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Palmeiras sonha com a Tríplice Coroa. Relembre a última vez que o time conquistou 3 títulos no ano

Nesta quarta-feira, o Palmeiras recebe o Botafogo, às 21h (de Brasília), no Allianz Parque, pela 20ª rodada do Campeonato Brasileiro. Uma vitória é mais do que essencial para a equipe alviverde não perder contato com o pelotão de frente e seguir com seu sonho nesta temporada: vencer a Tríplice Coroa (Brasileirão, Copa do Brasil e Libertadores).

Algo que, na visão do lateral esquerdo Diogo Barbosa, é realizável.

"Possível é, né? Nosso time tem grandes jogadores. É muito difícil conquistar uma (competição), que dirá três... Mas é possível, sim", bradou o atleta, que deve ser titular nesta quarta-feira contra seu ex-clube.

"Nós temos um bom treinador, um bom grupo e vai depender só da gente. Vamos trabalhar para conseguir uma coisa de cada vez. A gente tem que ir mirando passo a passo, não pode ficar pensando logo lá na frente, porque isso pode atrapalhar. Vamos devagarzinho, pensnado passado a passo para a gente não se atrapalhar", ressaltou o atleta.

Conquistar três títulos em uma mesma temporada no Brasil, porém, é mesmo algo raro. São poucos os casos de clubes que conseguem realizar tal feito, como fez o Cruzeiro de 2003, por exemplo, faturando Mineiro, Brasileirão e Copa do Brasil em um ano.

No caso do Palmeiras, a última oportunidade em que tal feito foi alcançado foi no início da era Parmalat, quando o Verdão tinha um dos times mais fortes de sua história e possuía talvez o elenco mais recheado do futebol nacional.

Em 1993, a equipe do Palestra Itália começou o ano ganhando o Paulistão em cima do rival Corinthians e acabando com um jejum de 17 anos sem títulos.

Depois, faturou ainda o tradicional torneio Rio-São Paulo, novamente em cima do Timão, e finalizou a temporada levantando o troféu do Campeonato Brasileiro em cima do surpreendente Vitória. Só caiu na Copa do Brasil para o Grêmio, nas oitavas.

Relembre como foi cada conquista:

CAMPEONATO PAULISTA

O Palmeiras dominou a primeira fase do Estadual, fazendo 44 pontos em 30 jogos (19 vitórias, 6 empates, 5 derrotas, com 73% de aproveitamento). No segundo estádio, massacrou os rivais, vencendo suas 6 partidas e encerrando com 100% de aproveitamento.

A final foi contra o Corinthians, líder do outro grupo, que venceu o jogo de ida por 1 a 0, com o famoso gol de Viola no qual o atacante imitou um porco na comemoração. Na volta, porém, o Verdão fez 3 a 0 no tempo normal, e 1 a 0 na prorrogação, para ficar com a taça.

FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS 4 x 0 CORINTHIANS

Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo-SP
Data: 12 de junho de 1993, sábado
Horário: 16h (de Brasília)
Público: 104.401 torcedores
Renda: Cr$ 18.154.900,00
Árbitro: José Aparecido de Oliveira
Cartões amarelos: Roberto Carlos, Zinho, Edmundo e Alexandre Rosa (PAL); Ronaldo, Henrique, Leandro Silva, Neto e Viola (COR)
Cartões vermelhos: Tonhão (PAL); Henrique, Ronaldo e Ezequiel (COR)

GOLS
PALMEIRAS: Zinho, aos 36 minutos do primeiro tempo; Evair, aos 29, e Edílson, aos 38 minutos do segundo tempo; Evair (pênalti), aos 9 minutos do primeiro tempo da prorrogação

PALMEIRAS: Sérgio; Mazinho, Antônio Carlos, Tonhão e Roberto Carlos; César Sampaio, Daniel Frasson, Edílson (Jean Carlo) e Zinho; Edmundo e Evair (Alexandre Rosa) Técnico: Vanderlei Luxemburgo

CORINTHIANS: Ronaldo; Leandro Silva, Marcelo, Henrique e Ricardo; Ezequiel, Marcelinho Paulista, Paulo Sérgio e Adil (Tupãzinho) (Wilson); Viola e Neto Técnico: Nelsinho Baptista

RIO-SÃO PAULO

Na primeira fase, o Palmeiras terminou na liderança empatado em 7 pontos (3 vitórias, 1 empate, 2 derrotas) com o Santos, mas à frente do rival no saldo de gols, o que o colocou na final contra o Corinthians, que ficou em 1º lugar na outra chave, à frente da Portuguesa.

No primeiro jogo da decisão, no Pacaembu, o Verdão venceu por 2 a 0, com dois gols de Edmundo, e abriu vantagem confortável para o duelo de volta. No segundo jogo, mesmo desfalcado de vários convocados à seleção brasileira, o Alviverde ratificou o título com um 0 a 0.

FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS 0 x 0 CORINTHIANS

Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo-SP
Data: 7 de agosto de 1993, sábado
Horário: 16h (de Brasília)
Público: 28.363 torcedores
Renda: Cr$ 9.814.350,00
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas
Cartões amarelos: Flávio Conceição, Sérgio e Roberto Carlos (PAL); Luiz Carlos Winck, Admílson e Rivaldo (COR)

PALMEIRAS: Sérgio; Cláudio, Tonhão, Alexandre Rosa e Roberto Carlos; César Sampaio, Amaral, Flávio Conceição (Paulo Sérgio) e Jean Carlo; Maurílio e Edílson Técnico: Vanderlei Luxemburgo

CORINTHIANS: Ronaldo; Luís Carlos Winck (Leandro Silva), Marcelo, Henrique e Admílson (Bobô); Ezequiel, Marcelinho Paulista, Válber e Leto; Viola e Rivaldo Técnico: Nelsinho Baptista

CAMPEONATO BRASILEIRO

Com o time mais afinado do que nunca, o Palmeiras deitou e rolou na primeira fase, terminando com 10 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Na segunda fase, ganhou 4, empatou 2 e se classificou para a final, deixando São Paulo, Guarani e Remo para trás no grupo.

Na decisão, o Verdão encarou o surpreendente Vitória de Dida, Alex Alves, Vampeta e outros bons jogadores. Foi campeão sem dificuldades: 1 a 0 na Fonte Nova, com gol de Edílson "Capetinha", e 2 a 0 no Morumbi (Edmundo e Evair) para fechar bem o ano.

FICHA TÉCNICA
PALMEIRAS 2 x 0 VITÓRIA

Local: Estádio do Morumbi, em São Paulo-SP
Data: 19 de dezembro de 1993, domingo
Horário: 16h (de Brasília)
Público: 84.644 torcedores
Renda: Cr$ 169.028.500,00
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas
Cartões amarelos: Rodrigo, João Marcelo e Renato Martins (VIT)
Cartão vermelho: China (VIT)

GOLS
PALMEIRAS: Evair, aos 4, e Edmundo, aos 23 minutos do primeiro tempo

PALMEIRAS: Sérgio; Gil Baiano, Antônio Carlos, Cléber (Tonhão) e Roberto Carlos; César Sampaio, Mazinho, Edílson e Zinho; Edmundo e Evair (Sorato) Técnico: Vanderlei Luxemburgo

VITÓRIA: Dida; Rodrigo, João Marcelo, China e Renato Martins; Gil Sergipano, Roberto Cavalo e Paulo Isidoro; Alex ALves, Claudinho e Giuliano (Fabinho) (Evandro) Técnico: Fito Neves

CÉSAR SAMPAIO ENSINA O CAMINHO

Presente na conquista dos três títulos de 1993 pelo César Palmeiras, o ex-volante César Sampaio, que atualmente é comentarista da ESPN, ensina o caminho das pedras para os clubes que têm pretensão de conquistar uma Tríplice Coroa.

Confira o depoimento do craque:

Para vencer três títulos, é preciso em primeiro lugar ter elenco. Opções de reposição à altura e boa competição interna pela titularidade e comprometimento dos jogadores.

Alguns também falam que é preciso ter união no grupo, mas lembro que em 93 a gente não era tão unido. Só que, dentro de campo, nós colocávamos as metas pessoais ajudando as coletivas. A maioria daquele elenco não tinha um título de expressão na carreira, e isso alavancou tudo.

O Vanderlei Luxemburgo, nosso técnico, também era uma promessa que se tornou realidade. Na época, ele ainda buscava seu espaço entre os melhores do mercado.

É preciso dinheiro também (risos). Na época, tinha a Parmalat, que conseguia pagar salários muito perto dos que a Europa pagava, fazia grandes contratações e trazia os maiores destaques dos Estaduais para o Palmeiras.

Era um movimento não só de resultado, mas de pressão constante pela marca também. Nós éramos o marketing de tudo isso.

O desgaste físico para um jogador que joga sem sequência grande de jogos vai perdendo a intensidade. A gente só ficava de fora por lesão ou descanso. Mas ninguém quer ficar de fora de uma equipe que está ganhando (risos). Jogador sabe que se der brecha e o outro jogar bem, ele perde a titularidade.

Lembro uma vez que terminou meu contrato e demorei um pouco para renovar porque tinha uma diferença entre o que Palmeiras oferecia e o que eu queria. O Flávio Conceição entrou no meu lugar, foi bem e fez gol. Aí eu renovei rapidinho pelo valor que o clube oferecia antes que perdesse a vaga (risos).

O mais difícil de todos os títulos que ganhamos naquele ano foi o Paulistão. Sair da fila contra o Corinthians, por todo peso da história, por tudo que envolvia aquele jogo... Era um cobrança constante! Quebrar um período longo de fila é sempre mais difícil. Depois, fica mais fácil. Os outros títulos foram bem menos sofridos.

No Rio-São Paulo, nós vencemos o Corinthians com tranquilidade. Lembro que vencemos o primeiro jogo por 2 a 0 e o Edmundo fez a reboladinha, eu acho (risos).

No jogo de volta o Clebão sonhou que perdíamos de 4 a 0 para eles (risos). Eu falei: ‘Pelo amor de Deus, Clebão. Se a gente perder de 4 a 0 a gente não sai vivo daqui hoje!’ (risos). No fim das contas, seguramos o empate e vencemos o título. Poderíamos até ganhar o jogo, mas administramos o resultado.

No Brasileiro, nós vencemos um time muito jovem e talentoso do Vitória, com Dida, Alex Alves, Vampeta, Júnior, Paulo Isidoro, Marcelo... Tecnicamente, nosso time era superior, e também éramos mais experientes. A gente não sofreu tanto e éramos mais favoritos.

Hoje, eu acho que o Palmeiras tem um departamento de coordenação cientifica que permite que o clube brigue pelas três competições. Tem um elenco muito qualificado e que permite fazer rodízios nas competições.

Mas a parte atlética e emocional conta muito. Esse rodízio que o Palmeiras vem fazendo tem dado resultado, já usou 82% do elenco desde a chegada do Felipão. É algo muito positivo.

Com o Felipão, o time conseguiu os resultados mesmo com revezamento, algo que o Roger não conseguiu. O Felipão arrumou o time de trás para frente, neutralizando os pontos fortes do adversário.

As equipes do Felipão não jogam bonito, são pragmáticas de estratégias traçadas para vencer o jogo independentemente da forma. No campo, nós vimos um time diferente, mais pobre em termos de ideias e mais eficiente.

Mas nem sempre é preciso jogar bonito para ganhar títulos.