O campeonato recebeu 32 equipes do mundo todo e, apesar dos problemas, deu um show no Ginásio do Ibirapuera
Entre os dias 13 de fevereiro e 4 de março, a cidade de São Paulo recebeu talvez o evento mais importante da história do VALORANT até hoje: o VCT LOCK//IN. Reunindo todas as trinta equipes selecionadas para participar das Ligas Internacionais do FPS (junto de mais duas chinesas) ao redor do mundo, o campeonato deu o pontapé para o cenário competitivo em 2023.
Esse que vos escreve, Lucas Gerardi, teve a oportunidade de participar do evento tanto no início dele quanto na grande final - onde infelizmente vi a LOUD deixar o título escapar para a FNATIC em frente a milhares de brasileiros -, e vou explicar o porque, na minha visão, o pontapé da Riot Games foi dado com o pé direito.
Primeiro de tudo, não tem como não citar a ideia de reunir as melhores equipes do mundo todo em São Paulo. Pela primeira vez, uma cidade foi palco para receber todas as equipes que fazem parte do circuito mundial e que, neste ano, buscarão a glória de serem campeãs em ligas nas Américas, EMEA e Pacífico. E com a LOUD sangrando-se campeã mundial no VALORANT Champions 2022, que lugar melhor para dar esse início se não no Brasil?
Sacy, pANcada, ardiis, ScreaM, TenZ, yay, Boaster, saadhak, Cryocells, nAts, FNS, sushiboys, mindfreak, jinggg, aspas, Less e muitos outros nomes estiveram frente a frente para disputar o título e também deram a oportunidade aos fãs verde-amarelos do FPS de finalmente ver todo o show acontecendo a poucos metros de distância.
A melhor torcida do mundo
E o que falar dos fãs brasileiros que participaram de todo esse evento?
Sem dúvidas, na minha visão, de todos os pontos positivos do torneio o maior foi aquele que sempre rende elogios de artistas, times e personalidades internacionais: a torcida. Conhecida por seu calor e receptividade, a torcida brasileira deu um show ao longo dos 19 dias de campeonato.
Uma execução perfeita, a vitória em uma rodada ou apenas uma simples eliminação era o suficiente para ser comemorado como se o Breach tivesse usado a Onda Trovejante na arquibancada de tanto que as pessoas pulavam.
Chegou a hora da decisão: @LOUDgg ou @FNATIC?
— VALORANT Esports BR (@valesports_br) March 4, 2023
Quem vai levantar o troféu do #VCTLOCKIN?
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Depois de arrepiar os pelos de qualquer torcedor verde-amarelo depois do IEM Rio Major 2022 de Counter-Strike: Global Offensive (CS:GO), novamente os brasileiros lotaram uma arena para deixar todo seu apoio para aqueles que estavam se apresentando nos palcos do LOCK//IN.
Na grande final, pudemos ver toda a energia dessa torcida ser liberada ao redor do Ginásio do Ibirapuera enquanto os brasileiros da LOUD subiam para suas mesas. Vídeos e gravações não são suficientes para fazer jus ao momento épico que foi presenciar ao vivo a subida de saadhak, Less, aspas, cauanzin, tuyz e fROD, que faria toda a arena tremer dos pés a cabeça - e eu juro que não estou exagerando.
Cada ponto conquistado pelos brasileiros gerava uma comemoração que podia ser escutada e sentida de cada canto do ginásio. Sério, se você ainda não teve a chance de estar em meio a essa torcida em um campeonato, aproveite a próxima oportunidade.
Um show de VALORANT e de carisma
Em questão de nível competitivo, o LOCK//IN foi insano e curioso em alguns casos. Com diversas mudanças de elencos e do meta, foi no mínimo interessante ver a adaptação das equipes para os novos estilos de jogo e entender como o meta foi incorporado pelos representantes de cada região ali presentes.
O @tixinhadois entrevistou os campeões da @FNATIC direto do palco!#VCTLOCKIN
— VALORANT Esports BR (@valesports_br) March 5, 2023
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Além disso, aliado ao show dado pela plateia, os jogadores que participavam do campeonato e também aqueles que disputam o Challengers brasileiro estavam preparados para abraçar a comunidade brasileira nos arredores do Ginásio.
Meet & Greets, lojas e o carisma fora e dentro do palco foram essenciais para realizar o sonho de muitos fãs, além tornar a experiência ainda mais inesquecível do que já foi.
Começo bom, mas com problemas
Não vou ser hipócrita e falar que o campeonato foi perfeito. Pegamos como exemplo aqui uma crítica muito replicada pela comunidade: o formato de eliminação única, ou seja, perdeu tá fora. Concordo com gênero, número e grau que a eliminação dupla seria melhor, mas para o que o LOCK//IN se propôs a fazer, a eliminação única não foi o pior dos males.
Aqui, acredito que caiba uma crítica ao já citado acima calor excessivo dentro da arena, que contou com poucos ventiladores para o tanto de pessoas que comportou - com alguns até mesmo quebrados, pelo que pude observar enquanto andava pelo Ginásio. Às vezes, parecia que o Phoenix tinha saído do jogo e usado sua Labareda em volta do ginásio.
Em relação à torcida, minha única crítica fica para a proibição de instrumentos musicais. Depois de ver o show dado pelas organizadas no Major do Rio, seria interessante (e muito mais emocionante) ver toda a alegria brasileira ecoar pela construção através da música, que também é algo marcante da cultura verde-amarela.
Essa entrada do time da @LOUDgg foi simplesmente de arrepiar!! Ginásio do Ibirapuera tremendo todo 🔫 #VCTLOCKIN pic.twitter.com/5jffae78MW
— ESPN Esports Brasil (@ESPNEsportsBR) March 4, 2023
Também temos a questão da segurança do evento, que fez com que alguns jogadores tivessem seus equipamentos furtados ao longo do mesmo. É imprescindível que um evento do tamanho do LOCK//IN traga toda a segurança possível para aqueles que estão para acompanhar o evento, assim como para aqueles que estão ali para dar o show que a torcida quer ver.
Até então, nunca tínhamos visto problemas como esses acontecerem nos campeonatos do FPS em outros países.
Para finalizar, também tivemos alguns preços bem altos para alimentação ao longo do evento nas praças montadas ao redor do Ginásio. No entanto, acredito que reclamar disso seja chover no molhado, uma vez que o preço ofertado é bem parecido com aquele de outros eventos.
Chutando a porta com o pé direito
Apesar de sofrer com alguns desses problemas, na minha visão o evento foi um sucesso de muitas maneiras. Não só ele coloca o Brasil no mapa da Riot Games para campeonatos futuros, seja para League of Legends ou para o VALORANT - como já foi revelado pelo Leo Faria em entrevista ao ESPN Esports Brasil -, como também cumpre tudo o que se propôs a fazer desde o começo.
Com a intenção de apresentar ao mundo inteiro as 30 equipes que estamparão as Ligas Internacionais, o tempo e confrontos do evento foram mais que suficientes para trazer um gostinho do que poderemos ver nos próximos meses e matar a saudade de algumas rivalidades, como a da LOUD contra a base da NRG.
É apenas o começo. O VCT Americas vem aí. O Challengers BR continua. Ainda neste mês temos Game Changers Series. Vamos juntos, sempre!
— VALORANT Esports BR (@valesports_br) March 5, 2023
Para ler o resumo do dia e assistir aos VODs, acesse: https://t.co/eEL2boRMVI
No fim, é como eu disse ao Líder de Esports da Riot Games no Brasil, Caco Antunes, durante um papo na sala de imprensa. Sempre tive a opinião de que nenhuma outra modalidade de esports passava a mesma emoção que o CS:GO traz em seus campeonatos. Isso, até esse sábado.
Ver a LOUD subindo no palco, a torcida sendo o sexto jogador da equipe, o Ginásio do Ibirapuera tremendo com cada jogada bonita executada e os sorrisos involuntários que surgiam no meu rosto ao ver tudo isso acontecendo mudou completamente minha opinião.
Lógico, por enquanto foi a primeira vez que acredito que o VALORANT conseguiu chegar a esse ponto, mas mostra um futuro brilhante. A Riot Games sabe como contar uma história, criar um evento e trazer emoção para o seu público, é só ver o que já foi feito com o LoL e o que começou a ser feito com seu irmão mais novo.
Aprendendo com os erros e reforçando os pontos positivos, acredito que o FPS tem possibilidade de ir além e apresentar campeonatos ainda mais insanos do que aqueles trazidos pela Valve para o CS:GO.
Três anos depois de seu lançamento, parece que agora sim o VALORANT está pronto para dominar o mundo e a Riot sabe disso.
