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Lateral que estreou estreou na seleção em semifinal de Copa conta bastidores de 1998 e fala da convulsão de Ronaldo: 'Fiquei com medo e nem entrei'

Questão envolvendo Ronaldo foi polêmica antes da grande decisão contra a França


Uma das grandes polêmicas da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1998 foi a convocação do lateral Zé Carlos. Reserva de Cafu, o jogador teve que entrar em campo na semifinal contra a Holanda por conta da suspensão do titular. E falou sobre a aparição em entrevista ao podcast PodCopa.

Com atuação somente em um amistoso contra o Athletic Bilbao, o lateral fez sua estreia oficial pela seleção naquela partida. “Já tinha sido convocado uma ou duas vezes, mas sempre fiquei no banco. Vestia a camisa, mas não jogava. Quando acabou o jogo [contra a Dinamarca, nas quartas de final], Zagallo falou para mim: 'Se prepara que você vai jogar”

“Eu sabia da minha condição, mas não estava no meu normal fisicamente. Acabei o Campeonato Paulista voando, dia 10 de maio fomos campeões paulistas, dia 13 perdemos para o Vasco em São Januário. Aí joguei 15 minutos no amistoso com o Bilbao só, para participar. Não era uma fria, estava sujeito a isso, a gente se prepara para isso. Mas, por melhor que tivesse, estava 53 ou 52 dias sem jogar um jogo. É muito tempo para um atleta, ainda mais para jogar uma semifinal de Copa, que é outro ritmo, outra pegada. Não foi peso de camisa, até porque sempre tive personalidade”, disse.

“Cheguei da Matonense no São Paulo e não saí mais. Era aquela preocupação que, se eu atacasse, não ia conseguir marcar. E tinha o Zenden, então era aquilo de não ir muito. Seleção não pode treinar mais. Pedi para o (Paulo) Paixão uma vez, falei que queria treinar, não queria sair com o grupo. E ele falou que eu não podia. 'Se você se machuca, vai você e eu mandados embora'. No clube é diferente, consegue fazer amistoso, treinar à tarde. Na seleção, quem não joga está sempre abaixo”, completou.

Outra polêmica naquela campanha foi a convulsão de Ronaldo na véspera da decisão contra a França, e Zé Carlos esteve próximo do ocorrido. “Fui praticamente o primeiro a saber, porque estava no quarto com o César Sampaio. Ele já correu e baixou na frente dele. Tava saindo uns sons estranhos da boca dele (Ronaldo)”.

“Eu fiquei com medo, praticamente nem entrei, fiquei na porta. Logo veio o médico, pessoal chegou em questão de segundos. Roberto Carlos estava no quarto com ele, saiu gritando, pedindo ajuda, e ali eu já vi a situação toda do Ronaldo na cama. Logo tivemos que sair, fomos para o café, Ronaldo não lembrava de nada, depois foi para o hospital. Isso era 4 ou 5 horas antes do jogo”, afirmou, antes de falar sobre a escalação dele como titular.

“Fiquei surpreso, porque já tinha todo mundo assinado a súmula, rasuraram e fizeram outra. Ele chegou, lembro como se fosse hoje: estava com a bolsinha dele, falou que queria jogar, que não tinha nada nos exames. Comissão reuniu no canto e resolveu colocar ele. Mas ninguém ia colocar a vida em risco”, acrescentou.

Zé Carlos ainda negou que o ocorrido com Ronaldo tenha atrapalhado a equipe na decisão. “Brasil classificou bem contra a Holanda, comentário da época era que um dos dois ia ser campeão. A França classificou meio que capengando, meio que no inesperado, então ficou expectativa muito grande”.

“Não vejo que o Brasil perdeu por causa do Ronaldo, isso é meu ponto de vista. O foco é a partida, Ronaldo ali já estava bem. Brasil perdeu porque não estava bem, a França jogou melhor e mereceu o resultado. Brasil era favorito? Era, mas fora de campo. Dentro são 11 contra 11 e o Brasil não fez por merecer”, finalizou.