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Hoje não? Hoje sim! Vitória controversa de Schumacher sobre Barrichello na F1 completa 20 anos

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Via: @Sportscenter | Verstappen levou a melhor, venceu GP de Miami e diminuiu vantagem de Leclerc (0:34)

No dia 12 de maio de 2002, no GP da Áustria, Rubinho foi obrigado a ceder uma vitória certa ao companheiro de equipe, que já liderava com folga o Mundial de Fórmula 1


Há exatos 20 anos, a Fórmula 1 era palco de um dos episódios mais marcantes de sua história e que chocou todos que acompanham de perto a principal categoria do automobilismo.

No dia 12 de maio de 2002, no GP da Áustria, o rádio do carro de Rubens Barrichello emitiu uma ordem. E o que viria depois foi um dos acontecimentos mais controversos da carreira do piloto brasileiro.

Nos metros finais da última volta da prova, Rubinho foi obrigado a ceder uma vitória certa ao companheiro de equipe, o alemão Michael Schumacher, que já liderava com folga o Mundial - aquela foi a quinta vitória em seis corridas disputadas até então.

Quem acompanhava pela TV ficou tão incrédulo quanto Cléber Machado, que narrava a corrida pela Rede Globo. A reação do jornalista foi tão espontânea que se tornou um "clássico" revivido até os dias atuais. "Vem Barrichello! Encosta Schumacher. Eles vão para a última curva. Hoje não, hoje não… hoje sim. Hoje, sim? É inacreditável" bradou Cléber na cabine de transmissão.

Dez anos depois do episódio, Barrichello disse que, num primeiro momento, resistiu à ordem da equipe italiana. "Fui até o final, até a última curva, falando que não ia deixar ele passar (...) Eu não posso contar o que eles falaram, mas foi uma forma de ameaça que me fez refletir se eu teria de repensar a minha vida, porque o grande barato para mim era guiar", disse em entrevista à revista Playboy.

Ross Brawn, um dos diretores da Ferrari à época, admitiu que a decisão da equipe foi um erro. "Se pudesse voltar atrás, não teria feito isso (...) roubamos uma vitória que ele tinha conquistado. Depois da bandeirada, as coisas pioraram, porque Michael viu a reação do público, e isso fez com que ele colocasse Barrichello no primeiro lugar do pódio", disse, em 2017, à F1 Racing.

A decisão da Ferrari não passou impune e a FIA (Federação Internacional de Automobilismo) aplicou uma multa de US$ 1 milhão à scuderia. A temporada se desenrolou com uma mera formalidade. A Ferrari venceu 15 das 17 provas - 12 só com Schumacher, que conquistava ali seu quinto título na carreira. Vice-campeão, Barrichello permaneceria na Ferrari até 2005, quando acertou sua ida para a equipe Honda.

As vaias ouvidas durante a cerimônia de premiação na Áustria não foram esquecidas. Na penúltima prova da temporada, no GP dos Estados Unidos, Michael Schumacher, já com o título garantido, devolveu a "gentileza" e permitiu que Rubens Barrichello cruzasse a bandeira quadriculada em primeiro lugar, apenas 0s011 à frente do alemão. Em Indianápolis, foi o dia do sim. Mas foi o "hoje não" que até hoje é lembrado pelos amantes da velocidade.