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Árbitra fala sobre agressão que sofreu e pede conscientização com mulheres no futebol: 'A gente precisa falar do que se passa'

Em entrevista ao ESPN.com.br, a árbitra Marcielly Neto falou sobre a agressão sofrida por técnico da Desportiva Ferroviária


No último domingo (10), a assistente de arbitragem Marcielly Neto sofreu uma tentativa de agressão do técnico da Desportiva Ferroviária, Rafael Soriano, na partida contra a Nova Venécia. O comandante foi expulso no momento do ato e demitido do clube horas depois da partida.

Em entrevista ao ESPN.com.br, Marcielly falou sobre o apoio recebido pela Federação Capixaba, além de outras agressões verbais que escutou ao longo da carreira.

“A Federação, desde o ocorrido, esteve ao meu lado, o presidente da comissão de arbitragem estava no estádio no momento. Além dos meus amigos, companheiros de arbitragem. Já no intervalo, tive contato com a comissão da Federação Capixaba, já me orientando para saber o que fazer, porque eu não sabia o que fazer, desde a proteção até como me defender”, disse.

“Física, foi a primeira vez, nunca tinha passado por essa situação. Verbal já aconteceram algumas vezes. A gente acaba não falando muito sobre agressões verbais contra o árbitro porque acaba sendo rotineiro. Mas a física a gente não espera, nunca imaginei passar por isso na minha vida”, completou.

Ao comentar a repercussão do fato, a assistente disse ter ficado assustada, mas torceu para que isso pudesse se tornar algo que conscientizasse as pessoas sobre atitudes com mulheres no meio.

“A melhor atitude seria a conscientização, porque infelizmente nós estamos em um ambiente de predominância masculina e normalmente somos poucas árbitras. Mas precisamos que as pessoas entendam que ali é nosso trabalho, nosso local de atuação, seja árbitra, jogadora, torcedora, membra de comissão técnica. Nós precisamos de respeito, conscientização e que as pessoas passem a nos ver de uma melhor forma”, afirmou.

“Eu acho importante falar sobre a presença da mulher e o fato da agressão. Infelizmente, deu essa repercussão toda, mas a gente precisa usar isso em favor do corpo feminino, falar do que se passa, do que pode acontecer. Pode acontecer com os meninos, também, mas acredito que o verbal, o assédio, o machismo acontecem muito mais com a gente”, acrescentou.