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Com Haaland no City, quem são os futuros artilheiros 'sensações' disputados pelos gigantes da Europa

Alguns atacantes promissores podem despontar como os mais cobiçados das próximas janelas de transferências e causar disputas entre os principais clubes do mundo


O anúncio desta terça-feira (10) de que Haaland e Borussia Dortmund chegaram a um acordo de 60 milhões de euros (R$ 320 milhões) para o atacante ir para o Manchester City na próxima temporada mexeu com o mundo da bola. Mas não é coincidência que a transferência do atacante atraia tantas especulações tanto na mídia tradicional quanto nas redes sociais.

O centroavante de um time normalmente faz a diferença em um jogo principalmente quando se trata de finalizações e ataque, mas também dando um respiro para a defesa ajudando a recuperar a bola e defendendo cobranças de falta, entre outras coisas.

A posição do camisa 9 há bastante tempo passou de ser apenas um número para, agora, ser um conceito geral de onde um jogador é posicionado em campo. A definição básica é de um ‘atacante central com força física’, que tem habilidade em marcar gols, proteger e passar a bola, também tendo qualidade no jogo aéreo.

Enquanto o cenário moderno tem visto treinadores de alto nível como Pep Guardiola favorecerem o ‘falso 9’, um jogador móvel e criativo como Lionel Messi, que pode abrir espaços para os pontas atacarem zonas centrais e funcionarem como os armadores do ataque – em detrimento do jogador de referência, que os companheiros devem procurar –, mesmo assim parece que os melhores treinadores preferem um ‘9 de ofício’ que jogar sem um.

O problema é que o conjunto de habilidades necessárias para essa função não são totalmente desenvolvidas até que o jogador ultrapasse a linha dos 20 anos. Aos 21, Haaland está se preparando para ser a exceção – apesar de alguns argumentarem que ele ainda precisa melhorar sua forma de usar o corpo para proteger a bola – mas quando ele está marcando uma média de quase um gol por jogo (85 em 88 partidas pelo Borussia Dortmund), é uma troca que você pode aceitar.

Karim Benzema, do Real Madrid, e Robert Lewandowski, do Bayern de Munique, provaram repetidas vezes que um centroavante experiente e de qualidade oferece uma garantia de gols, e essa habilidade é difícil de cultivar em jogadores com perfis diferentes.

Existe uma razão para o Manchester City publicamente ter passado a maior parte do ano passado tentando a contratação de Harry Kane – cujas habilidades de se posicionar nos espaços certos para receber a bola em posições mais ao fundo do campo o fizeram praticamente inventar sua própria posição ‘9,5’. Para ilustrar a diferença de estilo, Kane toca na bola em média 25 vezes por jogo, enquanto Haaland normalmente fica entre 15 e 16. Também é a razão de a Juventus ter contratado Dusan Vlahovic da Fiorentina por 70 milhões de euros antes de seus rivais em janeiro.

Então, com Haaland indo para a Premier League, quem é o próximo camisa 9 a ser o grande alvo de rivais tentando acompanhar o endinheirado - e em breve, assim eles esperam, goleador - Manchester City?

Darwin Núñez, 22 anos, Benfica | Valor de mercado: R$ 213 milhões

Embora seja destro e prefira atuar mais pela ponta esquerda, o uruguaio possui algumas similaridades com Haaland na função de 9. Ambos são excelentes em penetrar em velocidade nas costas da defesa adversária, e ambos são extremamente difíceis de enfrentar quando se trata de força física ou em alta velocidade.

Núñez, que chegou ao Benfica em uma negociação surpreendentemente barata de 24 milhões de euros junto ao Almería em 2020, teve uma evolução incrível, especialmente após a virada do ano. Com 26 gols em 28 partidas no Campeonato Português nesta temporada, ele proporciona muitas opções: pode receber lançamentos e mostrar sua velocidade contra defensores (ele marcou um golaço nesse estilo no clássico contra o Sporting), pode fazer corridas inteligentes para aproveitar cruzamentos, acerta chutes precisos de longa distância e se posiciona muito bem tanto no ataque como na defesa.

Núñez está sem dúvida no melhor momento de sua carreira até agora, e o craque de 22 anos certamente mostra que poderia dar um salto indo para uma grande liga europeia, já tendo sido ligado a negociações com Manchester United, Arsenal e Liverpool.

Lautaro Martínez, 24, Inter de Milão | Valor de mercado: R$ 373 milhões

Lautaro era originalmente um ‘segundo atacante’ ou um ‘atacante de apoio’ que gradativamente mudou para uma posição mais centralizada. Sua habilidade de finalização, unida a sua capacidade de proteger a bola e criar oportunidades no terço final do campo, contribuíram com a vontade do treinador que o queria mais próximo do gol.

De certa forma semelhante ao que aconteceu com outros argentinos como Carlos Tévez e Sergio Aguero, o atacante de 24 anos tem instintos, um estilo de ‘futebol de rua’, com uma técnica rápida, funcional e um baixo centro de gravidade. Com 1,75 m, ele não tem a estrutura tradicional de um camisa 9, mas ainda assim ele vence uma média respeitável de 38% das bolas aéreas.

Embora ocasionalmente ele perca algumas chances na frente do gol e seja propenso a ter pequenas ‘secas’, Lautaro tem sido muito produtivo (19 gols no Campeonato Italiano nesta temporada) e pode ficar disponível na janela do meio do ano, com a Inter de Milão buscando ter mais tranquilidade financeira.

Tammy Abraham, 24, Roma | Valor de mercado: R$ 240 milhões

Possivelmente o candidato que melhor corresponde ao clássico camisa 9, o ex-Chelsea tem qualidades bem equilibradas, com vantagens físicas e habilidade na bola aérea. Abraham se encaixou bem no futebol italiano e parece ser um jogador mais maduro agora – toma melhores decisões e parece mais focado – do que era um ano atrás.

Ao assistir o inglês, fica bastante claro que ele é um jogador que tem trabalhado muito para diminuir seus pontos fracos. Seus 15 gols no campeonato são quatro a mais que Romelu Lukaku e Timo Werner (os dois atacantes que o impediram de ter mais oportunidades em Stamford Bridge) e, embora a Roma queira mantê-lo, seu desempenho tem despertado interesse em vários clubes que disputam a Champions League.

Victor Osimhen, 23, Napoli | Valor de mercado: R$ 319 milhões

Apesar de ter ficado muito tempo em recuperação de lesões durante seus dois primeiros anos na Itália, Osimhen tem 27 gols e nove assistências em seus 60 jogos pelo clube até hoje. Sua combinação de velocidade, objetividade e qualidade na finalização faz dele uma ameaça constante e dá a ele uma incisividade valorizada em um 9 de ofício. O próximo desafio para o atacante de 23 anos é apurar sua capacidade de segurar a bola e parecer menos descolado de seus companheiros de equipe durante a construção das jogadas.

O nigeriano tem seu melhor momento quando a bola é lançada de trás para permiti-lo correr para o gol, mas quando existe um pequeno espaço por trás da defesa (a não ser quando seja em cruzamento), ele tem dificuldade de se impor em jogo. De todo modo, com o Napoli pagando 70 milhões de euros para contratá-lo pelo Lille em julho de 2020, e com o contrato ainda tendo três anos de duração, ele não será nada barato para quem quiser contar com seus serviços.

Patrik Schick, 26, Bayer Leverkusen | Valor de mercado: R$ 234 milhões

Um centroavante extremamente talentoso que, após anos tentando se firmar em clubes como Sampdoria, Roma e Leipzig, está finalmente mostrando todo o seu potencial. Em segundo lugar na artilharia da Bundesliga, atrás de Lewandowski, Schick – que marcou o golaço de longe para a República Tcheca contra a Escócia eleito o gol do torneio na Euro 2020 – tem 24 gols em 26 partidas. Sua expectativa de gols que não sejam de pênalti (0,70) deixa clara a sua eficiência; Haaland tem 0,67.

Lesões assombraram o atacante canhoto nos últimos meses, mas sempre houve consenso entre os scouts que, se Schick começar a marcar com constância, ele pode ser um dos melhores centroavantes do mundo. É evidente que suas arrancadas e finalizações (normalmente com um toque, às vezes voleios e meio voleios) alcançaram novos níveis nesta temporada. Sendo ótimo atuando como um 9 – pivô, criação de jogadas e passes –, ele é surpreendentemente efetivo correndo por trás dos defensores para um jogador de 1,90m de altura, apesar de não ter a velocidade como sua principal característica.