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Tirando o Barcelona, todos querem Mina em seu elenco; entenda por que

Contratado por 11,8 milhões de euros (cerca de R$50 milhões) após ótimos desempenhos com a camisa do Palmeiras, Yerry Mina, aos 23 anos de idade, chegou ao Barcelona para ser uma peça chave no processo de renovação de uma zaga que começa a enfrentar o envelhecimento.

No papel, o perfil do colombiano encaixaria perfeitamente com as pretensões e a cultura de futebol imposta pelo clube. Inteligente, com grande qualidade com a bola nos pés na saída de jogo e muito confiante, o defensor apresenta, em teoria, todos os requisitos necessários para brilhar com a camisa azul-grená. As movimentações feitas recentemente pelos comandantes do clube, entretanto, indicam o contrário.

Deixado de fora da pré-temporada da equipe culé nos Estados Unidos, Mina não deve fazer parte dos planos da comissão técnica para a atual campanha. Inclusive, a diretoria do Barcelona já está procurando possíveis interessados em comprá-lo - e não faltam candidatos.

Manchester United, Everton, Wolverhampton, Lyon, Fenerbahce, Zenit e até Boca Juniors já teriam contatado os agentes de Mina e os representantes do time catalão para entrarem num ''leilão'' pelo futebol do defensor - as quantias oferecidas variam entre 12 e 35 milhões de euros.

Em meio à esta realidade, nos cabe apenas ponderar: por que o Barcelona não acredita no seu potencial? Não valeria a pena esperar por seu desenvolvimento, já que seu auge deve vir apenas em 4-6 anos? O retorno técnico atual realmente não interessa?

É evidente que, pensando do lado financeiro, faria sentido que o Barcelona negociasse Mina neste momento, já que o atleta está em grande evidência após sua gigante atuação na Copa do Mundo. Um possível empréstimo estaria fora de cogitação, porque o potencial retorno monetário imediato seria muito benéfico e, ao que tudo indica, a comissão técnica não pretende investir em seu talento a longo prazo; logo, ou o venderiam agora, ou apostariam suas fichas o mantendo definitivamente.

Vale também ressaltar que, de fora, é difícil saber se Mina estaria satisfeito com o cenário iminente de permanecer grande parte da(s) próxima(s) temporada(s) esquentando o banco de reservas, e poderia estar pressionando Valverde ou por mais mais minutos em campo ou por sua transferência imediata.

Inicialmente, o camisa 24 é a quarta ou quinta opção para a zaga titular da equipe, atrás dos já consolidados Gerard Piqué e Samuel Umtiti, do constantemente lesionado (no momento, saudável) Thomas Vermaelen, e brigando de igual para igual com o brasileiro Marlon, ex-Fluminense, e o recém-adquirido Clément Lenglet, que foi contratado junto ao Sevilla com imensa expectativa de tornar-se um dos maiores zagueiros do mundo no futuro.

O ponto negativo da curta passagem de Mina pelo clube veio no último dia 13 de maio de 2018, quando o Barcelona enfrentou o Levante, fora de casa, na penúltima rodada do Campeonato Espanhol, buscando manter a impressionante sequência de invencibilidade no torneio, que durava até aquela partida. Contando com uma péssima performance do colombiano (e de todos jogadores do time que não se chamavam Philippe Coutinho) o já campeão da competição sofreu sua primeira derrota, por 5 a 4 - em certo momento da partida, chegou a estar perdendo por 5 a 1.

A má atuação somada com a frustração por ter chegado tão perto de alcançar o feito histórico fizeram com que a moral de Mina diminuísse, e muito, dentro do vestiário culé. A comissão técnica pode ter associado o fraco desempenho com uma falta de preparo psicológico em jogos que envolvem pressão, questionando a atitude do zagueiro.

Outro ponto de dúvida para quem tenta entender a situação de longe são os desempenhos nos treinamentos da equipe. Caso Mina se destacasse no dia-a-dia, é certo que o corpo técnico teria a confiança para investir no prospecto do jogador que ele se tornaria no futuro. Porém, este também não parece ser o caso, já que o ''pé atrás'' parece ser um sentimento definitivo entre os que integram os bastidores.

A exímia capacidade artilheira do zagueiro (foram oito gols marcados através de bola parada em sua passagem pelo Palmeiras, além de ter sido o artilheiro da seleção colombiana, com três tentos, na Copa do Mundo), apesar de ser uma característica carente nos últimos anos da equipe, parece não ser suficiente para sua permanência, já que as dúvidas em relação ao seu desempenho em disputas 1 x 1 e constante confusão em posicionamentos parecem ter prevalecido para o seu ''juízo final'' dentro do clube.

Com isso, sobram dois possíveis cenários para o Barcelona após sua negociação: ou se arrependem da decisão, podendo até recontratá-lo por mais dinheiro no futuro quando for um jogador estabelecido (caso similar ao dos retornos de Nemanja Matic ao Chelsea e Paul Pogba ao Manchester United, por exemplo), ou ficam com a sensação de dever cumprido após ter ido na contramão da opinião de diversos clubes, possivelmente tratando a prematura venda como benéfica no futuro.