<
>

Rumo ao Masters: Xand promete que FURIA vai trazer 'coisas novas fora do padrão'

O começo de 2021 trouxe muitas surpresas para o cenário competitivo de Valorant, e a FURIA foi uma delas. Recém chegada, a equipe liderada por Xand garantiu sua primeira grande conquista do ano ao se classificar através da segunda fase do Valorant Challengers Brasil (VCB) para o Masters.

Dedicando-se de corpo e alma ao lado da B4 Esports para tentar levar o First Strike, Xand e o resto do elenco foram considerados em seu início como uma das grandes promessas e uma das principais equipes para desbancar a Gamelanders; mas nunca alcançaram grandes conquistas.

Em meados de dezembro, Xand, um dos duelistas mais notórios do cenário brasileiro, surpreendeu ao anunciar sua saída da equipe e movimentou o cenário. Em meio a confusões e desinteresses que resultaram em sua saída da equipe, o jogador foi um dos principais pilares erguidos pela FURIA para estruturar sua entrada no cenário.

“O que tem de diferente é que a FURIA é a melhor organização do Brasil. Tudo que a gente precisa, qualquer coisa que dá errado, a gente tem todo suporte para melhorar isso e pra que isso não se repita. Esse é o principal ponto, é o que a gente tem por trás”, Xand comenta ao comparar as organizações em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

Em uma mistura de jogadores veteranos em outros títulos e jovens que começaram a se aventurar agora, como é o caso de Khalil de apenas 16 anos, a organização entrou no cenário chutando as portas e mostrando que a fusão entre esses dois “tipos” de jogadores pode ser a fórmula para o sucesso.

“Uma coisa muito boa da idade deles é que eles estão com muita vontade de ganhar. Então eles tão ‘comendo’ o jogo o dia inteiro e ver isso é prazeroso”, conta sobre ver a dedicação dos mais novos Qck e Khalil.

APRENDENDO UM COM O OUTRO

Se você conhece Xand, seja por suas redes sociais ou por suas transmissões, conhece seu lado engraçado e descontraído. Mas quando a competição começa, muda completamente.

Descrevendo a si próprio como “um cara meio tóxico e meio explosivo”, Xand deixou essa parte de seu ser para trás ao se tornar um dos Panteras que representarão a organização dentro de Valorant. Mas não só isso, teve que mudar para também poder ser um guia e um líder para os mais novos.

“Logo no início do projeto da FURIA eu vi que ia ter que deixar isso de lado porque se eu for assim no meio do time, ele vai acabar. Então eu me vi como ‘paizão’, junto com o Carlão, e agora como capitão também eu tenho que seguir na linha. Eu como mais experiente, o veterano do time, tenho que manter a postura, saber quando as coisas estão dando ruim para pedir calma, para respirar”, reflete sobre a mudança a partir do momento que se juntou à FURIA.

E essa mudança tem mostrado muito resultado. Eliminando a Gamelanders no primeiro qualificatório aberto do VCB e subindo pela lower durante a segunda etapa em uma sequência de dois a zeros, a equipe mostrou que o encaixe tinha sido perfeito.

Aos comandos de Xand, o resto da alcateia acompanhou o capitão na série contra a Rise para garantir a vaga no Masters. Em grande harmonia com o resto da equipe, parecia que uma chave tinha virado na cabeça de Xand.

Se movendo com eficiência através do mapa, o duelista mostrou uma de suas melhores séries até o momento, rendendo elogios por parte dos narradores e também da comunidade. Tudo isso enquanto guiava a equipe. Tarefa difícil.

“Esse jogo foi importante pra isso, porque agora eu estou muito mais solto. Na B4 normalmente eu amassava porque tinha um suporte e estratégia para isso, e na FURIA eu entrei mais para fazer o entry e tirar a mira. Mas hoje eu percebi que também posso brilhar, mesmo sendo capitão e fazendo tudo que tenho que fazer”, conta.

Mas, qual é a graça de brilhar sozinho?

Qck, Khalil e Teddy. Jogadores extremamente talentosos e promissores, mas ao mesmo tempo novos e relativamente inexperientes, se classificando para o maior campeonato até o momento.

Para alguns, talvez isso seja a fórmula perfeita para o desastre, afinal não é fácil manter a calma e o mental em um evento tão importante como esse sem ter tido experiências prévias. Entretanto, Xand acredita que tudo que passaram até chegar ao Masters fará com que essa inexperiência seja apenas um mero detalhe.

“Já ganhamos da Gamelanders, já perdemos, passamos por sufoco, começamos perdendo e viramos; então mesmo com pouco tempo já passamos por situações onde atacou ansiedade, a comunicação ficou afobada, etc. A gente passou por tudo isso nas qualificatórias para não acontecer no Masters”, observa despreocupado com a inexperiência dos jogadores.

PREPARAÇÃO PARA O MASTERS

Tirando alguns dias de “folga”, a equipe aproveitou a semana de classificação para não sobrecarregar o mental dos jogadores. Deixaram os luxuosos computadores e o centro de treinamento da FURIA, para treinar de casa e poderem descansar para o compromisso tão importante. Mas o tempo de “folga” acabou.

Como o próprio Xand diz: “O objetivo é o Masters, o classificatório era só um passo”. E é necessário cuidado para não dar um passo maior que a perna.

Para isso, a equipe tentará sair do básico “feijão com arroz” que apresentaram durante o Challengers e aproveitar a dúvida que instauraram na cabeça dos adversários com sua flexibilidade de agentes e, assim como outras equipes, trará novas combinações para surpreender.

“‘Será que o Teddy vai de Cypher? Será que o Xand vai de Jett e o Qck não vai de Jett? Será que vai ter dois duelistas?’, então a gente deixou essa dúvida na cabeça do pessoal e agora vamos trabalhar nela. Temos tempo, então vai aparecer coisas novas fora do padrão”, revela o jogador sem dar muitos detalhes.

Com o sucesso da organização no Valorant, os olhos estão vidrados para ver como se sairão em uma competição grande com a nata do cenário competitivo. Algumas equipes entram como favoritas, outras como underdogs.

Todos jogos serão difíceis, e Xand tem noção disso. Diferente do que alguns pensariam sobre a Gamelanders ser o principal adversário da equipe na competição, o capitão acredita que quem dará mais trabalho para os Panteras não será a campeã do First Strike, e sim outra equipe recém formada.

“Eu acho que nesse Masters, quem pode complicar mais é a Vikings. Acredito que o pessoal tá lendo bem a Gamelanders [...] então coloco a Vikings [como maior ameaça], mesmo considerando a Gamelanders a melhor do Brasil”, analisa Xand.

A primeira partida da equipe no Masters é contra a Imperial neste sábado (13) e a possibilidade de uma revanche contra a Gamelanders nas semifinais, que mandou a equipe para a lower durante a segunda fase do VCB, é real.