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Presidente do Santos revela tentativa de manipulação de resultado em jogo do clube no Brasileiro feminino e aciona CBF

Presidente do Santos revelou que um funcionário do clube foi demitido


Andrés Rueda, presidente do Santos, revelou em entrevista coletiva nesta segunda-feira (20) que um funcionário do departamento de futebol feminino do clube tentou subornar uma jogadora do Bragantino em um jogo do Campeonato Brasileiro Feminino. O acusado, que não teve o nome revelado pelo dirigente, foi demitido. Segundo apurou a reportagem, é o preparador de goleiras Fabrício de Paula.

"A gente teve um fato lamentável comprovadamente nesse fim de semana, que talvez seja a cabeça de um iceberg do que está acontecendo no nosso futebol. Um funcionário do nosso clube, do futebol feminino, utilizando-se de um intermediário do Bragantino, tentou subornar uma jogadora do Bragantino para arranjar um resultado elástico já no primeiro tempo do jogo para efeito de apostas", disse o mandatário.

Além do agora ex-funcionário do Santos, o intermediário do Braga também foi demitido pelo clube do interior, que já estava rebaixado no Brasileiro. A partida terminou empatada em 1 a 1.

"A alegação é de que o Bragantino já estava eliminado. A jogadora prontamente recusou a proposta e comunicou seus superiores, que têm uma relação muito forte com o Tiago (Scuro, CEO do Red Bull Bragantino), apresentando inclusive provas materiais, prints de conversas", explicou Rueda.

"Tão logo chegou ao nosso conhecimento, junto com o Tiago, que é o presidente do Bragantino, a gente tomou algumas providências. Providências que tomamos de imediato: demissão por justa causa de todos os envolvidos. Oficiamos imediatamente a CBF, colocando as provas, os prints. Tem uma passagem inclusive do início do jogo, um negócio no mínimo esquisito, um funcionário dando supostamente um envelope para a quarta árbitra na frente da juíza, que tem de ser investigado. Avisamos a CBF. Abrimos um BO para apuração criminal dos fatos e estamos preparando todo um material para encaminhar para o Ministério Público. Não ficaremos contentes enquanto não apurarmos toda a podridão", disse.

"Isso nos fez pensar para onde está indo nosso futebol. A gente pede investigação em todas as séries do futebol brasileiro para apurar se os erros são erros. Eu sempre falo que errar e acertar faz parte da vida, mas quando um erro deixa de ser um erro fica complicado. É uma situação muito grave para o futebol".

Rueda também citou que o funcionário do Santos deu um envelope fechado à quarta árbitra da partida, Adeli Mara Monteiro, na frente da juíza Marianna Nanni Batalha.

"Estão nas imagens, a transmissão mostrou [a quarta árbitra recebendo o envelope]. Eu peço apuração dos fatos, só isso. É estranho, a árbitra recebeu o envelope e guardou no bolso. O resto apresentamos aos meios competentes. Prefiro me abster de mais informações", disse.

Segundo apurou a reportagem, o presidente do Santos precisará fazer na Justiça Desportiva uma notícia de infração para a procuradoria do STJD para que seja feita a denúncia e um inquérito seja aberto. No âmbito judicial, deverá ser feita uma queixa crime de violação contra o estatuto do torcedor.

O Bragantino se manisfetou por meio de uma nota oficial:

O Red Bull Bragantino vem a público para, infelizmente, confirmar as alegações de assédio a uma das nossas jogadoras antes da partida contra o Santos, pelo Brasileirão Feminino.

A atleta da nossa equipe foi contatada, por meio de mensagens, com uma proposta de suborno para combinação de determinado resultado.

A jogadora prontamente recusou e informou aos superiores, que se certificaram em manter a lisura do jogo e encaminharam a denúncia a nossa diretoria.

Assim que cientes, tomamos todas as medidas internas, entramos em contato com o Santos para apresentar as provas do acontecido, e os dois clubes entregaram o material às autoridades competentes.

Lamentamos que esse tipo de assédio aconteça em nosso futebol e vamos trabalhar para coibir qualquer atitude que manche a integridade do esporte.

Acusado de suborno, preparador de goleiras demitido pelo Santos rebate: 'Nem ouviram meu lado'

A defesa de Fabrício de Paula enviou um comunicado oficial à reportagem da ESPN após a publicação da reportagem. Leia o texto na íntegra:

NOTA OFICIAL PELA DEFESA DO PROFISSIONAL

O Preparador de goleiras Fabrício de Paula vem por meio de seu advogado, Higor Marcelo Maffei Bellini, esclarecer os seguintes pontos em razão dos pronunciamentos efetuados pelos presidentes de Santos Futebol Clube e Red Bull Bragantino por meio da imprensa, na data desta segunda-feira (20 de junho de 2022):

A defesa do profissional assegura que o mesmo foi injustamente acusado de suborno, seja pela atleta ou seja pelos clubes, tendo sido, inclusive, demitido por Justa Causa sem mesmo que tivesse a chance de se defender e de se explicar ao empregador.

A defesa do sr. Fabrício, entretanto, reitera que o profissional não possui qualquer ligação com sites de apostas, jogos de azar ou coisas correlatas. Portanto, quaisquer insinuações nesse sentido são meras especulações, sem fundamento algum, que podem ter sido cogitadas, inclusive, possivelmente por um erro de interpretação - pois, de fato, Fabrício tentou contatar a atleta do time adversário em questão, mas por motivos completamente diferentes (que serão explicados detalhadamente nos tópicos a seguir).

O que houve é que, como é comum no meio do futebol, o sr. Fabricio foi ao hotel onde estava o Red Bull Bragantino para encontrar com um amigo que trabalhava naquela equipe. Nada incomum, afinal, para quem conhece os bastidores do futebol, é natural que membros de comissão-técnica rivais mantenham contato direto (como em qualquer outra profissão, ter amigos em empresas concorrentes).

Durante esta conversa do senhor Fabrício com este profissional do Red Bull Bragantino, foi falado que a goleira era uma ótima profissional e, apesar da campanha do time não ser das melhores, ele entendia que a atleta é uma profissional de alta qualidade e, portanto, tinha interesse de contatá-la para atura com ele, nada demais. Tendo sido inclusive pedido o contato do intermediário da atleta, para poder falar com ele.

Vale ressaltar e enfatizar ainda que a conversa em questão, aconteceu no salão do hotel, a vista de todos os presentes (fossem hospedes comuns do hotel ou ainda integrantes da equipe do Red Bull Bragantino). Então, desta forma, foi, sim, solicitado o contato da goleira, após uma conversa presencial, para terminar o diálogo.

A defesa do profissional ressalta que quando da apresentação das suas conversas via aplicativo de mensagem, em juízo, ficará comprovado que nada de anormal, existiu. E que ainda a mensagem foi mal interpretada, já que a atleta não entendeu que a intenção era a contratar como profissional.

Desta forma, quanto a este 'dossiê' enviado pelos próprios clubes envolvidos à CBF (Confederação Brasileira de Futebol), segundo o que foi veiculado, a defesa do sr. Fabrício tem total convicção de que a verdade será trazida à luz e tudo será esclarecido da melhor forma. Sendo provada a sua inocência no curso do processo a ser movido, pelo Senhor Fabricio.

Há de se esclarecer e rebater ainda que foi aventada uma hipótese de que o preparador de goleiros, durante a partida em questão (Santos 1x1 Bragantino), teria entregue um "envelope" à quarta árbitra da partida quarta árbitra, Adeli Mara Monteiro, na presença da juíza, Marianna Nanni Batalha.

De fato, foi entregue, mas era uma simples capa de chuva; portanto, não se sabe de onde foi tirada essa absurda associação ao lamentável episódio de acusação de suborno. A defesa ressaltada ainda que, na própria súmula da partida (documento oficial da CBF), não há relato de nenhuma ocorrência em especial.

Entretanto, para aqueles que veem o sr. Fabrício entregando a capa de chuva durante a partida após terem lido seu nome em matérias associado (mesmo que injustamente), automaticamente associam o trecho do vídeo a um suposto episódio de má fé; o que, definitivamente, não houve e as imagens falam por si só. Motivando assim os processos judiais a serem apresentados.

Tanto a defesa do sr. Fabrício como o próprio profissional lamentam a forma com que as agremiações conduziram a situação, de forma precipitada e leviana, sem mesmo ouvir o lado do preparador de goleiras, o que culminou em uma demissão por Justa Causa, trazendo prejuízos ao profissional, principalmente à sua imagem, agora maculada e que certamente o prejudicarão no mercado do futebol.

Por isso, serão tomadas todas as medias judiciais, sejam as trabalhistas, civis e criminais contra todos os envolvidos que ofenderam a honra e a moral do sr. Fabrício, visando reparar os danos causados.