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CSGO: De olho no topo, Fallen diz que Team Liquid tem 'que encontrar mais estabilidade'

A Team Liquid começa sua caminhada na ESL Pro League Season 14 em 1 de setembro, contra a NiP Divulgação/Team Liquid

A Team Liquid é uma das vinte e quatro equipes que participam da ESL Pro League Season 14 no decorrer deste mês - e também do próximo - pela busca de se sagrar campeã do campeonato que marca a volta dos jogadores do período de férias. A Cavalaria chega ao campeonato marcada por resultados não tão animadores nos últimos campeonatos - com exceção da cs_summit 8 - e, em Malta, busca mostrar uma equipe pronta para viver mais um alto em sua trajetória em direção ao seu objetivo.

Para falar um pouco do presente, é importante observar com calma o processo e os “poréns” que acompanham a trajetória do brasileiro neste ano: essa é a primeira vez que Fallen atua em uma equipe que não é formada majoritariamente por nomes brasileiros.

Hoje, o verdadeiro ainda busca acostumar-se a uma nova realidade em sua carreira e também com uma cultura totalmente diferente daquela que fez parte dos seus dias ao longo de toda sua vida. Entretanto, tudo tem sido um belo aprendizado para Fallen e um processo divertido.

“Está sendo bem bacana, é bastante diferente das outras equipes que joguei pela questão cultural mesmo, nos outros times, pela necessidade e obrigatoriedade de morar fora todos juntos, sempre se criou uma atmosfera diferente do que eu estou encontrando hoje em dia. O lado negativo é que, por vezes, sinto um pouco de falta com os companheiros de equipe que tive no passado e o lado positivo é que as coisas são mais profissionais, realmente é um trabalho para todos, os horários são sempre muito respeitados, esse ambiente vamos dizer que é ‘mais corporativo do que coleguismo’”, analisa Fallen em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.

A saudade do coleguismo que é quase que uma marca registrada dos elencos brasileiros que vimos atuando e ganhando tudo lá fora com certeza pesa, mas segundo o professor não torna as outras experiências melhores do que essa.

Torna-as apenas diferentes.

“Estou me acostumando a esse novo espaço e por enquanto tem sido tudo muito divertido, estamos em busca de encontrar melhores resultados e melhorar como um time, mas esse é o processo de todas as equipes do mundo, não é fácil para ninguém”, completa.

Recebendo o capitão brasileiro Fallen para completar seu plantel em janeiro deste ano para substituir a saída de Twistzz, e também a ausência de um AWPer de ofício, a Team Liquid vem ao longo dos últimos meses tentando buscar bons resultados com a lenda brasileira ao lado de nomes conhecidos nos cenários internacionais.

Porém, nem tudo são rosas. Apesar dos grandes nomes que formam o quinteto da Cavalaria, o ano da organização dentro do cenário competitivo do título tem sido feito de altos e baixos. Hora a equipe mostra um desempenho forte, capaz de ameaçar as mais altas colocações dos campeonatos, hora caem ainda nos primeiros jogos dos campeonatos - como aconteceu na IEM Cologne.

“Eu acho que a química dentro do jogo como um time, quando você vem de um CS diferente você sempre tenta se adequar a essas ideias de jogo o mais rápido possível, e algumas das ideias batem muito e outras nem tanto. A gente como um time vem tentando fazer um trabalho dia a dia durante os treinos, e principalmente nas competições, para alinhar isso o mais rápido possível”, comenta.

Segundo o jogador, a volta de adreN (coach) no lugar de moses tem ajudado nisso, mas mesmo ajudando a equipe com questões estratégicas e organizando tudo para que o rendimento durante o dia de treinamentos seja o mais proveitoso possível, não resolve 100% dos problemas enfrentados pelo coletivo para encontrar a química perfeita.

BUSCANDO A CONFIGURAÇÃO PERFEITA

A equipe já passou pela chegada do brasileiro, a saída de moses para receber adreN de volta e algumas trocas na função de capitão dentro de jogo. Foram muitas mudanças ao longo desses oito meses e, novamente, a Team Liquid chega à Pro League Season 14 com mais uma mudança: desta vez, Fallen será o jogador que dará as chamadas à equipe.

Por mais que seja conhecido como um dos melhores capitães brasileiros, Fallen não chegou na organização norte-americana para ser o capitão definitivo. Claro, já atuou como capitão do time em outras oportunidades - como o quarto lugar na IEM Katowice -, mas recentemente e majoritariamente ao longo do ano, o norte-americano Stewie era quem dava as ordens.

“Agora pós-férias vai voltar a ser comigo, tem alguns probleminhas com o Stewie que não estamos conseguindo sanar e sentimos que talvez comigo no comando vai liberar o Stewie um pouco mais para o jogo dele e vai fazer com que o time tenha mais estabilidade emocional durante as partidas”.

Mesmo revelando durante a entrevista que a equipe sente-se mais organizada e gosta do jeito que o norte-americano comanda, Fallen também diz que os motivos da mudança são por conta da relação entre os jogadores fora dos jogos, algo que Stewie não conseguiu suprir.

“O jogo não é só dentro do game, ele também tem suas particularidades fora dele, como relacionamento entre os jogadores, a condução da equipe durante a partida, essas coisas que sentimos que o Stewie não conseguiu ir tão bem em campeonatos anteriores - com essa equipe em particular“, observa o professor.

IEM COLOGNE E COMO ELA AJUDA PARA A PRO LEAGUE

Apesar de levar um formato que Fallen classifica como “uma bolha enorme", pelo fato de parecer um campeonato online, no último mês, os jogadores puderam ter um gostinho depois de mais de um ano de um campeonato presencial com a realização da IEM Cologne.

Infelizmente para os fãs da Liquid, eles não tiveram a oportunidade de ver a equipe avançando mais no campeonato. Mas, para alguém que já conquistou tudo o que Fallen conquistou, o que é mais um baixo se não um obstáculo que deve ser superado por aqueles que querem se tornar os melhores?

“A competição foi legal para tirar um pouco dos nervos, foi o primeiro campeonato em LAN do Grim, ele praticamente não tinha jogado ainda presencialmente com essa equipe então foi uma grande bagagem pra ele. Eu confesso que, apesar de ter falado que não tinha esse sentimento de LAN, um pouco da atmosfera estava lá, então teve um pouco de nervosismo nos primeiros jogos que tive que lidar”, comenta o brasileiro.

“O campeonato no geral não foi muito bom para a gente, com exceção do jogo contra a mousesports no qual estávamos jogando nosso melhor. Agora é olhar para a continuidade do trabalho”, completa.

O objetivo é no topo do cenário e a continuidade no trabalho tem sido a busca pela estabilidade. Encontrando sucessos aqui e ali, mas ao mesmo tempo tendo dificuldades para atravessar certos obstáculos, a Team Liquid têm mostrado um bom jogo nos campeonatos que participou, mas ainda não chegou ao ponto desejado - e nem o ideal - pela equipe.

“Tá sendo uma gangorra, estamos subindo e descendo, estamos variando muito e temos que encontrar um pouco mais de estabilidade pra chegar onde queremos, que é tentar ser a melhor equipe do mundo. Sente-se um pouco distante do nosso objetivo, mas ao mesmo tempo com bons resultados no caminho, precisamos tentar deixar um pouco mais constante nossas aparições nos torneios”, conclui.

É essa estabilidade, consistência e um bom resultado que a Team Liquid busca a partir do dia 1 de setembro, data que marca o início dos confrontos do Grupo D da Pro League 14, composto pela equipe do professor, FURIA, Team oNe, Gambit, Ninjas in Pyjamas e Entropiq.

O primeiro teste de fogo da Cavalaria no torneio é contra os Ninjas suecos, já no primeiro dia às 15h (horário de Brasília). As transmissões dos jogos estão acontecendo tanto nos canais oficiais da ESL na Twitch, como no canal do streamer brasileiro Gaules.