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Ex-Corinthians quase foi ao Flamengo e recusou a Rússia; hoje, está na seleção brasileira

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Convocação da seleção brasileira: os chamados por Tite (1:01)

Treinador anunciou os nomes que disputarão próximos amistosos (1:01)

No meio deste ano, Pablo rejeitou uma oferta tentadora de 12 milhões de euros (R$ 53,2) do Krasnodar, da Rússia, e permaneceu no Bordeaux por causa do sonho de vestir a camisa da seleção brasileira pela vez na carreira.

Menos de um mês depois ele foi premiado com a convocação feita pelo técnico Tite, na semana passada, para os amistosos contra a Argentina e a Arábia Saudita.

Em entrevista exclusiva ao ESPN.com.br, o jogador de 27 anos recordou como foi sua passagem vitoriosa pelo Corinthians, afirmou ter recebido sondagens do Palmeiras e disse que ficou muito perto de ir ao Flamengo.

Veja a entrevista com Pablo na íntegra:

ESPN - Como surgiu o Corinthians na tua vida?
Pablo -
Começou em outubro de 2016, quando o Alessandro [gerente de futebol do Corinthians] entrou em contato com meu empresário. Fiquei muito feliz porque estava numa situação complicada. Tinha feito uma cirurgia de hérnia e outra de púbis no meio do ano e estava me recuperando. Estava sem jogar e quando veio essa chance fiquei feliz. A negociação só se concretizou em janeiro, mas já estava 100% recuperado fisicamente.

ESPN - E a chegada ao Corinthians? O time estava em reconstrução e muitas pessoas não esperavam nada na temporada...
Pablo -
Primeiro foi ver a torcida em redes sociais, que é uma coisa absurda. A gente escuta mas não sabe como é porque não vive aquilo. Quando surgiu meu nome como possível reforço as minhas redes sociais bombaram de comentários me apoiando. Isso me deixou muito motivado e só tinha coisas boas. Logo no começo mostrei meu potencial e dedicação. Quem anda perto de mim sabe que trabalho muito e ganhei espaço como titular na minha chegada.

ESPN - Vocês tiveram um começo de ano um pouco complicado, mas o time entrosou. Como foi esse processo?
Pablo -
O nossos entrosamento de equipe foi muito perfeito. Parecia que tínhamos jogado todos juntos na temporada anterior. O Carille veio com uma filosofia de trabalho bem diferente de tudo que era feito no Brasil naquele momento tirando o Corinthians do Tite. A gente conseguiu colocar em prática. Todo começo é um pouco complicado, ainda estávamos nos achando com dificuldade. Depois embalamos e ficamos mais de 30 jogos sem perder, ganhamos placa da diretora. Foi uma temporada perfeita para gente.

ESPN - Esse período no Corinthians projetou seu nome no Brasil?
Pablo -
Com certeza. Minha passagem no Corinthians foi um fator muito grande em tudo que estou vivendo hoje. Aprendi demais com o Carille. Depois que passei no Corinthians, minha projeção profissional foi muito grande. Também tive uma continuidade depois. Não adiantava ter um ano perfeito no Corinthians e não ser o mesmo Pablo de 2017 no Bordeaux. Significaria que foi sorte ou que a equipe estava encaixada. Mas eu mantive o mesmo trabalho na França, os meus números mostram isso e meus jogos. Foi isso que a comissão técnica da seleção viu. É fruto de um trabalho que mantenho há dois anos.

ESPN - Quais os jogos mais marcantes que você jogou pelo Corinthians?
Pablo -
Os três jogos contra o Palmeiras. Aquele jogo épico em Itaquera pelo Paulistão que o Gabriel foi expulso injustamente. Nós vencemos no último lance com um gol do Jô. Depois, fizemos 2 a 0 na casa do Palmeiras e abrimos uma folga sobre eles no Brasileiro. E por fim , o jogo ais importante do campeonato. Muita gente achou que era a final, tínhamos caído um pouco de rendimento. Se perdêssemos na arena eles iam encostar na gente na briga pelo título. Esses foram os que mais me marcaram.

ESPN - Como é a sua relação com a torcida do Corinthians?
Pablo -
Eu sentia o carinho que a torcida tem por mim até hoje. Eu tentava retribuir sempre dentro de campo e estava motivado em todos os jogos. Era legal porque quando dava um carinho ou roubava uma bola eles vibravam comigo. Ficará marcado na minha memória. Eles me marcaram em todos os jogos, ainda mais na Arena.

ESPN - Falou depois com o Carille?
Pablo -
Falei com o Carille logo depois da convocação para a seleção e ele me deu os parabéns. Eu falei para ele que tinha uma parcela muito grande nisso tudo. Sempre falei bem dele em todas as entrevistas porque merece

ESPN - Por que não deu certo de você ficar no Corinthians?
Pablo -
A negociação com o Corinthians foi bem longa. Ela começou em junho, eu acho. Tínhamos apalavrado um acordo em julho, estava tudo certo. Passou um tempo e esse acordo não valia mais. Ficamos até outubro e esperamos receber uma proposta oficial do Corinthians. Nós renegociamos até não aceitarmos a última oferta. Depois disso, o Corinthians desistiu e não fez mais nenhuma proposta. Eu fiquei de fora da festa do título do Brasileiro. Tinha direito por ser jogador do Corinthians, ainda tinha contrato, em participar da festa e receber a medalha. Muito se falou que não tinha clima, mas não teria clima se falassem antes de eu jogar. Se divulgassem antes que eu não iria ficar. Se não tivessem divulgado nada seria um jogo normal e depois poderiam falar. Até por respeito. Enfim, isso jamais vai apagar tudo que passei no Corinthians. Muitas pessoas acham que saí chateado ou magoado, ou que saí pelas portas do fundo. Jamais. Na minha saída conversei com o presidente e o Alessandro normalmente. Me despedi de todo mundo, criei uma amizade e foi um ano especial. Isso foi muito pouco perto do que passei no Corinthians.

ESPN - Nesse período vários times foram atrás de você. O Palmeiras e o Flamengo fizeram ofertas?
Pablo -
O Flamengo fez proposta oficial para o Bordeaux, que rejeitou as duas ofertas. Eu já estava tudo certo com o Flamengo em questão de contrato e salários, foi o que ficou mais próximo. Palmeiras teve uma pequena conversa, mas nada que evoluiu.

ESPN - Você voltou ao Bordeaux com outro patamar?
Pablo -
Com certeza. Não tem nada mais gratificante do que voltar desta forma. Antes de sair eu não estava jogando e não estava sendo o Pablo que sou de verdade. Com a estrutura que o Corinthians me deu pude mostrar todo meu potencial. Fui campeão paulista e do Brasileiro, recebi alguns prêmios individuas. Até as mesmas pessoas que naquela época não contavam com meu futebol, depois queriam muito que eu ficasse [no Bordeaux] porque sabiam que tinha propostas. Pediram para eu ficar e ajudar a equipe que estava em situação bem difícil, na 16ª posição e brigando contra o rebaixamento. Eles precisavam se reforçar na zaga. O Bordeaux foi inteligente e dificultou para todas as equipes que queriam contar com meu futebol. É muito bom saber que consegui mostrar meu futebol. E também é uma responsabilidade em manter essas atuações, mas graças a Deus consegui fazer isso e fui coroado com essa chamada para a seleção brasileira.

ESPN - Você quase foi contratado pelo Krasnodar, da Rússia, nesta janela de transferências. Por que não saiu?
Pablo -
O Krasnodar entrou em contato com meu empresário antes de abrir a janela e ficou um mês e meio negociando coisas de contrato. Entramos em acordo em todas as aéreas, mas eu não estava me sentindo seguro. Pensei muito na minha família, na minha esposa e no meu filho. Teríamos que começar do zero, seria uma adaptação mais difícil do que foi na França. E a nossa adaptação com cultura e língua tinha sido difícil aqui. Pensei muito nisso e também na parte profissional. Não desrespeitando o Krasnodar, que é uma grande equipe na Rússia, mas poderia ficar um pouco mais distante do cenário do futebol mundial e da seleção brasileira. Esse é o meu grande objetivo e sabia que teriam alguns testes. Tudo isso me fez desistir de uma oferta que para muitos jogadores seria irrecusável, até mesmo para o Bordeaux. Eram 12 milhões de euros. Eu acabei recusando.

ESPN - E você se arrependeu de não ter ido?
Pablo -
Não. Isso era o mais importante, estava muito tranquilo. Muitos amigos meus me questionaram sobre isso. Eu falei tranquilamente que não estava arrependido. Acredito que tenho chances de jogar em um grande clube da Europa e quem sabe para seleção.

ESPN - Você já imaginava que poderia ser chamado para a seleção? Ou arriscou mesmo?
Pablo -
Começou em 2017, até mesmo a imprensa falava que eu poderia ter uma chance na seleção. Isso ficou bem dentro de mim e trabalhei para isso. A cada convocação e acompanhava a lista, mas infelizmente não aconteceu naquela época. Eu estava na internet lendo tudo de esportes e vi que teria a convocação da seleção na sexta passada, às 11h (de Brasília). Eu pensei: ‘Caraca, já pensou?’ Mas sem aquela pretensão. Estava tranquilo em casa e meu telefone não parava de receber mensagens nos WhatsApp. Não estava entendendo nada e pensei que tinha acontecido algo ruim. Meu pai me ligou chorando e gritando: ‘Você foi convocado, você foi convocado!’ Respondi: ‘Mentira’. Chamei minha esposa, que viu na internet, chorou pra caramba e me abraçou. Eu sempre trabalhei para isso e me dediquei, as pessoas sabem disso, mas fazia muito tempo que não estaca mais nada sobre isso. Mas sabia que tinha condições e foi uma surpresa muito boa.

ESPN - Você já conhece o Tite? Já trabalharam juntos?
Pablo -
Não, mas será um prazer enorme trabalhar com ele! É um técnico com uma capacidade gigantesca e ou aprender muito com ele.

ESPN - Você vai reencontrar na seleção o Malcom, seu ex-colega de Bordeaux. Ele viveu uma situação parecida com a sua quando foi para o Barcelona...
Pablo –
Foi mesmo. Ele estava quase no avião quando mudou-se o rumo. Ele é meu parceiro, assim que saiu a convocação nós trocamos mensagens de parabéns. É meu amigo e conversávamos demais, eu dava muitos conselhos para ele. Sou mais velho e tenho um pouquinho mais de experiência do que ele. É um cara espetacular, de uma qualidade enorme e não foi à toa que o Barcelona o contratou. Vai mostrar seu potencial para ficar por muito tempo na seleção.

ESPN - Quais zagueiros você admirava quando era garoto?
Pablo -
Quando era garoto eu me inspirava muito no Lúcio quando eu jogava no Ceará. Depois, veio o Thiago Silva que até hoje é um zagueiraço e admiro muito seu futebol. Eles foram as minhas duas maiores inspirações.

ESPN - Quais são seus próximos objetivos?
Pablo -
Meu próximo passo é mostrar todo meu potencial e minhas qualidades na seleção. Vou trabalhar o máximo para isso. Uma coisa é ser chamado e outra é permanecer. Por isso preciso chegar nesses treinos e jogos, se tiver chance, de mostrar meu potencial. Preciso manter a qualidade e regularidade no Bordeaux par ser chamado mais vezes à a seleção.