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Renascidos das cinzas: Jogadores da paiN discutem a trajetória da equipe no CBLoL

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Djoko fala sobre os principais erros e acertos da paiN no jogo contra a LOUD (4:06)

O técnico também comenta sobre o amadurecimento da equipe (4:06)

Após baixos e altos durante a fase regular, a paiN Gaming avançou durante o primeiro split das franquias de 2021 em meio a muitas dificuldades e agarrou sua vaga na grande final do CBLoL ao deixar grandes equipes como LOUD e Flamengo pelo caminho durante os playoffs. Agora os tradicionais se preparam para enfrentar adversários ainda mais vorazes.

Voltando um pouco no tempo, a equipe sofreu uma dura derrota na grande final do segundo split de 2020 e com isso uma esperança passou a pairar sobre a cabeça da equipe de que, no próximo ano, tudo seria diferente. Fariam diferente. Para isso, buscaram mudanças e contaram com o reforço de um dos melhores jogadores com quem brTT já fez dupla durante sua carreira: Luci.

Um elenco formado por nomes de peso que já havia mostrado seu potencial no passado e que, apesar de não ser tão bem visto pela comunidade, chegava para o primeiro split de 2021 com uma nova adição para que aquele resultado não se repetisse. Até o momento, em partes deu certo - mas talvez não do jeito que queriam.

“A gente teve sim dificuldade para se adaptar [à mudança de suporte]. Quanto a esse processo, em nenhum momento os outros quatro jogadores deixaram de ter a base que tinham desde o split passado, então isso foi fundamental para que a gente conseguisse inserir o Luci no time (...) foi realmente um período de adaptação que levou tempo e bastante treino”, relata Dionrray em entrevista com a imprensa.

A paiN Gaming desde sempre contou com talvez a torcida mais apaixonada dentro do cenário de LoL. Quando a equipe está bem, o apoio é gigantesco, mas quando não está, aí é um pouco mais complicado. Já não bastasse a performance ruim, os jogadores ainda tiveram que enfrentar duras críticas vindas não só de analistas e especialistas, mas principalmente daqueles que sempre estiveram lá torcendo, na vitória ou na derrota.

Mas as críticas não eram infundadas e sem sentido, o próprio plantel que representa a organização dentro do Rift tinha noção disso, segundo o técnico. Se não conseguiam satisfazer nem a si mesmos com seu desempenho, como satisfariam seus fãs?

“Foi diferente pra ser sincero [sentimento de ser o underdog], normalmente eu jogo nas equipes que são as grandes cotadas e chegam muito hypadas. Nesse split a gente era uma dessas no começo, só que não estávamos conseguindo performar tão bem (...) pra ser sincero eu não acho que mudou tanto, a cobrança que vem é mais interna na minha visão e a gente estava se cobrando bastante”, conta Robo.

E assim passaram diversas rodadas a fio, sem conseguir mostrar do que eram capazes, sem fazer jus às expectativas colocadas na equipe. Com dificuldades em aplicar tudo aquilo que treinavam dentro dos jogos que realmente importavam e aos poucos as expectativas abaixaram. Foi quando todo mundo menos acreditou neles, que deram a volta por cima.

O LONGO PROCESSO DE MELHORIA

A partir do segundo turno, onde cada equipe enfrentaria todas as outras novamente, parecia que algo tinha clicado. Lentamente, mas de forma contínua, a equipe passou a mostrar uma grande evolução dentro dos servidores - não à toa chegaram até a final do campeonato.

Passaram por poucas e boas para finalmente resgatar aquela esperança de fazer diferente e agarrar aquele troféu que escapou de suas mãos no último ano contra a INTZ. O adversário agora é outro, mais especificamente a Vorax.

Uma equipe que também passou por mudanças, mas não por tantas dificuldades. Diferente daquela equipe do último ano, agora com novas peças, a Vorax se desprendeu de um estilo de jogo manjado e hoje abre um leque de alternativas muito maior.

Se tornou uma equipe “bem mais versátil do que a galera costuma achar”, segundo Dionrray, e hoje espera os Tradicionais do outro lado do mapa nas grandes finais. Mais evoluída, mais entrosada e, assim como a adversária, disposta a mudar o resultado passado e se vingar da derrota que veio pelas mãos da própria paiN Gaming nas semifinais de 2020 - enquanto ainda atuava como Prodigy.

“Vai ser questão de planejamento, de adaptação na melhor de cinco. Ao passo que eles são uma equipe com bastante variedade estratégica, a gente também é, então vai ser meio que uma disputa de xadrez. Ver como cada equipe vai chegar no dia, começar a série, se adaptar ao longo dela”, observa o técnico sobre a série das finais.

Durante as semanas, a paiN vem tentando se desvincular da ideia e até mesmo um fato de que, quando Tinowns não está bem, a equipe não vai pra frente. Aliás, isso foi um fator que foi aproveitado durante a grande final de 2020 pela INTZ para garantir o título.

No entanto, hoje talvez essa estratégia não funcione tão bem quanto antes, devido a toda a trajetória tortuosa enfrentada pela equipe durante o split e a chegada da psicóloga Luciana, além de é claro todo o trabalho dos próprios jogadores de tentar não ser tão dependente do mid laner.

“Tanto o trabalho com a nossa psicóloga quanto essa trajetória que a gente teve ao longo do split fez com que a gente amadurecesse bastante como equipe principalmente. Acho que estamos preparados para muitas adversidades (...) nossa trajetória de um modo geral trouxe bastante experiência e resiliência para o nosso grupo, então vejo a gente muito mais preparado pra essa grande final”, observa Dion sobre o momento da equipe.

Parte desse processo foi evidenciado durante a semifinal contra o Flamengo, que teve Cariok como um dos pilares para a vitória dos Tradicionais. O caçador de forma agressiva abriu espaço dentro do mapa e tornou os jogos um pouco mais fáceis para seus companheiros, apesar do 3 a 2.

DE OLHO NA SÉRIE FINAL

Neste fim de semana o caçador carioca enfrenta um adversário que mostrou estar em um ótimo momento, assim como a equipe: Yampi. E não só isso, uma equipe muito mais coordenada, onde jogadas agressivas não passarão com tanta facilidade como outrora.

“Contra o Yampi, eu acho que ele está sendo um ótimo caçador, um dos melhores nesse CBLoL. É complicado jogar contra eles, eles jogam muito certinho em time e é sempre muito coordenado, eles costumam não errar muito (...) vou ter que fazer invasões mais pensadas”, observa Cariok com ciência dos desafios a frente.

Em sua segunda final, o caçador divide o objetivo de chegar ao topo com jogadores mais experientes, por exemplo: é a décima segunda participação em playoffs de Robo e sua sexta grande final do campeonato.

Muitas dessas conquistas do top laner foram ao lado de brTT, um dos maiores nomes do cenário que, mesmo que não esteja em sua melhor forma, faz questão de mostrar à comunidade que ainda tem muito o que mostrar e hoje marca em sua carteirinha a presença em sua nona final do CBLoL.

“Conheço ele muito, basicamente em todos os times que jogamos juntos a gente foi pra final. Sem dúvida nenhuma ele é um cara que se entrega muito, ele se importa muito com todo mundo que está em volta dele, é um cara que se entrega demais e bem sentimental (...) É um cara que sempre busca a vitória acima de tudo e é uma coisa que a gente tem em comum, acho que por isso nossa dupla deu tão certo em tantos times diferentes”, conta Robo.

Robo está mais confiante do que nunca e encara essa final especificamente com uma atenção especial. Hoje em um formato diferente do que anteriormente, o MSI - evento internacional de meio de ano - se tornou ainda mais atrativo para as equipes.

“Estou levando com muita importância essa final, eu diria que pelo formato que o MSI vai ser esse ano - onde a gente já vai jogar diretamente contra os melhores times do mundo, sem ter os play-ins -, isso me deu um gás muito grande. Antes, querendo ou não, você ganhava o CBLoL e se classificava para jogar a fase de entrada que é com os outros times de regiões teoricamente fracas. Agora ter a chance de jogar diretamente com o campeão da Europa já é uma coisa muito grande (...) e eu tô encarando essa final com muita seriedade porque eu quero muito jogar contra eles [os melhores do mundo]”, comenta Robo sobre sua vontade de ir ao evento.

Em sua quinta final ao lado do lendário atirador, Robo busca ao lado de seus companheiros agarrar o troféu de campeão e ir para a Islândia enfrentar os melhores do mundo. A decisão da grande final acontece neste domingo (18) em uma série melhor de cinco entre as equipes e as partidas serão transmitidas nos canais oficiais da Riot Games a partir das 13h.