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Campeão pelo Fla e indicado por Felipão ao Palmeiras, zagueiro curte vida em paraíso na Europa

A vida do zagueiro Fabrício Dornelles - campeão brasileiro pelo Flamengo em 2009 - não é nada monótona. Por ter morado em vários continentes diferentes, ele coleciona histórias quase inacreditáveis. Sua última aventura foi no Chipre, quando atuou por um ano pelo Omonia.

O país europeu banhado pelo Mar Mediterrâneo é conhecido pelas belas praias e muito procurado por turistas do mundo inteiro.

Por conta dos compromissos profissionais, porém, o brasileiro não conseguiu aproveitar as belezas naturais.

"Fui umas duas vezes no máximo nas praias. Estávamos treinando muito na época que dava para ir [no verão] por causa da pré-temporada. Depois, chegou o inverno e não consegui ir por causa do frio", disse o defensor, ao ESPN.com.br.

Além disso, o Chipre tem sítios arqueológicos como as ruínas do Santuário de Apolo. Fabrício gostou de viver no país europeu, onde o futebol ainda é emergente.

"Morar aqui foi muito bom! Me adaptei bastante e a principal diferença é a segurança, sem sombra de dúvidas. A torcida é bem fanática", contou.

Apesar de todo carinho recebido, o zagueiro resolveu mudar de clube. Ele acertou nesta semana para defender o Aktobe, do Cazaquistão.

CAMPEÃO BRASILEIRO E INDICADO POR FELIPÃO

Fabrício chegou ao Flamengo aos oito anos. Tratado como uma das maiores promessas da base, ele já treinava entre os profissionais com apenas 17.

Após ser emprestado para times como Paraná e Hoffenheim-ALE, ele retornou à Gávea, onde ajudou na conquista do Brasileiro de 2009.

"Minha estreia contra o Inter nós vencemos por 4 a 0 e foi muito marcante. Virar profissional era meu maior sonho porque vivi a infância e adolescência por lá. Ser campeão pelo seu time do coração foi a melhor sensação que tive na carreira", recordou.

No meio ano seguinte, ele foi emprestado ao Palmeiras por indicação de Luiz Felipe Scolari.

"Ele é um treinador que a carreira dispensa comentários. Joguei a maior parte dos jogos como lateral esquerdo, uma posição que era muito usado na base. Foi o primeiro clube que consegui jogar em sequência nessa posição", recordou.

No final do ano, o jogador não permaneceu no Palmeiras pois a Traffic, empresa que detinha os direitos do atleta, e a equipe alviverde não entraram em acordo. "Uma pena que as coisas não terem acontecidos de forma diferente para que pudesse ter ficado mais tempo. Mas foi bem marcante", lamentou.

Depois, Fabrício rodou por Cruzeiro, Atlético Paranaense, Vasco, Vitória e Fluminense. Nas Laranjeiras, ele passou por uma fase complicada após a equipe ser eliminada na Copa do Brasil de 2014 pelo América-RN no Maracanã.

O defensor ainda jogou pelo Bragantino antes de voltar à Europa para jogar pelo Partizan Belgrado, da Sérvia.

"A chance surgiu de forma repentina. Tive um ano bastante ruim no Flu na minha maneira de viver. Tive essa chance de dar a volta por cima no Partizan e joguei Europa League e playoff da Champions Legue. Consegui demonstrar que foi apenas uma fase no Flu", analisou.

"No futebol a experiência foi muito boa, mas não gostei muito de morar no país. Minha esposa e eu não conseguimos nos adaptar muito bem à cidade [Belgrado]. Lá o que me marcou muito foi o fanatismo da torcida", relatou.

ATACADO POR MACACOS NA TAILÂNDIA

Após uma temporada na Sérvia, o zagueiro foi no meio de 2016 à Tailândia para jogar pelo Muang Thong United, mas por causa de documentação ele nunca jogou.

"Infelizmente não tive a sorte de jogar por questão que até hoje não sei a razão (risos). Foi um país no qual passei férias remuneradas. Eu treinava todos os dias normalmente, fazia amistosos, porém, não podia jogar jogos oficiais", comentou.

Nos seis meses que viveu no país asiático, ele passou apuros com os animais locais.

"Foi um paraíso, um lugar realmente encantador. Mas uma vez fui com minha esposa para as ilhas de Phi Phi, e lá tem uma praia que vivem macacos selvagens. Eu tomei uma correria deles e passei uma vergonha gigantesca".

Após um amigo de Fabrício mexer com um macaco, que estava em cima de um galho, o zagueiro sentiu a fúria dos amigos do bicho.

"Simplesmente todos os macacos da praia resolveram me atacar, e eu grandão desse jeito corri dos macacos para dentro da água para pode escapar. Minha esposa dá risadas até hoje dessa história", recordou.

VOLTA À EUROPA

Após o período sem jogar, ele foi para o Astra Giurgiu-ROM. Na equipe romena, o zagueiro teve a chance de disputar os playoffs da Uefa Champions League e atuar na fase de grupos da Liga Europa.

"Tive uma vida muito boa e foi uma experiência única. Foi incrível entrar em campo com aquele hino da Liga dos Campeões. Mais um sonho que tive a oportunidade de realizar".

Após fazer 35 partidas e anotar um gol pelo clube romeno, o brasileiro se transferiu ao Omonia, do Chipre, no meio de 2017.

"O treinador [Pambos Christodoulou] me acompanhava na Romênia e me procurou logo ao fim da temporada para fazer parte do grupo dele aqui neste ano".

Indo para seu sexto país diferente e o 15º clube na carreira, o zagueiro acredita que ganhou muita experiência com a "vida cigana".

"Eu tive diversas lições e acho que a maior foi aprender a valorizar mais minha família e meus amigos, que sempre estão comigo em todos os momentos", finalizou.