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Testamos: Mais divertido e próximo da realidade, MLB The Show 21 aposta na multiplataforma

Há uma dicotomia entre as grandes produtoras de videogame: aumentar o número de vendas de um jogo ou fazê-lo de “exclusivo” para que as pessoas comprem seu console? Sony e Microsoft fazem esse malabarismo há algum tempo, só que há alguns sinais que a indústria parece mudar de opinião – e um dos pioneiros neste aspecto é um simulador de esportes.

Enquanto Horizon Zero Dawn foi desenvolvido para o PlayStation 4 e lançado também para PC e há o mistério ser a Microsoft fará das séries Fallout/The Elder Scrolls (ao adquirir a Bethesda) exclusiva para seu Xbox, a Sony ousou: um jogo seu, exclusivo em gerações anteriores, agora é multiplataforma.

“Estamos felizes em poder levar o beisebol para mais pessoas”, disse Ramone Russell em entrevista especial ao ESPM Esports Brasil nesta semana. Russell é uma espécie de porta-voz de MLB The Show 21 – além de estar envolvido no design do game.

APOSTA EM MULTIPLATAFORMA É SÓ O INÍCIO PARA A NOVA GERAÇÃO

Além da grande novidade em termos um jogo de beisebol para os novos Xbox, a San Diego Studios aposta num “mini Minecraft” para os amantes da modalidade. Trata-se das opções de personalização dos campos por parte do jogador.

Diferente do futebol americano, os estádios de beisebol são quase entes vivos e muito diferentes um dos outros. Há um limite mínimo e máximo quanto a comprimento dos campos no jogo e eles variam bastante. Este fator acaba se tornando um ponto estratégico, que afeta a montagem do elenco para que atenda às necessidades que o campo requer.

Um bom exemplo é o New York Yankees (https://www.espn.com.br/mlb/time/_/nome/nyy/new-york-yankees), cujo estádio tem seu campo direito mais curto do que a média da liga. O que os Yankees sempre gostaram? Rebatedores com capacidade de mandar a bolinha com frequência para lá – o que ajuda nos Home Runs.

Há dois anos em desenvolvimento, o modo Stadium Creator permitirá que os fãs possam construir seu estádio dos sonhos. Ele estará disponível apenas na nova geração (PlayStation 5 e Xbox Series S/X) – por conta do mínimo de hardware para que possa funcionar.

“É um jogo dentro do jogo”, disse Ramone Russell. O NBA 2k já há algum tempo tem essa possibilidade, mas com ginásios “pré-moldados”. O Madden NFL passa longe de qualquer recurso do gênero. O MLB The Show pode estabelecer o paradigma para tanto. Essa é a única novidade – para além das questões gráficas, como os 60FPS, que é exclusiva da nova geração.

O modo não é novidade nos games, dado que esteve presente em antigos lançamentos, como o lendário MVP Baseball 2005, último lançamento da EA para o gênero. Com a capacidade gráfica e o estado da arte da década de 2020, porém, é algo que realmente deve ser uma atração à parte no game.

TRAZER MAIS FÃS AO BEISEIBOL VIRTUAL FOI PRIORIDADE

Levar o jogo para os consoles da Microsoft não foi a única coisa que o San Diego Studios pensou para MLB The Show 21. Além disso, há um novo modo de jogo “casual” para aqueles que querem mergulhar no esporte e aprender mais sobre o beisebol. Certamente quem já ama RPGs vai adorar, aposto nisso – não é por acaso que ambos são extremamente populares no Japão, aliás. “A inteligência artificial não estará tentando te vencer, você terá guias do que fazer na jogada”, disse Russell.

Para além do modo casual – que não elimina a “simulação” ou a veia “competitiva” – também é novidade deste ano um modo de treino que permite a construção de cenários. Tem dificuldade de rebater bolas de curva? Gere um cenário no qual o arremessador só irá lançar esse tipo de arremesso.

MUDANÇAS NO GAMEPLAY FAZEM O JOGO AINDA MAIS DIVERTIDO E PRÓXIMO DA REALIDADE

Jogar no campo externo sempre foi uma frustração em simuladores de beisebol – problema que não era exclusivo da série da Sony, mas de outras que vieram antes.

O San Diego Studios já melhorou isso no ano passado, mas acrescentou alguns pontos no gameplay defensivo que fazem a situação da bola estar perto do muro muito mais jogável e menos frustrante. Roubar um Home Run com um bom defensor como Mookie Betts não é mais quase impossível como outrora – é bem menos travado e mais dependente de timing e da habilidade do usuário.

Outra mudança interessante é o pin point pitching. Em vez de apertar dois botões para arremessar como até então em 100% dos jogos de beisebol, agora você tem que desenhar um padrão na tela para cada arremesso. Lembra muito o destrave de tela nos celulares Androids.

Obviamente, arremessos mais difíceis na “vida real” terão padrões mais difíceis no jogo – como por exemplo a slider ou a bola de curva. A bola rápida de 4 costuras, que praticamente não tem efeito e vai em linha reta até o rebatedor, é mais fácil de lançar. O novo modo de arremesso permite um input maior do usuário do que acontece quando está jogando na defesa/arremessando. Antes, como falei para Ramone na entrevista, era algo entediante. Agora a coisa muda.

Outras mudanças são esperadas, como uma melhora no modo Carreira – um podcast que conta a história de seu prospecto, por exemplo – e a possibilidade de usá-lo no Diamond Dynasty – o Ultimate Team do The Show.

No geral, as mudanças de gameplay são significativas e o que já era bom está melhor. O jogo em 60FPS no PlayStation 5 está um absurdo de lindo e realista. Será que o jogo vai estagnar e será difícil vende-lo como um lançamento anual? “Estamos sempre preparando novidades e muitas vezes lançamos features que a comunidade sequer esperava. Temos muitas coisas na cabeça”, disse Ramone.

MLB The Show 21 parece apenas o início de uma boa trajetória na nova geração. O jogo será lançado para PlayStation 4, PlayStation 5, Xbox One, Xbox Series S/X em 20 de abril de 2021.