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Free Fire: 'Me deu um medo absurdo', confessa K9 sobre momentos antes da decisão da LBFF 4

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"Acho que era um pouco de nervosismo sim", conta K9 sobre começo ruim da Fluxo na LBFF4 (2:24)

O treinador fala sobre como a experiência dos veteranos ajudou a superar a fase ruim (2:24)

Equipe nova no competitivo, a Fluxo surpreendeu o cenário ao ser anunciada como a mais nova participante da LBFF. Recém-criada, mas já coroada. Em seu primeiro campeonato oficial no battle royale da Garena, a equipe garantiu o título ao deixar a LOUD para trás através do critério de desempate - título extremamente suado.

A chegada da equipe no cenário foi recebida com o famoso hype da torcida, afinal era uma equipe formada por dois dos maiores influenciadores de Free Fire: Nobru e Cerol. Com um começo abaixo do esperado, a frase “muito hype e pouca bala” se tornou uma constante quando o assunto era a equipe no campeonato.

“Tinha aquela coisa de ‘Eles podem sentir pressão, eles podem ficar nervosos’ e realmente ficaram um pouco no começo, querendo ou não eles tão jogando em uma organização gigante com a torcida que o Nobru tem, que o Cerol tem”, conta K9, treinador da Fluxo, sobre a pressão nos jogadores de representar a equipe em entrevista ao ESPN Esports Brasil.

“Você não começa bem, você se põe em cheque ‘Será se eu sou bom? Será que eu tô decepcionando os caras?’, eles tinham muito esse pensamento no começo quando as coisas começaram a dar errado”, completa.

O trabalho para evitar que esse pensamento continuasse foi longo, mas extremamente compensador. Preparados para esse momento difícil, a equipe passou pelo mesmo com os veteranos aplicando todos seus anos de bagagem para ajudar os novatos.

“A gente estava pronto pra isso, a equipe sabia que ia ser assim, os mais veteranos também e a gente tentava passar pra eles que o crescimento ia acontecer gradativamente; e foi o que aconteceu”, observa o treinador natural de Paripiranga, na Bahia.

As semanas foram passando, as quedas foram acontecendo e a evolução não parou. O nervosismo abaixou e finalmente o elenco passou a mostrar seu valor dentro dos servidores, a equipe finalmente “engrenou, e dava show! Era o que mais pontuava por rodada, que mais fazia eliminações e a torcida empolgou”.

Aliás, K9 considera esse apoio da torcida como extremamente importante para essa evolução. “No começo a torcida não ficava dando bronca ou duvidava dos meninos quando começaram mal, pelo contrário, tiveram muita paciência e apoiaram porque sabiam que era o começo de um time novo com jogadores que estavam começando agora”.

A DISPARADA

O começo lento no campeonato foi logo deixado de lado e nas semanas seguintes os espectadores presenciaram uma equipe da Fluxo totalmente diferente. Mais confiante, mais encaixada.

A preocupação dos entusiastas era sobre o fato do dono do time, Nobru, fazer parte da equipe. Como seria a liderança? Como seria resolvido caso o chefe tivesse uma queda de rendimento e tivesse que ir para o banco? Para responder isso, K9 elogia todo o planejamento do projeto.

“Querendo ou não, o dono do time jogar é uma pressão; só que o Nobru é muito transparente (...) Tem que ter uma organização, todo um planejamento. Saiu da sala de treino, ele cobra como dono. Dentro da sala a cobrança é minha (treinador), depois o Japa que é o capitão do time e depois o Nobru. Foi tudo muito bem feito tanto da parte dele quanto da nossa, foi um dos fatores primordiais para o título”, avalia K9.

Logo, o planejamento se pagou: garantiram a vaga nos playoffs e disputaram com outras 11 equipes o título do torneio. Começaram bem, mas o final foi complicado - tanto dentro de jogo quanto fora.

Com a LOUD encostando na pontuação da tabela, cada vez mais o lugar ao trono era ameaçado e a decisão de quem levaria o título para casa ficou apertada. A decisão ficou nas mãos da própria LOUD: um Booyah mudaria totalmente a história.

Três anos de Free Fire, quatro vice-campeonatos. Desacreditado, naquele momento todo o caminho percorrido pelo treinador para chegar onde chegou passou como um filme em sua cabeça. “Será que vou ser vice de novo?”, se perguntou. Para a felicidade do baiano, esse final trouxe uma resposta diferente.

“Eu gelei e me deu um medo absurdo, fiquei fazendo conta na cabeça e tal; eu achava que a gente não ia conseguir. Depois que o God se abaixou na árvore eu pensei ‘agora vai!’ e fiquei confiante, mas durante dava um frio enorme e um flashback de ‘eu não posso ser vice de novo’”, relembra K9 sobre os momentos antes de se tornar campeão.

RUMO À SINGAPURA

Aliviados com a conquista depois de longos meses batalhando para evoluir e conseguir alcançar o topo, a equipe agora tem tempo para descansar; mas não muito. Levantar a taça não só garante o título de melhor equipe brasileira, mas também garante a vaga para o Free Fire World Series Singapura.

“Nessa semana vamos descansar um pouco, espairecer a mente porque é muito pilhado, são dois quase três meses ali de segunda a segunda jogando. Vamos tirar alguns dias pra descansar e depois vamos voltar a nossa rotina de treino normal”, conta o treinador.

Conhecer um novo país, uma nova cultura, jogar em outro servidor e com um meta diferente. Não só isso, voltar a jogar presencialmente, cara a cara com seus maiores adversários.

O preço para isso é caro: 10 a 14 dias isolado em um hotel no Brasil, depois a equipe viaja e quando chegar em Singapura mais 14 dias de quarentena dentro de um quarto. É complicado, nunca foi fácil, mas extremamente necessário para manter a integridade do torneio e não correr riscos.

“Todo mundo quer jogar um presencial, se o preço é esse, estamos de acordo. Até porque todo mundo tá vendo a situação que está o mundo, o país e acho muito justo. A gente tá confiante, queríamos jogar isso e viajar”, conclui.

A equipe campeã volta a entrar nos servidores durante o mundial de Free Fire de 2021, que começa no dia 22 de maio e vai até o dia 29 do mesmo mês. Os jogos serão transmitidos normalmente através dos canais oficiais do jogo.