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Futevôlei de Ronaldinho, ratos de Becker e mais: como eram as prisões que receberam astros do esporte mundial

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A Vida e os Julgamentos de Oscar Pistorius (2:05)

Assista ao 30 for30, quando e onde quiser, no ESPN App (2:05)

Assim como o ex-tenista Boris Becker, outros astros do esporte mundial como Ronaldinho Gaúcho e Mike Tyson já tiveram que cumprir pena em prisões


No final de abril, o alemão Boris Becker, uma das maiores lendas da história do tênis, foi condenado à prisão por crimes financeiros.

Como mostrou a ESPN, ele foi levado para a prisão de Wandsworth, em Londres, apontada pela imprensa local como uma das piores da Inglaterra, com superlotação, infestação de ratos e muitos casos de violência.

Becker, porém, não é a primeira celebridade do esporte que vai em cana.

Ao longo dos anos, muitos atletas e ex-atletas foram condenados pelos mais diversos crimes, desde fraudes até assassinatos, e tiveram que cumprir penas em centros de detenção.

Entre os que viram o sol nasceu quadrado, há casos de prisões que mais pareciam colônias de férias, enquanto outras eram "barra-pesada", num estilo mais similar ao que a lenda do tênis irá encontrar agora em Wandsworth.

Relembre alguns casos:

RONALDINHO GAÚCHO

Em março de 2020, Ronaldinho Gaúcho e seu irmão e empresário, o também ex-jogador Assis, foram presos no Paraguai por uso de documentos falsos.

Como mostrou reportagem do ESPN.com.br à época, a dupla ficou no Grupo Especializado da Polícia Nacional, uma prisão considerada como de segurança máxima, ao lado de acusasos de envolvimento com narcotráfico e homicídios.

Apesar do clima tenso, Ronaldinho e Assis não tiveram grandes problemas durante os 32 dias que ficaram no local, antes de serem transferidos para um hotel em Assunção.

No mês que ficou detido no Grupo Especializado, R10 se divertiu jogando futebol e futevôlei com outros detentos, além de ter feito curso de carpintaria para espairecer a mente.

Celebridade internacional, ele também distribuiu centenas de autógrafos, assinando camisas e bolas para os colegas de detenção e para os guardas da cadeia.

No final de março de 2020, ele ainda "comemorou" seu aniversário de 40 anos na prisão. Segundo o jornal ABC Color, sua festa teve cardápio farto, com dourado na brasa e churrasco de costela.

Apesar de não ter passado tantos apuros, Ronaldinho e Assis não tiveram luxos em termos de habitação.

Eles ficaram em celas normais, com ventilador para espantar o calor e os mosquitos. Também não possuíam banheiro privativo, tendo que tomar banho nas duchas coletivas.

OSCAR PISTORIUS

Condenado em 2014 por matar sua namorada, a modelo Reeva Steenkamp, o lendário corredor paralímpico Oscar Pistorius inicialmente foi preso no Centro de Detenção Kgosi Mampuru, no centro de Pretória, na África do Sul.

No local, que é uma prisão de segurança máxima e comporta 8 mil prisioneiros, ele ficou alocado na ala hospitalar, já que teve surtos e dizia ter medo de que sua comida tivesse sido envenenada.

Pelo fato de ter as duas pernas amputadas, ele foi transferido em 2016 para a Prisão de Atteridgeville, também em Pretória, que é menor (capacidade para 1 mil pessoas) e possui celas e instalações próprias para deficientes físicos, inclusive com banheiras nas celas. O local abriga apenas detentos considerados de baixo risco.

Reportagem do jornal inglês Daily Mail, publicada em 2020, mostrou detalhes da vida de Pistorius na prisão.

Em Atteridgeville, ele ganhou cela própria, onde conta com banheiro privativo. Além disso, a lenda do atletismo tem até um espaço próprio no jardim do local, onde cultiva frutas e legumes.

"A prisão onde o ex-atleta está hoje é muito diferente da primeira. Atualmente, ele vive rodeados de jardins e árvores. Pistorius, assim como seus colegas detentos, passa o tempo cultivando vegetais e orquídeas", escreveu o diário britânico.

De acordo com a Justiça da África do Sul, Pistorius só terá direito a entrar com pedido de liberdade condicional a partir de 2023.

AARON HERNÁNDEZ

O tight end era uma das maiores estrelas do New England Patriots e de toda a NFL quando foi preso, em 2013, por participação na morte do amigo Odin Lloyd. Ele foi condenado de forma perpétua, sem possibilidade de condicional.

Ele passou um ano e meio na cadeia do Condado de Bristol antes de ser transferido para o Centro de Detenção Souza-Baranowski, na cidade de Lancaster.

Essa é a única prisão de segurança máxima do Estado de Massachusetts, e foi onde Hernández viveu seus piores momentos.

Enquanto estava detido lá, ele foi absolvido de mais duas condenações de assassinato (Daniel de Abreu e Safiro Furtado). No entanto, dias depois disso, o jogador de futebol americano foi encontrado morto em sua cela, tendo cometido suicídio.

Uma longa reportagem do canal de TV CNN, publicada em 5 de maio de 2017, mostrou que os dias de Aaron Hernández no Souza-Baranowski foram cercados de tensão. Com base em arquivos obtidos pela lei de acesso à informação dos Estados Unidos, foram publicados diversos relatórios de momentos horríveis.

Na prisão de segurança máxima, o tight end brigava diariamente com outros detentos e também com os carcereiros, impedindo que a porta de sua cela fosse aberta, resistindo às ordens, cometendo diversas tentativas de agressão e tendo péssimo comportamento, com ofensas e xingamentos.

Hernández ainda foi punido por desrespeitar várias regras da cadeia, como fumar e fazer ligações telefônicas sem autorização. Durante saída para julgamento, também foi flagrado que ele fez uma tatuagem no pescoço enquanto estava detido, o que ia contra o regulamento do local. Até hoje ninguém soube explicar como o jogador fez isso.

MIKE TYSON

Lenda dos pesos-pesados do boxe, o pugilista norte-americano foi preso em 26 de março de 1992 e condenado a seis anos de detenção por estuprar Desiree Washington, de 18 anos, que à epoca era uma das concorrentes do consurso de beleza Miss Black America. Tyson passou três anos na prisão, sendo liberado em 1995, e segundo relatos do próprio lutador, ele conseguiu manter a forma e 'comer o que quisesse', apesar da condição de detento.

Tyson cumpriu a pena em Indiana, no Indiana Youth Center. Poucos meses antes de ser preso, disputou a sua última luta, contra Donovan Ruddock. Em entrevista ao canal Club Shay Shay, o pugilista contou como foi a sua rotina na prisão.

"Acordava cedo, mas eles me permitiram malhar. Eu poderia correr para onde eu quisesse. Eu podia comer qualquer tipo de comida que eu quisesse. Eu realmente tive, ouça, esses foram os melhores três anos da minha vida, realmente. Eu tive um tempo realmente incrível na prisão", relatou Tyson.

Assim que foi liberado da prisão, Tyson lutou contra Peter McNeeley e levou a melhor. Essa foi apenas a primeira detenção do pugilista, que em março de 1999 voltou à cadeia, desta vez em Rockville, acusado de agredir dois motoristas. Porém, o norte-americano só cumpriu três meses e meio de prisão e logo depois foi liberado.