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Jéssica Liar fala sobre problemas com créditos em fotografias: "É importante saber quem faz esse trabalho"

A fotógrafa já fez trabalhos para a LBFF, Sharks e personalidades do cenário de esports Bruno Alvares

O que seria de um texto sem que pudéssemos colocar uma foto em meio aos parágrafos para dar um respiro ao leitor e não só isso, mas também ilustrar aquilo que está sendo comunicado e por sua vez também contar uma história?

“A foto diz muito, mas ela acompanhando um texto diz mais. O próprio texto acompanhado de uma foto diz mais”, é o que fala a fotógrafa Jéssica Liar em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

A verdade é que seria um texto sem graça. Passaria uma sensação de que falta algo naquele e de que alguma coisa poderia ser adicionada para complementar toda aquela bela história (ou uma notícia quente), tornando-a mais atraente e completa. É isso que a fotógrafa paulista da zona norte de São Paulo busca trazer, imagens que possam dar mais vida aos conteúdos produzidos, seja pela mídia, por organizações, enfim.

Vinda de anos inserida no mercado de fotografia (e tudo que engloba captação de imagens) para criação de conteúdo, a entrada de Jéssica Liar no mundo dos esports foi algo que aconteceu de forma orgânica.

Viu potencial de criar conteúdos naquilo que assistia apenas por hobby e percebeu que esse passatempo poderia se tornar muito mais; comprou equipamentos de estúdio para tornar um único cenário em qualquer cenário e começou sua caminhada dentro dos esports. O “único” obstáculo era a falta de campeonatos presenciais por conta da pandemia.

“O Foca (Bruno Alvares) me chamou no Instagram. Eu não abri a mensagem e demorei um tempo pra responder ele porque estava nervosa, foi no momento que respondi que pensei: ‘Isso pode mudar tudo’. A gente conversou sobre a ideia de fotografar a LBFF, ele perguntou se eu gostei da ideia e é claro que eu curti. Eu desliguei a ligação e falei: ‘Se isso der certo vai ser muito louco’”, lembra sobre como começou a fotografar nos esports.

A ajuda de ídolos como Melão, Nicolino e o também fotógrafo Bruno Alvares, que posteriormente se tornaram grandes amigos, foi o empurrão necessário para que Jéssica começasse a entrar cada vez mais no mundo dos esports com a pegada de não só colaborar com fotos para ilustrar os grandes momentos, mas também de ajudar aqueles que precisassem melhorar a forma como criam conteúdo.

Sua chegada aconteceu em um momento necessário, mas também complicado para um fotógrafo. Afinal, como se fotografa, por exemplo, times comemorando e lamentando suas partidas em um campeonato que nem sequer existiu presencialmente por conta da pandemia?

“O Foca entrou em contato comigo justamente porque sabia que eu trabalhava com criação de conteúdo também e que isso ia ser essencial nesse momento por causa da criatividade, por conta de se relacionar bem com qualquer tipo de pessoa que eu for fotografar e por estar animada também, No final você tem que tirar animação deles do ar, porque não existe um campeonato rolando no momento ali”, lembra de sua experiência fotografando a LBFF.

“O Bruno é expert em campeonato e eu entrei na vibe junto. Sei lá, é uma coisa que acho que já faz parte de mim essa criação de conteúdo porque já faz muito tempo que eu trabalho com isso. Então eu consigo ver as pessoas ali dentro além dos jogadores, essa que é a ‘dificuldade’ maior: ver qual é o carisma, o medo, a expressão, o que ela está sentindo e conseguir expressar na foto”, completa.

Em meio a toda a dedicação para trazer bons conteúdos e em menos de um ano dentro do cenário, Jéssica já se depara com problemas que assolam não só a fotografia, mas a criação em conteúdo no geral: a falta de crédito.

FOTO: DIVULGAÇÃO

Recheando e complementando matérias, tweets, vídeos e todo tipo de conteúdo, é comum vermos hoje em dia fotos nos mais diferentes meios de comunicação sem créditos àqueles que produziram o conteúdo.

Ao invés de trazer o nome do profissional que fez aquele registro, as mesmas carregam apenas uma palavra que não diz muito: divulgação. Hoje, o problema é levado por Jéssica em seu twitter e também em jogos - pessoas já a reconheceram dentro de jogo apenas por conta do seu nick -, através do uso do nome “Foto: Divulgação” e também de cobranças pelos créditos corretos.

É como um protesto, como uma forma de mostrar que ela (assim como outros fotógrafos) é aquela divulgação que tanto recebe créditos e ao mesmo tempo de reivindicar aquilo que deveria ser o básico.

“Hoje a gente não pode mais encarar a fotografia como só uma fotografia. Ela é um conteúdo e a gente precisa saber quem é a pessoa que vai conseguir imprimir esse conteúdo. Eu, que gostava de LoL, demorei três anos para conhecer o Foca porque ele é low profile e as pessoas não colocam o crédito”, comenta sobre o problema de não receber crédito por suas fotos.

“É importante saber quem faz esse tipo de trabalho, porque se alguém quer uma foto sensual não é comigo. Assim como se você quer imagem de campeonato é com o Foca, agora se você quer combinar esports com conteúdo, sou eu. Então isso também faz parte do conhecimento não só do nome, mas é parte do reconhecimento mesmo, entende?”, adiciona.

A Jéssica quer o reconhecimento? Sim, todos querem ser reconhecidos pelo trabalho que produzem, afinal um jornalista por exemplo não gostaria de ver seu texto sendo publicado sem o devido crédito. Mas a mesma também deixa claro que é muito mais do que isso, “é sobre fazer o cenário todo entender que se você quer foto de tal forma, é aquela pessoa que você tem que contratar”.

Existem muitas formas de fazer com que esse problema que tanto afeta os profissionais da fotografia (e também muitos outros, como ilustradores por exemplo) seja resolvido. Mas para a fotógrafa a união entre as partes é o melhor jeito de seguir com esse objetivo.

“Primeiro de tudo é a gente trabalhando junto, eu não pretendo processar absolutamente ninguém. Não é meu rolê, eu quero trabalhar junto (...) No final eu acho que é sobre trabalhar junto mesmo, tá todo mundo no mesmo barco, vamos fazer uma coisa legal sabe?", fala sobre como esse problema pode ser combatido.

A busca pelo reconhecimento e a caminhada pela evolução do profissionalismo no cenário de esports em todos os quesitos é árdua, mas é algo que Jéssica está disposta a correr atrás. Afinal, faz o que ama e seu único propósito é ajudar no crescimento deste.

Texto por: Autor.