Richarlison: por que a sensação da Premier League não foi para o Palmeiras em 2017? Ele mesmo diz

No último domingo, o atacante Richarlison teve uma atuação de gala em sua estreia na Premier League pelo Everton. Ele fez os dois gols de sua equipe no empate por 2 a 2 com o Wolverhampton, pela 1ª rodada da competição, e dominou as manchetes na Inglaterra.

A cada bola na rede ou jogada de efeito da sensação do Campeonato Inglês, os torcedores do Palmeiras talvez se lembrem que o capixaba esteve muito (mas muito!) perto de jogar no Verdão em 2017 - e por um valor bem menor que os 45 milhões de libras (R$ 223 milhões) investidos pelo clube azul de Liverpool no brasileiro.

Tudo aconteceu pouco depois do início do Campeonato Brasileiro do ano passado, quando Richarlison estava "comendo a bola" pelo Fluminense.

À época, o Verdão havia acertado em maio o retorno do técnico Cuca, após a saída de Eduardo Baptista, e o "velho-novo" treinador alviverde pediu à diretoria a contratação de um reforço com características parecidas às de Gabriel Jesus, negociado com o Manchester City na virada de 2016 para 2017. O escolhido foi o jogador do Flu, que virou a prioridade palestrina.

O Palmeiras, então, partiu com tudo para tentar tirar o atacante das Laranjeiras, e chegou inclusive a um acerto com o atleta.

No entanto, a diretoria do clube carioca não gostou da maneira como a abordagem foi feita, e vetou a negociação. A relação entre as partes não era boa também porque o clube paulista estava de olho no meia Gustavo Scarpa.

Quem revelou os detalhes foi o próprio Richarlison, em uma entrevista ao ESPN.com.br em outubro de 2017.

"Os clubes abriram negociação, e todo mundo sabe que eu estava para ir para o Palmeiras, mesmo. Só que não houve entendimento entre os presidentes, e por isso não deu certo", disse, lembrando a falta de um acordo entre o tricolor Pedro Abad e o alviverde Maurício Galiotte - ambos ainda estão no poder.

Na época em que a contratação quase aconteceu, aliás, Richarlison chegou até a pedir para ficar de fora de um jogo contra o próprio Palmeiras, no Allianz Parque, e acabou tendo a requisição acatada pela diretoria do clube.

No duelo, os cariocas saíram derrotados por 3 a 1, pela 6ª rodada do Brasileiro, em 10 de junho.

Depois, o atleta acabaria reintegrado (apesar de muitas reclamações do presidente Pedro Abad contra o suposto assédio do Palmeiras ao jogador), ficando no Flu até 31 de julho, quando foi vendido ao Watford, da Inglaterra, e deu início à sua trajetória na Premier League.

O negócio foi selado por "apenas" R$ 46 milhões, valor ínfimo perto do que o Everton pagaria pouco depois pelo brasileiro.

"Isso (falta de acerto com o Palmeiras) jamais tirou meu foco. Continuei trabalhando firme como vocês viram. Fui fazendo gols e ajudando o Fluminense", salientou Richarlison.

O QUE O PALMEIRAS FEZ DEPOIS

O "não" do Flu por Richarlison, que depois seria selado com a saída do atacante para o Watford, fez o Palmeiras seguir se movimentando na busca de um "falso 9" para atender o desejo de Cuca.

A prioridade passou a ser Diego Souza, então no Sport, que vinha atuando inclusive nessa função com o técnico Tite, na seleção brasileira.

Novamente, o Verdão chegou a um acordo salarial com o atleta, que já havia passado pelo Palestra Itália, mas o "Leão" não quis vender seu principal jogador (e ídolo da torcida) em meio ao Campeonato Brasileiro.

Com isso, o diretor Alexandre Mattos foi ao exterior, com ajuda da patrocinadora Crefisa, e trouxe o atacante Deyverson, do Levante-ESP, por 5 milhões de euros (R$ 22,14 milhões, na cotação atual), com o atleta assinando por cinco anos.

O grandalhão nunca se firmou no Palestra Itália e passou por diversos momentos difíceis, ficando perto de ser emprestado ou negociado com outros clubes.

No entanto, recuperou a moral após a chegada do técnico Luiz Felipe Scolari e inclusive foi titular na vitória por 1 a 0 sobre o Vasco, no último domingo, pelo Campeonato Brasileiro. O gol da vitória foi do próprio camisa 16.