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Tottenham ou Arsenal na Champions? Motivo inusitado há 18 anos já frustrou um e empurrou outro à vaga na Liga dos Campeões

Rivais de Londres decidem a última vaga via Campeonato Inglês na próxima edição da Champions League. Tottenham precisa só de um ponto, enquanto Arsenal tem que vencer e secar concorrente direto


A última rodada da Premier League tem disputas por posição em todas as partes da tabela. Em Londres, o foco estará completamente voltado para a briga pela quarta vaga na próxima Champions League, que coloca frente a frente os rivais Tottenham e Arsenal.

Os Spurs estão em vantagem, pois somam 68 pontos, dois acima do Arsenal, e precisam só de um empate contra o último colocado e já rebaixado Norwich para confirmar a vaga.

O Arsenal, por sua vez, tem que vencer o Everton em casa e torcer por um improvável tropeço do concorrente. As duas partidas terão transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Os dois clubes, tradicionais adversários desde antes da era moderna do futebol inglês, se acostumaram a brigar por classificação. Mas uma ocasião ficou marcada na história do clássico, quando uma indisposição estomacal completamente fora dos planos frustrou o sonho do Tottenham e empurrou o Arsenal rumo à Liga dos Campeões.

O fato real aconteceu no último dia da temporada 2005/06, quando os dois times chegaram à rodada final, como agora, lutando pela última vaga no torneio europeu.

O Tottenham acordou em vantagem naquele 7 de maio de 2006. Quarto colocado, com 65 pontos, precisava somente ter o mesmo resultado do Arsenal para voltar à sonhada Champions e turbinar os cofres com a milionária premiação só por participar da competição.

Mas o que aconteceu na noite anterior, em um luxuoso hotel no leste de Londres, dificultou bastante a missão.

Pelo menos um terço do elenco passou a noite em claro e passando mal por causa de uma intoxicação alimentar. Em comum, o buffet de massas indicado pelo nutricionista dos Spurs, que tornava impossível saber quem teria condições de enfrentar o West Ham horas depois, em Upton Park.

O clube tentou de tudo nos bastidores para não ir a campo. O presidente Daniel Levy, que segue no poder até hoje, entrou em contato com a cúpula da Premier League, que se recusou a adiar a partida. E mais: prometeu punição severa se o Tottenham não fosse a campo.

E assim o elenco chegou a Upton Park, com já metade da equipe passando mal ainda no vestiário. Entre os jogadores indispostos, estavam Michael Carrick, Edgard Davids, Aaron Lennon e Robbie Keane, ídolo da torcida. Todos eles foram a campo, mas com mínimas condições de jogo.

O West Ham fez 1 a 0 logo a dez minutos de partida, com Carl Fletcher. Jermain Defoe empatou para o Tottenham ainda no primeiro tempo, aos 35, mas Yossi Benayoun decretou a vitória dos Hammers no confronto londrino.

A 12 quilômetros dali, o Arsenal fazia a festa. Com gol de Robert Pires e hat-trick de Thierry Henry, os Gunners venceram o Wigan por 4 a 2, na despedida oficial de Highbury, e ultrapassaram o Tottenham na última hora para ficar com a vaga na Champions por dois pontos de vantagem: 67 a 65.

"Os jogadores se sentiram mal durante a noite. Tivemos que arriscar, mas todos viram que não estávamos com o máximo das nossas forças. Estamos na Europa [na antiga Copa da Uefa], que é o mais importante, mas termos ficado em quarto lugar na maior parte da temporada e perder a posição no último dia é uma grande decepção", lamentou Martin Jol, na entrevista após a rodada.

O Tottenham pediu uma investigação do caso, suspeitando de alguma interferência de alguém ligado ao Arsenal, mas a perícia concluiu que, na verdade, o time sofreu de uma gastroenterite contagiosa após o jantar. Não houve manipulação, nem culpa da lasanha ingerida pelos jogadores. Apenas uma triste coincidência.

A vaga dos Spurs na Champions demoraria mais três anos para acontecer e depois virar frequente, na gestão de Mauricio Pochettino. Hoje, o time de Antonio Conte tem a faca e o queijo (sem referências à intoxicação) na mão para voltar ao principal torneio do continente.

Já o Arsenal, ainda que tenha comece a rodada com chances, depende de uma vitória de um time que triunfou somente cinco vezes em 37 rodadas na temporada. Algo tão difícil de acreditar quanto em um novo truque do destino como o acontecido há 16 anos.