<
>

Vítor Pereira desabafa sobre futebol no Brasil, fala em ser 'Professor Pardal' contra o Boca e confessa: 'Já ando confundindo as equipes'

Técnico do Corinthians disse que ainda está se adaptando à realidade do futebol brasileiro e brincou sobre precisar ser como 'Professor Pardal' para armar o time para as partidas


Na próxima terça-feira (28), a partir das 21h30, o Corinthians volta a campo na Neo Química Arena e recebe o Boca Juniors, pelo jogo de ida das oitavas de final da Conmebol Libertadores. E apesar da proximidade da partida, o técnico Vítor Pereira foi sincero ao justificar por que se preocupa muito mais com a sua equipe do que com o Xeneize: o fato de não saber sequer quais jogadores poderá contar para o compromisso.

Após o empate por 0 a 0 com o Santos, neste último sábado (25), em Itaquera, pelo Brasileirão, o técnico português deu uma entrevista 'sem papas na língua' e admitiu que ainda está se adaptando à realidade do futebol brasileiro. O comandante alvinegro inclusive brincou e disse que, no Brasil, de fato precisa ser como 'Professor Pardal' na hora de preparar o Timão para os seus compromissos.

"Eu já tenho o Boca na cabeça. Nós acabamos de jogar hoje, e daqui vamos ter um treino de recuperação amanhã (domingo), no dia seguinte os que jogaram ainda estão se recuperando, e no dia a seguir já estamos aqui (na Arena) para jogar outra vez. Quando não temos que viajar. Portanto, têm surgido lesões, não só na nossa equipe, em todas as equipes. Todos os clubes estão com uma série de jogadores lesionados porque isso é desumano. Eu já joguei Champions League, Europa League, só que não era com essa regularidade, com essa densidade de jogos que não permite sequer", começou por dizer.

"Eu, às vezes, já ando até confundindo as equipes, estou com o nome de um jogador na cabeça, pensando na equipe seguinte, e afinal não é da equipe que vamos jogar agora, e às vezes já misturo umas coisas com as outras. Por quê? Porque eu também preciso descansar um pouquinho, sair um pouquinho disso, mas não dá, não temos possibilidade. É a nossa vida. Esta é uma realidade, é a tal da adaptação. Estou me adaptando e os clubes também, porque este ano ainda compactamos mais este calendário", prosseguiu.

Perguntado sobre a possível escalação para a partida contra os argentinos, Vítor Pereira disse que já fez alguns testes no clássico de domingo contra o Santos, já pensando em alternativas para o compromisso de terça, e brincou.

"Lá estou eu inventando outra vez, depois me chamam de Professor Pardal (risos). Aqui eu tenho que ser Professor Pardal, eu sou obrigado mesmo a inventar. Hoje, colocamos o Piton porque vamos ver se o Piton, jogando por dentro, consegue nos dar alguma coisa. Foi mais um teste para ver se dava ou se não dava. Vamos imaginar que o Renato (Augusto) não volta, comecem a escrever, que eu vou começar a imaginar sem o Cantillo. Portanto, sem o Maycon, sem o Paulinho, vamos ver. Tenho é que inventar. Por acaso eu gostava da bandazinha do professor Pardal, era engraçada. Nunca me imaginei que me chamariam de Professor Pardal no futebol, tive que vir para o Brasil para ser chamado (risos)", disse.

"Eu, primeiro, vou ter que definir a equipe. Não é fácil. Vou ter que virar Professor Pardal outra vez, pensar um pouquinho e ver o que podemos fazer. A intenção é sempre a mesma: ter a bola, atacar, reagir com agressividade à perda de bola. Não há dúvida nenhuma, quando os protagonistas (jogadores) mudam, ou temos mais qualidade ou temos menos qualidade. À medida que nos vão tirando qualidade, o jogo vai ficando diferente, mas isso não é novidade nenhuma. Se tivermos jogadores menos técnicos, o jogo se altera e, provavelmente, a intenção pode ser a mesma, mas o jogo, no fim, vai dar um jogo, o resultado da ligação entre eles", prosseguiu.

"Eu vou confessar um coisa: estou muito mais preocupado com a minha equipe neste momento do que com à do Boca Juniors. Apesar de reconhecer no Boca qualidade, eu acho que eles estão mais fortes agora, têm mais soluções, mas o que preocupa neste momento, sinceramente, é entender quem são os jogadores que terei disponíveis para enfrentar o Boca. Depois, em função dos jogadores, terei que ouvir minha comissão técnica, imaginar, se tivermos determinador jogadores disponíveis podemos abordar o jogo de uma forma, não tendo, teremos que abordar de outra forma. Não é a forma que eu quero, mas é a forma possível. Vamos ter que analisar. O conhecimento mútuo é uma vantagem, já ter jogado lá uma vez (contra o Boca), ter entendido o ambiente que se cria, aí posso preparar melhor a equipe, do ponto de vista emocional, para uma abordagem diferente do jogo. Depende muito dos ovos, vamos ver que tipo de omelete é possível fazer para este jogo. Não sei quais jogadores vão estar disponíveis, vamos ter que aguardar", finalizou.

Após a partida de terça-feira, Corinthians e Boca Juniors voltam a se enfrentar no dia 5 de julho, em La Bombonera, pelo confronto decisivo das oitavas de final. Vale lembrar que qualquer empate no placar leva a definição para os pênaltis.