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'Tenho certeza que vamos chegar na final', diz CeV sobre preparação para First Strike

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O VALORANT First Strike brasileiro começa nesta quinta-feira (03) e na disputa teremos as oito melhores equipes regionais. Entre elas temos a tradicional organização de esports paiN Gaming, que com bons resultados anteriores, chega bem para buscar o título de campeã no primeiro campeonato oficial organizado pela Riot Games.

Apesar do elenco repleto de jogadores de renome em outros jogos, sem dúvidas, um dos nomes mais importantes por trás do sucesso recente da equipe que busca trazer o título à paiN Gaming no VALORANT é o de Carlos “CeV” Picinato.

Em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil, o treinador fala sobre a preparação do elenco para o First Strike, além do peso em representar uma das maiores organizações brasileiras de esports e mais.

DANDO TEMPO AO TEMPO

Conhecida pelo legado que criou em outras modalidades, principalmente League of Legends (LoL), os tradicionais chegam no cenário competitivo de VALORANT tentando reproduzir o sucesso alcançado em outros jogos.

Não é surpresa para os fãs de esports que a paiN Gaming é uma das maiores organizações brasileiras. Qualquer um que acompanha a equipe em outros jogos, como por exemplo no League of Legends, vê o quão devota e exigente é sua torcida.

“Quando a gente fechou a equipe, sabiamos que representar a paiN é uma responsabilidade muito grande. Gera uma expectativa muito grande do torcedor, ela tem uma base de fãs muito grande”, explica CeV.

Representar a tradicional organização não está nem perto de ser algo fácil. A paiN Gaming, que coleciona passagens de lendários jogadores em outras modalidades - como Kami e brTT no LoL -, chega em VALORANT também apostando em grandes nomes como Murizzz, representante brasileiro de Overwatch no mundial.

Aliada a uma fervorosa torcida, o peso que a camisa traz consigo pode ser um fardo muito pesado a se carregar, e esse é um dos motivos para que CeV optasse por adiar o anúncio do elenco da organização.

Para o treinador, dar tempo para que os jogadores pudessem se acostumar à ideia foi um fator importante para o sucesso alcançado ao longo dos últimos meses.

“Foi exatamente isso que eu tentei evitar, do torcedor acabar desconfiando do potencial do jogador. Nós sabíamos do potencial de cada um, sabíamos que cada peça tinha sua função perfeita para realizar e eu fiquei com medo de fazer o anúncio antes de começar e de mostrar do que a gente era capaz dentro do servidor [...] Foi uma estratégia para conseguir deixar eles mais soltos para o campeonato”, reflete.

PREPARAÇÃO PARA O FIRST STRIKE

Com a classificação para o First Strike, a equipe está reunida na gaming house da paiN Gaming, em São Paulo, para se prepararem para o maior evento de VALORANT do ano.

Apesar do cenário ainda estar em desenvolvimento, as medidas aplicadas pela organização para os treinos são as mesmas adotadas em equipes de cenários já consolidados.

“Os treinos estão sendo muito proveitosos. A gente tá em uma carga de preparação mesmo, acordando todo mundo às 9h da manhã para o treino começar às 10h e ir até as 22h da noite”, revela.

Para seu primeiro grande campeonato, CeV preferiu usar uma “dinâmica diferente” para seus treinos. Sem dar muita importância para o que os outros times estão fazendo, a equipe prefere usar seus esforços e poucos dias de treino para focar no mais importante: seus erros.

“A gente revê muitas coisas e tenta corrigir o máximo possível de erros que temos. Não focamos tanto nos outros times, em analisar o que a adversária faz, focamos em arrumar o nosso. Como se diz: ‘A nossa casa estando arrumada, é isso o que importa para a gente’”, diz o treinador.

Juntos a algumas semanas e com uma agenda de treinos puxada, a primeira partida da organização no First Strike está marcada para esta sexta-feira (04), contra a Imperial.

Em relação aos times presentes no torneio, CeV afirma que nenhum deles lhe dá “medo”, mas crê que o campeonato será palco para algumas surpresas.

“Já jogamos contra todos os times ali e já conseguimos ganhar, assim como perdemos também. Conseguimos jogar de igual para igual com todos os times dentro da competição, mas tem alguns que podem surpreender, um deles é a Imperial”, avalia.

Comparando a caminhada da equipe com a da própria paiN, como “um time que ‘ninguém’ conhecia e chegou e conseguiu fazer coisas que chamou a atenção do pessoal”, CeV se mantém confiante para o primeiro jogo e acredita que a adversária não terá tempo para se provar.

“Infelizmente para a Imperial, eles vão ter que parar no primeiro jogo”, crava com confiança.

O FATOR PSICOLÓGICO

Sendo o primeiro presencial de VALORANT desde seu lançamento, e também um dos poucos que aconteceram em um 2020 pós-pandemia, a experiência em palco é algo que pode afetar o desempenho da equipe.

Com um elenco composto majoritariamente por jogadores com experiência prévia em campeonatos presenciais, o treinador acredita que o psicológico não será um problema para a equipe.

“Em relação a jogar presencialmente, existem times que tem o perfil de jogar presencialmente e tem times que tem perfil de jogar mais online - os que sofrem pressão e os que não. Nosso time, dos cinco jogadores, apenas um não jogou presencialmente [...], então eu acho que o nosso time é um time com um perfil de LAN muito forte”, observa.

Para o primeiro campeonato organizado oficialmente pela Riot, a equipe decidiu não contar com o acompanhamento de um profissional de psicologia, uma vez que o próprio técnico possui cursos de aplicação da área dentro dos esports.

“Por enquanto a gente optou por não ter um psicólogo junto com o time, até mesmo porque eu tenho um curso de psicologia aplicada ao esport, então eu consigo aplicar algumas coisas”, comenta o treinador.

No entanto, apesar de não contar com o acompanhamento de um profissional especializado em psicologia, o técnico possui ciência de sua importância e revela que existem planos de aumentar o número de profissionais que farão parte do dia a dia dos jogadores a partir do próximo ano, fazendo menção à adição de psicólogos para cuidar do mental dos jogadores e até mesmo personal trainers para o físico.

A CHEGADA DE VERONEZE

Atuando com a presença de Pedro “ole” desde a criação da line, a equipe sofreu a baixa do jogador após o mesmo enfrentar sérios problemas de tendinite nos últimos meses, o que resultou em seu afastamento nas últimas partidas e inclusive do próprio First Strike - o qual foi inscrito como sexto jogador.

“Antes da GC Ultimate ele teve que ficar 10 dias afastado e a gente não pôde treinar porque a mão dele tava muito ruim e tava sentindo muita dor. Eu cheguei a ver jogos que no final ele mandava foto e a voz dele tava até embargada de tanta dor que ele tava sentindo”, relembra.

Para suprir a falta de Ole na equipe, a paiN Gaming optou por trazer Vinícius “Veroneze” para completar o plantel.

“A gente teve essa necessidade de trazer alguém para o First Strike e entre as opções que nós tínhamos o Veroneze era a primeira opção. A gente sabia do potencial dele e apesar de estar sem time na época a gente sabia o tanto que ele ia poder agregar no nosso time”, comenta CeV.

Apesar da mudança necessária no elenco, o treinador acredita no potencial da equipe que montou, e só tem olhos para uma coisa desde sua classificação para o campeonato: o título de campeão.

“Eu tenho certeza que a gente vai chegar e vamos conseguir buscar esse campeonato porque eu sei do potencial de cada um aqui e cada um sabe do que nós somos capazes de fazer dentro do campeonato”, conclui.