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Perícia consultada pelo Corinthians afirma que Rafael Ramos não cometeu injúria racial contra Edenilson

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Rafael Ramos diz que está 'de consciência limpa': 'Foi um mal entendido entre eu e Edenílson' (0:48)

Lateral do Corinthians falou sobre as acusações de injúria racial que sofreu (0:48)

Documento assinado nesta sexta-feira por perícia consultada pelo Corinthians não aponta ofensa racista do lateral Rafael Ramos


Uma perícia independente consultada pelo Corinthians concluiu nesta sexta-feira que o lateral alvinegro Rafael Ramos não cometeu injúria racial contra Edenilson. O laudo feito pelo Centro de Perícias Curitiba afirma que a palavra dita pelo atleta não foi ‘macaco’, e sim o palavrão ‘cara***’.

Na partida entre Internacional e Corinthians, no último sábado, Edenilson acusou Rafael Ramos de ter proferido uma ofensa racista aos 30 minutos do segundo tempo.

De acordo com o documento assinado pela perícia independente consultada pelo Corinthians, o diálogo foi o seguinte:

  • Rafael Ramos: “Eiii... Cê tá loco?!”

  • Edenílson: “Maluco!”

  • Rafael Ramos: “Pô, cara***!”

A perícia independente justificou que a sílaba ‘ma’, que inicia a palavra 'macaco', só pode ser pronunciada a partir da junção dos lábios, sendo impossível dizê-la sem tal junção. Ainda de acordo com o documento, tal ação não ocorreu por parte de Rafael Ramos.

“A letra ‘m’, por ser considerada bilabial, em sua pronúncia necessariamente ocorrerá a junção dos lábios na fala, sendo impossível emitir o som da palavra sem tocar os lábios”, diz o documento da perícia.

“Importante ressaltar que, independente do dialeto, quando há pronúncia da letra ‘m’, sempre será bilabial. Neste caso, sendo Rafael Ramos de origem portuguesa, a articulação da letra ‘m’ será a mesma utilizada na fala do português do Brasil”, continua.

“Portanto, diante das características intrínsecas descritas e demonstradas no decorrer deste parecer, resta evidente que a palavra ‘macaco’ não consta na fala questionada, ficando comprovado que em nenhum momento houve a junção labial no início da pronúncia”, concluiu a perícia.

O laudo, que se baseia em leitura labial das imagens da transmissão, garante que a gravação possui “qualidade necessária para a perícia” e que o trabalho “fora realizado individualmente em um primeiro momento e posteriormente em conjunto, concluindo pelo mesmo resultado”.

O lado de Edenilson

Horas após a partida do último sábado, Edenilson foi às redes sociais e contou sua versão de que ouviu a palavra "macaco".

“Boa noite pessoal. Passando aqui apenas para me pronunciar, eu sei o que ouvi. Realmente não reagi provavelmente da forma que deveria, pois foi a primeira vez que isso aconteceu comigo e me incomoda o fato de ficar chamando atenção de outra forma que não seja jogando futebol (quem me conhece sabe). Ser xingado pelo tom da minha pele, minha reação foi a de não paralisar a partida, pois o jogo estava bom e, ao mesmo tempo, eu não queria que tomasse a proporção que tomou justamente por nunca ter passado por isso”, publicou o jogador do Internacional em suas redes sociais.

“Eu procurei o atleta para que ele assumisse e me pedisse desculpas, afinal, todos erramos e temos o direito de admitir, no meu modo de ver as coisas. Mas o mesmo continuou a dizer que eu havia entendido errado. Eu não entendi errado, o procurei pelo respeito que tenho por alguns integrantes do Corinthians e para que ele pudesse ter uma chance de se redimir, pois independente da nossa cor o caráter falará mais alto. Enfim, peço desculpas por não estar preparado para reagir a algo desse tipo”, concluiu.