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CSGO: Lucaozy fala sobre momento da Sharks e bootcamp na Europa: 'jogamos contra os melhores do mundo'

A equipe da Sharks é uma das classificadas para os playoffs do CBCS Elite Season 1 Rafael Veiga/Draft5

Se você é fã do Counter-Strike brasileiro certamente já ouviu falar na Sharks. A organização portuguesa se consolidou no cenário brasileiro como uma das principais equipes ao conquistar bons resultados nos últimos anos e manter-se no topo do cenário tupiniquim e nessa última semana se classificou para os playoffs da CBCS - evento RMR que dá pontos para o Major de Estocolmo.

Apesar de toda a boa performance mostrada dentro dos servidores brasileiros, o plano da organização, assim como de todas as outras, é dominar o mundo e se tornar mais uma potência mundial dentro da modalidade.

Para isso, desde o início o plano da organização era deixar o oceano brasileiro que não comporta mais tubarões do tamanho dos seus - e tampouco oferece uma grande oportunidade de crescimento - e rumar a um novo onde os mesmos possam crescer e buscar novas presas, mais precisamente: se instalar no Velho Continente e jogar com os melhores.

“Nosso plano nunca foi ficar no Brasil, ano passado ficamos no Brasil devido a pandemia e nesse ano nossa ida à Europa seria permanente. O bootcamp foi muito importante pra gente porque com ele treinamos contra os melhores times do mundo”, comenta Lucaozy em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

Os tubarões tiveram de se adaptar ao novo ecossistema e à cadeia alimentar ali inserida, afinal, predadores de certa forma desconhecidos ficam à espreita esperando o momento certo para dar o bote. Não só isso, tiveram que se adaptar a um novo membro dentro de seu plantel que retornou para preencher o vazio deixado por exit: pancc.

Apesar de exit ser um jogador excelente aos olhos de Lucao, que não se contém nos elogios quando fala de seu ex-companheiro - rendendo até comparações a Xyp9x, jogador da Astralis -, o jogador acredita que pancc se encaixe melhor com a equipe.

“O pancc também é um jogador muito bom e tem qualidades diferentes do exit, ele joga mais em grupo e é um cara mais comunicativo. Individualmente ele é ou pode ser tão bom quanto o exit, então a gente não sentiu muito [a saída do exit]. Dentro do nosso time, acho que o pancc pode agregar mais do que o exit agregava”, analisa o jogador sobre a saída de exit.

O período de treinamento na melhor região do mundo foi muito importante para a evolução dos jogadores e também para o time em si, segundo Lucao.

FaZe, Vitality, Na’Vi, BIG, Endpoint e outros foram alguns dos peixes grandes que tiveram de enfrentar durante sua estadia no continente europeu e mostrando a eles todo o potencial das espécies brasileiras, arrancaram bons resultados e aprenderam muito como se movimentar por aquele território.

“Nosso resultado foi positivo contra vários times. A gente percebeu que consegue bater de frente com os caras, não é uma realidade tão longe, e o lado do aprendizado é que os caras são muito inteligentes. Você vê que tudo que eles fazem tem um porquê, eles jogam xadrez no servidor", relembra o jogador sobre o período de bootcamp.

Entretanto, apesar de toda a vontade de continuar explorando o cenário e encontrando os mais diversos predadores, “alguns convites para jogar campeonatos muito bons aqui no Brasil” fizeram a equipe ter de tomar a difícil decisão de voltar para o território brasileiro.

Faltando uma semana para o início da CBCS, os tubarões resolveram retornar ao Brasil mesmo com todo o medo de não poder voltar para a Europa por conta da pandemia que acompanhava essa decisão. Ficar por lá e disputar os eventos RMRs da região era uma opção, mas talvez não a mais inteligente uma vez que “lá é o continente mais difícil do CS”.

O ÁRDUO CAMINHO ATÉ O TOPO

A caminhada de Lucaozy no cenário competitivo ainda é recente. Adentrando no mesmo em meados de 2018, o jogador passou por algumas equipes antes de realmente começar a se moldar dentro dos canis da Detona, menos de um ano depois de começar sua jornada.

Desde então o jogador vem se provando dentro de jogo, seja alcançando bons resultados com os Pitbulls ou se revelando como uma importante peça para a organização portuguesa da Sharks. Assim como um verdadeiro tubarão que só consegue ir para frente, a evolução do jogador nos últimos anos tem sido contínua.

“Eu venho tendo uma evolução constante muito boa. Quando entrei na Detona eu me considerava um jogador médio para ruim, acho que eu era um cara que precisava aprender muito e era cabeça dura para algumas coisas. O tempo foi passando e fui tendo algumas conversas com o Rikz e o Tiburcio, e fui vendo que aquele não era o caminho. Fui evoluindo e eles me ensinaram muitas coisas. Desde essa época acho que só to em evolução”, observa.

Hoje, o jogador encontra-se em solo brasileiro ao lado do resto da Sharks disputando o CBCS para garantir pontos para o Major e já se classificou para os playoffs ao ganhar suas três partidas contra SWS, Havan Liberty e MIBR. No último ano, provaram ser uma das grandes equipes do cenário brasileiro e agora querem chegar no Major para reproduzir esse sucesso pelo mundo; e a Sharks talvez seja a organização para isso.

“Desde que entrei na Sharks eu não passei necessidade alguma, a organização é incrível e só tenho a agradecer pelo suporte que eles dão (...) O nosso técnico Coachi é um ex-jogador do 1.6 muito experiente, se a gente for chegar no topo ele, e o nosso capitão Jnt, vai ser uma peça fundamental. São duas pessoas que acho extremamente importante para o time”, observa sobre como a organização pode ajudá-lo a chegar no topo.

Apesar dos grandes nomes dentro da competição, provavelmente a equipe favorita para levar o campeonato é a MIBR, que após passar alguns meses competindo na Europa optou por voltar ao Brasil para disputar o RMR por aqui.

Acostumados a carregar o peso de serem a equipe favorita em alguns campeonatos, a Sharks chega mais leve para o campeonato, com aquela sensação de que tirou algo das costas, e também muito mais preparada.

A transferência dessa expectativa para a MIBR é algo que tranquiliza a equipe: “Todos os campeonatos que a gente jogava no Brasil nós sempre fomos os favoritos e tínhamos esse peso em cima, acabamos não jogando muito bem esses torneios e ficamos mal por causa disso. Então esse peso de não sermos favoritos é um fator que pode ajudar muito a gente”.

E isso se mostrou com as vitórias nos primeiros confrontos da equipe no campeonato e apesar dessas, o jogador mantém-se humilde e sabe que isso não pode subir a cabeça. O caminho ainda é longo e com muitos concorrentes prontos e dedicados em abocanhar um lugar em meio aos primeiros lugares.

O foco é manter-se atento às ameaças que espreitam o complicado ambiente do campeonato e continuar sempre indo para frente, sem que o rendimento da equipe caia após algum tempo.

“Não tem mais time bobo no Brasil. Tem que ter isso na cabeça, não se achar superior a ninguém e fazer o nosso trabalho, que estamos muito confiantes. Se vamos conseguir render o campeonato inteiro é uma preocupação nossa porque todas as vezes que voltamos da Europa passa um mês o rendimento começa a cair porque o nível de treino não é bom. Mas já estamos com um plano pra não acontecer isso”, comenta o jogador.

O próximo compromisso dos tubarões é nos playoffs da CBCS Elite, que tem início previsto para o dia 13 de maio. A equipe aguarda os próximos confrontos do campeonato, que decidirá qual equipe a Sharks enfrentará.