpo como sua ferramenta de trabalho.
"Ele é um atleta na acepção da palavra", afirma Thiago Santi, fisiologista do clube, que acompanha a evolução de Prass desde 2014. "Chegou aos 40 em alto nível porque respeitou sua profissão", diz.
Índices dele como composição corporal, nível de força e dados colhidos com GPS e acelerômetro - que medem distâncias e avaliam movimentos realizados - mostram que o jogador realmente vive grande momento físico.
SALGADO E REFRIGERANTE
Mesmo tendo sido sempre cuidadoso, nos últimos anos, Prass revela também ter mudado sua alimentação. Cortou farinha branca, refrigerantes, frituras. Excessos, em geral. Seu mantra é que mais da metade da preparação física vem da alimentação.
"O cara que treinar o que a gente treina e continuar gordo, só pode ser vagabundo", diz ele, entre risos.
"Deve estar comendo mal. Ou pode ter alguma alteração hormonal", diz.
"Eu até como pizza, de vez em quando. Mas é preciso observar", completa.
Prass se diverte ao se lembrar de hábitos antigos dos jogadores, na época em que suplementação alimentar era quase coisa de outro planeta.
"Eu saía do treino, no Grêmio, e tinha um bar ao lado do Estádio Olímpico. Todo mundo, os jogadores do profissional, paravam para comer hot-dog e refrigerante depois do treino, na hora em que o corpo mais pede nutrientes", diverte-se.
Foi apenas no Vasco, aos 30, que o jogador começou a tomar suplementação.
"Uma pena só ter pego essa mudança já tanto depois de começar a jogar", diz.
