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Dispensado no Palmeiras, ele passou até fome. Hoje, quer renascer em Minas Gerais

João Vitor ainda não completou 20 anos, mas já conheceu várias facetas do futebol brasileiro. O volante, que chegou a ser parceiro de Gabriel Jesus no Palmeiras, enfrentou neste ano grandes dificuldades no interior de Minas Gerais.

Após começar em uma escolinha em São Paulo, ele foi para as categorias de base do Audax-SP.

“Foi lá que eu comecei a entender o futebol e ver que teria uma carreira. Consegui desenvolver meu jogo”, disse o jogador, atualmente na Caldense-MG, ao ESPN.com.br.

Aos 15 anos, o garoto chamou atenção do Palmeiras, que o contratou. “No começo eu recusei, mas eles insistiram e fui para lá. Foi muito bom e treinei algumas vezes com os profissionais”, recordou.

No clube alviverde, ele jogou ao lado de Gabriel Jesus, atualmente astro da seleção brasileira e do Manchester City.

“Ele sempre foi muito determinado, esforçado e trabalhador. É um cara que merece tudo de bom que está acontecendo na vida dele. Uma história engraçada é que nos treinos a gente sempre contava quando dava ‘rolinho’ um no outro. E antes dele ir embora ele perdeu por 2 a 1 (risos). Sou fã dele”, garantiu.

Além disso, chegou a jogar competições nacionais e até mesmo fora do Brasil pelo Palmeiras. Após chegar ao time Sub-20, o volante tinha esperança de permanecer na equipe paulista, mas acabou frustrado.

“Ano passado eles falaram que iam assinar um contrato profissional. Mas isso não se concretizou e fui mandado embora. A forma como saí me deixou chateado, mas não foi algo que mexeu tanto comigo”.

João ficou dois meses desempregado antes acertar com a Ferroviária-SP para jogar a Copa Sã Paulo de futebol júnior deste ano. A equipe acabou eliminada nos pênaltis pelo Batatais na segunda fase do torneio.

“Era um time bom, mas resolvi não voltar porque tinham algumas questões que não eram favoráveis. Saí porque estava com dois meses de salários atrasados”, contou.

O garoto se viu sem clube outra vez e cogitou até trabalhar em outras áreas, mas logo recebeu uma nova oferta para voltar ao futebol.“Ficava treinando sozinho e um dia meu telefone tocou. Era um convite do Poços de Caldas e aceitei”, afirmou.

João foi jogar a Segunda Divisão do Campeonato Mineiro (na prática a terceira divisão). Sem patrocínios, a equipe enfrentou uma grave crise financeira e quase abandonou a competição.

“Aqui passamos muitas dificuldades, fiquei cinco meses sem receber salário. Posso te dizer que teve dias que a gente começou a passar fome. Chegamos a ficar dois dias sem água, sem energia em alguns dias. Chegamos a não treinar durante quase uma semana por falta de transporte. Foi uma luta”, lamentou.

Mesmo sem as condições ideais, o Poços de Caldas ficou na quarta posição do torneio com 30 pontos, três a menos do que o Democrata de Sete Lagoas, que conseguiu o acesso ao módulo II do Mineiro.

“Eu fui bem em alguns jogos e me destaquei. No meio de tantas dificuldades apareceu uma coisa boa. A Caldense-MG gostou de mim e me contratou até o fim do Mineiro de 2018”, relatou.

Com a esperança renovada, João Vitor espera aproveitara a chance para projetar sua carreira jogando o Estadual da 1ª Divisão.

"É um time muito bom e fui muito bem recebido pelo elenco. Os treinamentos são intensos e tenho aprendido com os jogadores mais experientes. Estou vendo a diferença entre jogar na base e o profissional. Acredito que vai ser uma temporada muito boa por aqui", finalizou.