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Volta às aulas nos games: fomos para uma escola que 'ensina' como jogar bem

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Criada em meio a uma pandemia e de um mercado que já conta com plataformas mais conhecidas como Playerlink e Gamers Club, a Rage Quit Academy surgiu em 2020 com a proposta de ser uma escola para aqueles que buscam melhorar seu jogo.

“A ideia não é ensinar a pessoa a começar a jogar, claro que tem gente que procura por isso, mas a maioria são pessoas que jogam bastante mas chega em uma estagnação. Alguns buscam vídeos, compram pacote de jogador [FIFA], arma nova e nem sempre isso trás uma vantagem, então você acaba não aprendendo a dinâmica do jogo, como ele funciona e como você pode ser melhor”, conta Daniel Coelho, CEO da plataforma, em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.

Vendo essa necessidade, foi que surgiu a ideia de criar uma plataforma onde jogadores profissionais podem ensinar e ajudar os jogadores casuais e amadores a aperfeiçoarem seu gameplay e saírem desse platô de não evoluir que podem se encontrar eventualmente.

Segundo a escola, “o nome da startup tem origem no termo que significa um dos últimos estágios de frustração de um gamer com seu jogo favorito. Insatisfeito e enfurecido com a sua performance, o jogador abandona o jogo no meio de uma partida ou rodada, dando a vitória por WO para o adversário”.

Autodenominada “primeira escola para jogadores de games do Brasil”, Daniel comenta que a principal diferença entre a Rage Quit e as outras plataformas é o grande leque de títulos e seu modelo de negócio.

“Foi a primeira porque realmente, naquele momento, em março do ano passado, essa variedade de jogos não existia. Temos vários jogos e, por ser gig economy, ou seja, os professores que entram na plataforma e não são contratados, podemos ter todos os jogos que tiver demanda”, observa Daniel.

Aliado a isso, a head de produtos, Gabriela Matos, também aproveita para adicionar o fato da plataforma ter tido uma origem diferente das outras já presentes nesse mercado.

“O grande ponto é a origem. A diferença é que essas academias que a gente vê, que já estão no mercado faz um tempo, acabaram vindo de algum pro player ou de algum streamer de um jogo específico e cresceram em cima desse jogo para depois expandir as opções. O nosso movimento é diferente, surge já com vários jogos e diversos jogadores, independente de uma figura”, completa.

AS AULAS DENTRO DA PLATAFORMA

Enxergando a necessidade de apresentar aos jogadores profissionais um novo negócio para conseguirem fazer uma renda extra, a plataforma traz como opção diversos jogadores com conquistas em seus respectivos títulos - como o atual coach de Valorant da FURIA, Carlão, que dava aulas de Call of Duty, título no qual foi pentacampeão latino-americano.

Ao mesmo tempo que oferece treinamento e orientações a todos aqueles jogadores que se tornam professores dentro da plataforma sobre como tratar e lidar com os alunos, a Rage Quit dá aos mesmos liberdade para montarem suas aulas como bem entenderem.

“A aula é como se fosse uma aula particular. Não é uma aula pronta com conteúdos básicos já definidos e sim uma aula onde ele avalia o gameplay do aluno para poder de fato ajudar a evoluir. Logo a gente consegue atender alunos de todos os níveis”, comenta Gabriela sobre as aulas oferecidas pelos professores.

Foi com esse conhecimento, que realizei uma aula com a plataforma para ver tudo o que ela tinha a oferecer aos seus alunos.

MINHA EXPERIÊNCIA COM A PLATAFORMA

Toda a experiência com a Rage Quit Academy se iniciou em seu site. Com uma interface simples e intuitiva, e um leque relativamente grande de opções de jogos - com títulos como Rainbow Six, FIFA, Fortnite, CoD e mais -, não foi uma tarefa difícil escolher a minha primeira aula na plataforma.

Recentemente, tenho acompanhado e jogado Valorant com muito mais afinco do que qualquer outro jogo, logo, a escolha não poderia ser outra. Escolhido o jogo, chegou a hora de outra decisão: qual dos professores disponíveis eu escolheria para ter a aula?

Apesar das poucas opções de professores disponíveis para o Valorant, e também para alguns outros títulos, a escolha também não foi tão difícil, principalmente por conta do card de apresentação dos profissionais. Nele, existe uma breve apresentação e explicação de como aquele professor pode lhe ajudar, além de mostrar as conquistas pessoais e também alguns dos cursos que fizeram para serem qualificados para dar as aulas.

Meu professor de escolha foi o treinador Kaique “KrazyJoker”, formado no curso de coach do técnico de Valorant da paiN Gaming, CeV, e finalista do processo seletivo de analista júnior da Gamelanders.

Escolhido o jogo, técnico e hora da aula - que diga-se de passagem existe uma grande variedade -, Kaique entrou em contato comigo por WhatsApp para entender as minhas necessidades, o que buscava melhorar e me passar todas as informações necessárias.

E, assim como me foi dito por Gabriela durante a entrevista, minha aula foi montada especificamente para atender minhas necessidades. Realizada através de um servidor do Discord dedicado às aulas e até mesmo para realização de jogos entre os alunos, minha primeira aula teve início.

No começo da aula, Kaique deixou claro desde o princípio que sua aula era composta em passar alguns conhecimentos com base em minhas principais dificuldades e depois analisar uma partida de seu aluno (no caso eu) para dar alguns pareceres e dicas no final.

Através de uma apresentação de slide, dentro de uma hora o professor cobriu alguns tópicos que julguei ser o que mais me incomodava na minha gameplay, como falta de táticas, movimentação errada no mapa e meu leque de agentes.

Nessa primeira aula, Kaique me explicou alguns conceitos básicos de movimentação como os diferentes tipos de strafe e também, em questão de táticas, como pensar e planejar um round antes do mesmo começar. Sobre meu leque de agentes, Kaique também apresentou dicas de como aproveitar cada habilidade de Cypher e Sova (agentes que mais jogo), além de apresentar alguns jogadores destaque em cada agente para ficar de olho e aprender um pouco mais sobre como estes são jogados.

Sobre essa primeira parte da aula, acredito que o material preparado possuía muitos ensinamentos básicos para alguém que já está em um nível um pouco mais avançado do jogo e que poderiam conter mais exemplos, com vídeos, gifs e etc.

Além de que acredito que seria uma boa adição às aulas algumas “lições de casa” e exercícios para o aluno; o único exercício que me foi passado, sendo um para aprender a fazer o strafe de maneira correta.

Terminada a aula de slides, foi hora de aplicar aquilo que aprendi dentro do jogo. Apesar do meu péssimo desempenho na partida analisada por Kaique, o treinador não se importou e trabalhou com o que tinha.

Durante o jogo, o técnico buscou, de forma extremamente profissional, passar algumas ideias de como jogar cada round a partir de sua análise de jogo, apontando os principais erros de decisão cometidos por mim com o agente escolhido (Phoenix), dicas de opções que acredita serem mais favoráveis ao meu estilo de jogo em termos de armas usadas, etc.

Não só isso, o treinador se mostrou extremamente solícito e preparado para sanar as dúvidas que tive e não se importou com o horário, se disponibilizando até mesmo a fazer a análise do jogo em outro dia e outro horário, caso eu não pudesse naquele momento.

Buscando constante evolução e entender como a plataforma pode melhorar seu serviço, ao final da aula recebi um email com um link para um formulário do google onde pude avaliar a aula e deixar feedbacks sobre o que pode ser melhorado.

Apenas uma aula é uma amostragem pequena de como é o acompanhamento e planejamento de aula de um professor da Rage Quit Academy, mas, dentro do que me foi mostrado, foi uma boa aula e realmente me ajudou em alguns aspectos.