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A incrível história do time que acumulou dívida de R$ 1,1 bilhão, faliu, foi para a 4ª divisão e, 10 anos depois, pode ser campeão europeu

O Rangers foi da falência à final da Europa League contra o Eintracht Frankfurt em apenas dez anos


Talvez nem o mais otimista torcedor do Glasgow Rangers poderia sonhar, em 2012, que em dez anos estaria tão perto de conquistar um título europeu. O clube escocês fará a final de Europa League contra o Eintracht Frankfurt nesta quarta-feira (18), às 16h (de Brasília), com transmissão ao vivo pela ESPN no Star+.

Afinal de contas, em junho daquele ano, o tradicional clube fundado em 1872 por protestantes deixou de existir. Atolado em dívidas na casa de 134 milhões de libras esterlinas, além de 49 milhões de libras extras de multa do fisco britânico, que somando os valores dá aproximadamente R$ 1,1 bilhão na cotação atual, o maior campeão escocês foi obrigado a fechar as portas.

Meses depois, foi adquirido por um grupo empresarial e refundado como Rangers Football Club. Para manter-se na elite escocesa, era necessário o aval dos 11 times que disputavam a competição, o que não aconteceu. Os rivais rejeitaram o pedido de forma unânime, derrubando o clube para a quarta – e última – divisão.

Além do técnico Ally McCois, ídolo da equipe, poucos jogadores ficaram no elenco que recomeçou a história do Rangers. Um dos reforços contratados para a empreitada foi o zagueiro brasileiro Cribari (ex-Napoli e Lazio), que havia deixado o Cruzeiro pouco tempo antes.

Mesmo no fundo do poço, o fanatismo da torcida foi demonstrado na estreia na 4ª divisão, com mais de 49 mil pessoas no Ibrox Stadium. Nos dois primeiros anos, o clube conseguiu chegar com relativa facilidade até a segunda divisão.

No entanto, a volta para a elite não foi nada fácil. Após ficar em terceiro lugar na temporada 2014/2015, o Rangers perdeu nos playoffs para o Motherwell, vice-lanterna do primeira divisão.

A promoção não escapou no ano seguinte, de quebra com o título. No entanto, o caminho até retomar a hegemonia no país ainda demoraria longos cinco anos.

Com algumas campanhas irregulares, o time protestante viu o Celtic (de origem católica) ser campeão escocês nove vezes seguidas e ficar invicto no clássico Old Firm. Além disso, foi humilhado ao cair na primeira fase preliminar da Europa League para o modesto Progrès Niederkorn, de Luxemburgo.

A situação só mudou mesmo quando Steven Gerrard, lenda do Liverpool, foi contratado para ser o treinador, em 2018.

Mesmo com pouquíssima experiência no cargo, já que só havia comandado os times de base dos Reds, o ex-meia conquistou a primeira vitória contra o Celtic no fim daquele ano, com gol de Ryan Jack, no Ibrox. O triunfo foi um sinal de que o Rangers estava no caminho certo para retornar ao topo que já havia lhe pertencido no passado.

A saída do técnico Brendan Rodgers para o Leicester City iniciou um processo de decadência no Celtic, o que colaborou muito para a inversão de poderes na Escócia. O Rangers foi melhorando até culminar com o título nacional (o 55º, somando os do antigo Glasgow Rangers) no ano passado.

Com isso, o maior campeão nacional do mundo voltou a ganhar força. Mesmo com a saída de Gerrard para o Aston Villa, a equipe agora comandada por Giovanni van Bronckhorst (ex-lateral de Arsenal e Barcelona) fez bonito na Europa League.

Após se classificar na fase de grupos, os escoceses eliminaram Borussia Dortmund, Estrela Vermelha, Braga e RB Leipzig para alcançar a decisão e tentar um título europeu pela primeira vez desde 1972, quando levantou a Recopa Europeia.