O Belgrano escreveu neste domingo (24) o capítulo mais importante de sua história ao conquistar o Torneo Apertura do Campeonato Argentino pela primeira vez. Em uma final dramática disputada no estádio Mario Alberto Kempes, em Córdoba, a equipe venceu o River Plate por 3 a 2, com dois gols nos minutos finais, e ainda reviveu um dos maiores fantasmas da história recente do clube de Buenos Aires.
O título inédito da primeira divisão argentina também garantiu ao Belgrano vaga na CONMEBOL Libertadores de 2027 e no Trofeo de Campeones, torneio que reúne os vencedores do Apertura e Clausura. Além da conquista, o clube de Córdoba ainda faturou a premiação de aproximadamente R$ 1,2 milhão.
A decisão carregava um peso emocional por conta do passado entre os clubes. Foi justamente diante do Belgrano que o River Plate sofreu o traumático rebaixamento para a segunda divisão argentina em 2011, considerado um dos episódios mais marcantes da história do futebol do país.
A imprensa argentina relembrou o confronto durante toda a semana, tratando a final como uma oportunidade para o River “exorcizar” aquele trauma. O cenário parecia caminhar para isso durante boa parte da decisão, mas o roteiro acabou sendo cruel novamente para os milionários.
O jogo
O jogo começou movimentado, e o River abriu o placar aos 18 minutos do primeiro tempo. Após lançamento vindo de trás do meio-campo, Acuña dominou com categoria e acionou Galván pela esquerda. O atacante invadiu a área e rolou para Colidio completar para o fundo das redes.
O Belgrano respondeu rapidamente. Aos 25, após cobrança de escanteio, Morales desviou na primeira trave e venceu o goleiro Beltrán para deixar tudo igual e incendiar a torcida em Córdoba.
Na volta do intervalo, o River retomou o controle da partida e voltou a ficar à frente no placar aos 14. Colidio encontrou belo passe para Galván, que ganhou do marcador na velocidade e bateu cruzado para fazer 2 a 1.
Com a vantagem, o River passou a administrar o resultado e diminuiu o ritmo ofensivo, permitindo que o Belgrano crescesse nos minutos finais. A pressão aumentou até que, aos 37, o árbitro marcou pênalti após revisão do VAR por toque de mão de Rivero dentro da área. Fernández cobrou e empatou novamente a decisão.
O golpe final veio cinco minutos depois. Tentando sair jogando sob pressão, o River perdeu a posse de bola na intermediária e praticamente entregou o ataque ao adversário. A bola sobrou novamente para Fernández, que finalizou mascado, mas viu a bola morrer no fundo das redes para decretar a virada do Belgrano aos 42 do segundo tempo.
Nos acréscimos, o River Plate se lançou completamente ao ataque em busca do empate, pressionou em sequência e chegou a assustar em bolas alçadas na área, mas o Belgrano resistiu até o apito final para confirmar mais um "travessura" diante do gigante argentino.
