<
>

'Podemos falar que chegamos na Fórmula 1 juntos', diz Pietro Fittipaldi sobre apoio da comunidade de esports

play
"As boas energias que isso cria, é uma coisa que não consigo colocar em palavras", diz Pietro Fittipaldi (2:02)

Pietro Fittipaldi comenta sobre o apoio que recebeu da comunidade de esports (2:02)

Representando o brasão da Haas, Pietro Fittipaldi se tornou nas últimas semanas o 32º brasileiro na história da Fórmula 1 a fazer parte dos grids da Fórmula 1. Neto do bicampeão Emerson Fittipaldi, após a notícia de que realizaria seu sonho de pôr os pés dentro das pistas de corrida da modalidade mais importante do automobilismo, o piloto foi aplaudido por grandes personalidades ao redor do mundo.

Com a conquista, o Twitter virou palco para mensagens de apoio ao piloto não só dos fãs da Fórmula 1 brasileiros, mas também das grandes personalidades de esports, e principalmente de membros da Tribo, comunidade do streamer Gaules.

APOIO NAS REDES SOCIAIS

Na rede social, Pietro Fittipaldi foi parabenizado por sua conquista e recebeu milhares de mensagens de boa sorte em suas próximas corridas, onde iria substituir o franco-suíço Romain Grosjean após seu acidente no GP de Barein.

“As boas energias que isso cria é uma coisa que eu não consigo colocar em palavras. É um apoio que eu não sei como explicar, mas é uma energia muito boa que realmente faz as coisas acontecerem. Recebi muita mensagem no Instagram, Twitter e na Twitch também. Quando eu estava correndo na Fórmula 1 fazendo os treinos, eles [Gaules, Apoka, Carva, etc] estavam fazendo toda a transmissão, narrando as seções, e a galera assistia junto”, comenta Pietro.

Nascido e criado dentro das pistas de corrida, onde começou a pilotar kart com apenas cinco anos, Pietro foi introduzido à comunidade gamer em março, no começo da quarentena. Seu primeiro contato com essa comunidade foi através do Fittipaldi Brothers, canal na Twitch e Youtube onde ele e seu irmão, Enzo, publicam vídeos e fazem transmissões de campeonatos e corridas nos simuladores, além de outros jogos como GTA.

“A gente começou realmente quando teve a quarentena; isso foi em março [...] estávamos [Pietro e Enzo] em casa sem fazer muita coisa e instalamos dois simuladores, um no meu quarto e um no dele”, relembra. “A Fórmula 1 criou um campeonato que quando ia ter um final de semana de corrida e ele fosse cancelado por causa da quarentena, a gente fazia as corridas virtuais, que eram transmitidas pelo mundo inteiro - com pilotos titulares da F1 e reservas. Eu estava fazendo todas as corridas pela Haas e o Enzo algumas pela Ferrari, e então pensamos em transmitir pela Twitch. A gente fez a transmissão brincando no começo”.

A ideia de transmitir as corridas, que começou como uma brincadeira e uma forma de criar conteúdo, além de um meio de se relacionar com seus fãs durante um período de isolamento social, fez com que Pietro chamasse a atenção de “peixes grandes” do mundo do streaming.

Com Gaules transmitindo sua corrida em um desses campeonatos, o streamer e o piloto se aproximaram. A aproximação fez com que Pietro entrasse cada vez mais nessa “comunidade diferente e que não conhecia ainda”, relacionando-se assim com grandes nomes do streaming e dos esports, como Carva, Ludgero, Velho Vamp e Apoka, estes que não pouparam esforços para apresentar e introduzir o piloto a essa "nova comunidade".

“Nesses últimos meses a gente criou essa amizade muito boa e podemos falar que chegamos na Fórmula 1 juntos. Sempre falei pra eles que meu sonho era estar na Fórmula 1 [...] e todo mundo sempre apoiou. Finalmente tive minha chance, não foi nas melhores circunstâncias por causa do Romain [...] mas chegou a chance de fazer minha estreia na Fórmula 1. O apoio não tem preço”, afirma.

Com uma boa base de espectadores, o sucesso alcançado e com a Tribo lhes apoiando, Pietro e Enzo começaram a mostrar a seus viewers mais do que apenas corridas virtuais. Eles queriam introduzir as pessoas que os conheceram através do virtual às corridas de verdade, e foi o que fizeram quando as corridas presenciais voltaram.

“Nas primeiras corridas que o Enzo estava fazendo no campeonato dele em julho, a gente comprou uma GoPro e eu comecei a fazer stream ao vivo mostrando a corrida dele, o box e os bastidores. Sou muito grato a eles [streamers e comunidade] porque eles abriram essa porta pra gente e realmente nos acolheram como parte da Tribo, que é gigante”, agradece.

A AJUDA DOS SIMULADORES

Com a infeliz chegada da quarentena em razão da pandemia do COVID-19, os simuladores de automobilismo além de serem o pontapé inicial para os irmãos Fittipaldi começarem a se aventurar no streaming, também ganharam um destaque maior na preparação dos pilotos ao redor do mundo, os ajudando a não ficar parado durante tanto tempo antes das corridas. E para Pietro não foi diferente!

Fazendo sua estreia após “nove meses sem pilotar um carro de verdade antes de entrar para fazer minha primeira corrida na Fórmula 1”, Pietro comenta que os simuladores fizeram grande parte na sua preparação para o maior desafio de sua vida.

“Com certeza o simulador ajudou a me manter ativo e preparado [...] Toda equipe de Fórmula 1 hoje em dia tem um simulador que eles usam para testar várias coisas diferentes. O que a gente tem usado, principalmente com a quarentena, são simuladores que instalam em casa. Claro que não é a mesma coisa que pilotar um carro, mas ajuda a manter o foco, os reflexos e também manter a preparação. Então quando a gente estava na quarentena sem correr, isso ajudou a nos manter ativos”, analisa Fittipaldi.

DENTRO DOS GRIDS

Após muitos anos correndo atrás de poder seguir os mesmos passos de seu avô, Pietro Fittipaldi pôde realizar seu sonho de colocar o pé dentro da Fórmula 1 nas últimas duas semanas, onde alcançou em suas duas primeiras corridas, a 17ª colocação no GP de Sakhir e 19ª no de Abu Dhabi.

A respeito da conquista, o piloto comenta sobre todos os sacrifícios, tanto seus quanto de sua família, que vieram junto desse sonho de chegar até os grids da maior competição automobilística do mundo.

“Estou muito feliz. Foram anos de trabalho e sacrifícios não só da minha parte, mas também da minha família. A gente mudou várias vezes de cidade por causa das minhas corridas e do meu irmão, e isso começou desde que eu tinha cinco anos de idade andando de kart. É um sacrifício muito grande da família inteira”.

“Eu consegui chegar na Fórmula 1 sendo contratado para correr, vários pilotos de Fórmula 1 e automobilismo em geral, infelizmente, chegam pagando para correr. Eu tive a chance de ser contratado por uma equipe para correr, então isso é realmente incrível”, completa.

Como a bandeira quadriculada que tremula ao vento indicando o fim da corrida, o GP de Abu Dahbi foi o fim dos campeonatos da Fórmula 1 na temporada de 2020.

Apesar de finalmente ter conseguido realizar seu sonho representando uma grande equipe nas pistas da Fórmula 1, o piloto brasileiro afirma que sua história não acaba nessa conquista. O objetivo agora é conquistar a titularidade.

“A história não acaba aqui não, vamos batalhar para voltar. Ano que vem a equipe já tem os dois pilotos, mas eu quero manter um pé dentro da Fórmula 1 e voltar como titular”, finaliza com convicção.

Você pode conferir a entrevista na integra em nosso canal do Youtube.