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Morte do avô quase fez ídolo do Corinthians perder a final da Libertadores; 'calar' a Bombonera foi homenagem

Titular absoluto e segundo colocado na lista de zagueiros com mais gols na história do clube, Chicão atravessou um problema inesperado quando viajava à Argentina com a morte do avô, Seu Messias


O Corinthians está às vésperas de comemorar uma década do título que por anos foi a grande obsessão de muitos alvinegros: a Conmebol Libertadores. A conquista em 04 de julho de 2012 consagrou uma geração de jogadores que entraram para a história do clube e para o coração dos torcedores.

O que poucas pessoas sabem, no entanto, é que um dos ídolos daquela conquista poderia ser um desfalque de última hora justamente em um dos momentos mais delicados da campanha: a primeira partida da final, quando o Timão visitou o Boca Juniors em La Bombonera.

Titular absoluto e segundo colocado na lista de zagueiros com mais gols na história do clube, Chicão atravessou um problema inesperado quando viajava à Argentina com a morte do avô, Seu Messias. A notícia fez o defensor considerar retornar ao Brasil antes mesmo da partida.

A decisão, no entanto, foi diferente: dedicar o duelo para progenitor, torcedor do clube.

“Passei por uma situação que meu avô faleceu quando estava chegando na Argentina, na noite da segunda-feira. Recebi mais de 65 ligações. Contei para poucas pessoas. Não sabia se voltava para o Brasil, mas decidi ficar porque era o momento de dar esse presente para ele. Se voltasse, não conseguira chegar a tempo para o velório e perderia o jogo. Por tudo que ele me acompanhou, fiz questão de estar no jogo para retribuir”, contou Chicão à ESPN, lembrando detalhes do empate em 1 a 1 na Bombonera.

“Se você não está emocionalmente preparado, você não joga. Dentro do jogo eu tentei o máximo possível esquecer tudo que tinha acontecido, a responsabilidade era muito grande. Estava representando 35 milhões de torcedores, incluindo o meu avô. Acho que foi uma história de superação”.

“Por causa disso eu me fechei. Coloquei meu fone de ouvido ouvindo música, concentrado para o jogo. Era um ritual meu para ficar concentrado para o jogo. A única coisa que escutava era os torcedores argentinos cantando”.

Com o empate conquistado em Buenos Aires, o Corinthians contou com o apoio de quase 38 mil pessoas no Estádio do Pacaembu para vencer o Boca Juniors por 2 a 0, faturando o inédito título da Conmebol Libertadores. Dez anos depois, a memória da comemoração após erguer a taça ainda segue viva para o ex-zagueiro, que atuou pelo clube entre 2008 e 2013.

“Nós fomos para o Anhembi levar o troféu para a torcida. Depois eu fui para a casa do Danilo virando a noite. Passamos o dia com uma dupla sertaneja comemorando. Aproveitei ao máximo porque meus pais estavam, e comemorei com quem estava lado a lado no começo”.

“Eu brinco que comemoro até hoje. Você é lembrado por isso. Saio na rua e só vejo torcedor me agradecer. Sou aplaudido pela torcida na Neo Química Arena, só tenho que comemorar. A cada ano fica mais gostoso, comemoro todo ano. É uma data que jamais vou esquecer”.

Chicão foi titular do Corinthians na campanha do título inédito na Conmebol Libertadores em 2012. O ex-zagueiro disputou 247 partidas e marcou 42 gols. Além do torneio continental, o defensor faturou pelo clube uma Série B (2008), uma Copa do Brasil (2009), um Paulistão (2009), um Campeonato Brasileiro (2011), um Mundial de Clubes da Fifa (2012) e uma taça da Recopa Sul-Americana (2013).