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Opinião: O primeiro Valorant Masters brasileiro entregou um show; mas pode melhorar

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No último domingo (21) tivemos a grande final do primeiro Valorant Masters brasileiro, onde a Team Vikings garantiu a taça ao derrotar a campeã do First Strike, Gamelanders. Aliado às etapas do Challengers que classificaram as oito melhores equipes para o evento principal, o campeonato marcou o início da caminhada da Riot Games em estabelecer o cenário de Valorant como uma grande potência no mundo dos eSports.

Sem dúvidas existiram prós e contras nessa primeira investida. Em relação ao formato, três etapas do Challengers é uma boa quantidade para que as equipes tenham diversas oportunidades de se classificar para o evento principal do Masters, além do formato em que é disputado ser bom para os espectadores.

No entanto, a primeira fase parece não ter um propósito. Uma vaga garantida na segunda qualificatória mostra-se uma recompensa irrisória em meio a toda a preparação e estresse causado por essa etapa. Além disso, as premiações ainda se mostram pequenas - mas isso é algo que melhorará com o tempo e com o cenário ganhando mais evidência - e, para as equipes, o formato se mostra cansativo.

Seis semanas seguidas disputando o Challengers (mais os campeonatos realizados por outras empresas) e, caso se classifique para o Masters, mais duas semanas sem descanso. Isso é extremamente complicado para as equipes, não existe psicológico e corpo que aguente - principalmente quando a primeira etapa do segundo Challengers começa dois dias após a grande final do Masters.

Caso você queira entender melhor como essa decisão de formato impacta as equipes, recomendo um texto escrito pelo Katraka, técnico da Gamelanders, onde ele expõe a opinião dele sobre o assunto.

Talvez valha a Riot Games reavaliar o calendário e montá-lo de um modo que não afete tanto as equipes negativamente. Ser jogador não é apenas sentar em frente ao computador e jogar. O descanso é algo extremamente importante para a rotina de todo atleta e neste caso, não poderia ser diferente.

Sim, um calendário cheio ajuda no crescimento do cenário e tudo mais, não é o fim do mundo. Mas a longo prazo pode ser mais prejudicial do que benéfico para o cenário, e se existe uma forma de fazê-lo não ser tão estressante para as equipes, acredito que a opção deva ser avaliada.

No evento principal do Valorant Masters, o formato me agradou; mas ao mesmo tempo parecia que faltava alguma coisa. Realizado em formato de eliminação simples, as equipes possuem apenas uma chance dentro do campeonato de provar seu valor. Isso dificulta a criação de histórias de redenção e superação, e, principalmente, que equipes que estão em um dia ruim mostrem seu verdadeiro potencial.

Felizmente isso é algo que a Riot já buscou arrumar e anunciou que, para a etapa decisiva do Challengers que decidirá os dois representantes brasileiros do Masters de Reykjavik, o formato adotado será o de eliminação dupla, ou seja, com chave de vencedores e perdedores.

Dentro do próprio Masters, os times deram um show. Mas, novamente e assim como no First Strike, a mesa de narração foi uma atração à parte. Profissionais extremamente bem preparados, com experiência prévia em outros cenários, que chegaram para dar uma cara ao Valorant competitivo e tornar a narração mais leve. Eles se completam - e juntos criam uma ótima harmonia.

Pegando a dupla Nicolino (narrador) e Spacca (comentarista) como exemplo. Ao mesmo tempo que o narrador traz informações extremamente pertinentes e uma narração calorosa, o mesmo também traz uma descontração através de piadas. Enquanto isso, o comentarista traz uma sobriedade com seus comentários mais incisivos e sérios ao lado de análises certeiras sobre as partidas. Eles se complementam e criam um equilíbrio.

E o melhor de tudo? Esse é apenas um dos exemplos dos talentos presentes na mesa de transmissão.

Outro ponto que merece menção e elogios é a identidade visual e as músicas usadas nas transmissões e divulgações do campeonato. Além de serem bonitos, os designs limpos e simples trazem as informações necessárias e recheiam as telas acompanhados de músicas eletrônicas que completam perfeitamente o visual.

Quanto ao horário definido pela Riot Games para a realização do torneio, eu entendo, mas não gosto. Muitas vezes os jogos podem se estender até altas horas da noite caso todos os mapas sejam jogados; usando a grande final como exemplo, caso a série fosse levada ao quinto mapa, a mesma terminaria por volta das 1 da manhã de um domingo.

Entendo que de fim de semana é complicado, durante a tarde o CBLoL está acontecendo e a empresa não quer disputar público consigo mesma. Porém, realizar os campeonatos um pouco mais cedo durante a semana, ou até mesmo nos fins de semana, talvez seja uma opção melhor tanto para os jogadores, que podem treinar e descansar durante o fim de semana, quanto para os espectadores que não precisam assistir aos jogos até tarde.

Outra coisa que seria interessante ver é a Riot Brasil investindo mais na divulgação dos campeonatos, aproveitando com mais afinco o cenário consolidado de League of Legends para criar conteúdos que ajudem a divulgar os campeonatos e o cenário, mas principalmente através de co-streams com grandes streamers brasileiros, modelo que se mostrou muito efetivo no cenário norte-americano.

Pegando como exemplo a colaboração com Shroud para o Masters NA, o norte-americano atingiu um pico de 242 mil espectadores - cerca de quatro vezes mais que a transmissão oficial, segundo o portal Inven Global -; essa é uma ótima forma de introduzir o jogo a um público que antes não tinha tanta proximidade e contribui para o aumento na audiência.

Com o circuito, a Riot Games vem cada vez mais estabelecendo o calendário competitivo do Valorant e constantemente evoluindo. Em contrapartida, o cenário de Counter-Strike vem cada vez mais colecionando más decisões por parte da Valve e sinceramente? Boto minha mão no fogo ao falar que em poucos anos Valorant se tornará tão grande quanto o concorrente caso a Riot continue evoluindo e fazendo um bom trabalho, e a Valve siga com seus descasos.

No geral, assim como o First Strike, o campeonato foi muito bacana de acompanhar. Não, ele não foi perfeito. Não tem como acertar de primeira, ainda há sim pontos a se melhorar e tudo bem, ainda é o primeiro do ano. O importante é não ignorar as críticas e seguir evoluindo, para que um dia o cenário possa alcançar o patamar estabelecido por Counter-Strike e League of Legends.

Ou até mesmo ultrapassá-los.