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Gestão temerária, nepotismo e até distribuição de kit de cosméticos: ex-vice vai à Justiça e pede destituição de presidente da CBF

Gustavo Feijó foi à Justiça e pediu destituição de Ednaldo Rodrigues, atual presidente da CBF


Ex-vice-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Gustavo Feijó foi à Justiça na última quinta-feira (26) e entrou com pedido de destituição de Ednaldo Rodrigues, atual presidente da Confederação.

Na ação, à qual a ESPN teve acesso, Feijó faz uma verdadeira chuva de acusações contra Ednaldo, que, após assumir interinamente depois da saída de Rogério Caboclo, foi eleito em março deste ano como mandatário da organização até 2026.

O ex-vice alega que Rodrigues comete gestão temerária à frente da CBF, inclusive com acusação de aumento do próprio salário de forma irregular.

Feijó ainda fala em nepotismo, dano patrimonial, tomada de decisões de forma arbitrária e até distribuição de brindes, que vão de carros a kit de cosméticos, feita de forma irregular e com "motivos eleitoreiros".

Com isso, o ex-dirigente e seus advogados pedem tutela de urgência e afastamento imediato de Ednaldo Rodrigues .

"Considerando que tais atos foram praticados pelo acionado enquanto presidente da CBF, percebe-se que todos os ilícitos ocorreram em menos de um ano de exercício do cargo, fato que demonstra a invariável e urgente necessidade de sustar esse modus operandi temerário de gestão que em tão pouco tempo já causou diversas irregularidades", escreveram os representantes de Feijó, na petição.

"Sendo assim, o caso reclama o imediato afastamento do acionado de todas as suas funções da Presidência da Confederação Brasileira de Futebol até que esta ação seja definitivamente julgada", acrescentaram.

Procurada pela reportagem, a CBF ainda não se manifestou sobre o tema.

Caso a entidade envie um posicionamento, essa reportagem será atualizada.

Veja as principais acusações feitas por Gustavo Feijó

Indicação de Gabriel Brandt

Feijó afirma que Ednaldo, ainda como presidente interino da CBF, apontou Gabriel Brandt como representante da Confederação nas competições da Conmebol (Confederação Sul-Americana de Futebol) em 2022. D

e acordo com o ex-vice, porém, isso seria irregular, imoral e antiético, já que Gabriel é casado com a filha de Ednaldo, Rafaela, sendo, portanto, genro do mandatário - o que caracteriza vantagem indevida.

Aumento do próprio salário

Feijó alega que Ednaldo aumentou o próprio salário e o de outros cartolas da CBF "sem a devida observância das regras estatutárias para tanto". O ex-vice salienta que os aumentos foram de mais de 400%.

"Esses reajustes elevaram significativamente os valores percebidos, havendo um salto para mais do que o dobro dos valores anteriores, inclusive, com o objetivo de aumentar o seu poder de mando dentro da instituição, de forma a ilegitimamente se perpetuar no cargo", escreveu.

Distribuição de carros

Feijó afirma que a CBF recebeu uma série de veículos da Fiat, após firmar contrato de patrocínio com a montadora, e acusa Ednaldo de ter feito "distribuição massiva" da frota "às entidades filiadas componentes do colégio eleitoral".

O ex-dirigente reclama que isso foi feito "às vésperas da eleição" presidencial da CBF e "sem justificativa relevante".

Contratação de clínica

Feijó diz que Ednaldo contratou uma clínica médica pertencente ao filho do Presidente da Federação de Futebol de Roraima, Zeca Xaud, "com o objetivo de prestar serviços médicos ambulatoriais a profissionais de futebol na cidade de Boa Vista, no valor mensal de R$ 30.000,00, o que constitui prática vedada pela Lei Pelé e Estatuto da CBF".

"O fato sob análise é gravíssimo, já que beneficia diretamente um Presidente de Federação e, portanto, membro da Assembleia Geral da CBF, que é o maior órgão deliberativo (poder máximo da entidade), responsável, inclusive, por fixar as regras eleitorais, além de o beneficiado possuir direito a voto na eleição para os cargos da Presidência e Conselho Fiscal da CBF. É um ato ilegal, com tríplice benefício para o Sr. Ednaldo", escreveu.

Distribuição de kits de cosméticos

Feijó afirma que Rafaela, filha de Ednaldo, é diretora de venda de empresa de cosméticos Mary Kay. Ela teria sido responsável por "fornecer onerosamente" à CBF diversos kits contando hidratantes, maquiagens e outros itens em datas comemorativas, com tudo sendo registrado nas redes sociais da própria empresária.

"Isso permite concluir que a entidade celebrou contrato de aquisição de produtos com a filha de seu presidente, em absoluta contrariedade à disciplina legal, estatutária e do Código de Ética", salientou o ex-vice.

Contrato das placas da Supercopa do Brasil

Feijó acusa Ednaldo de ter cometido "dano patrimonial" à CBF ao aceitar um contrato de patrocínio de placas de publicidade para a Supercopa do Brasil 2022 no valor de R$ 2 milhões com a empresa SPORTS HUB SERVIÇOS EM ESPORTE LTDA, quando, de acordo com o ex-vice, havia outra proposta, muito superior, no valor de R$ 6 milhões.

"Essa oferta foi totalmente desconsiderada pelo Sr. Ednaldo", reclamou Feijó.

Não realização de reuniões

Feijó afirma que Ednaldo não está realizando "as reuniões de diretorias", e também fala em "ausência de publicização dos atos de gestão, notadamente, financeira e fiscal".

"Significa que o Sr. Ednaldo Rodrigues vem decidindo sobre as mais variadas matérias de forma arbitrária e individual, solapando a competência estatutária da diretoria", segundo o ex-vice.

Nomeações irregulares

Feijó assegura que Ednaldo é responsável por "nomeação de diretores para diretorias inexistentes, isto é, que não se encontram previstas no Estatuto da CBF".

Gestão temerária

Feijó diz que Ednaldo "não realizou nenhum tipo de pesquisa de preços e não submeteu as contratações efetivadas na sua gestão à Comissão de Finanças, Orçamento e Patrocínio" da CBF.