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Opinião: Batalha de Rap de YoDa, Tropkillaz e Qualy foi um dos conteúdos mais legais da Twitch em novembro

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YoDa reúne Tropkillaz e Qualy para promover música em seu canal na Twitch. (3:54)

PlaYlist coloca os games na Batalha de Rap (3:54)

Goste ou não de Felipe "YoDa" Noronha, ele é um dos streamers que mais traz ideias e projetos para sua comunidade. Do YoTalkshow à Batalhas de Rap no Discord, feito lá em 2016, a proposta do “yodismo” é nunca se manter na zona de conforto e proporcionar League of Legends, música e gameplays em geral.

Em parceria com Tropkillaz, dupla brasileira dos DJs Zegon e Laudz (acumula projetos de sucesso com Karol ConKa, MC Guimê, Anitta e IZA), a edição especial do PlaYlist veio forte em 2020, com participação de Pedro Qualy (Haykais) e de inúmeros MC’s batalhadores (da vida e do som), que batem cartão na Batalha da Aldeia (BDA), criada há quatro anos por BOB13, na cidade paulista de Barueri.

Quando os nomes e as artes do projeto, feitas por @Goblintengu, começaram a ser divulgadas confesso que fiquei curioso. Para mim, a imagem do YoDa - e do público dele - está muito mais próxima a de Alok do que do Tropkillaz.

Justamente por todos estes elementos, fiquei curioso também com o conteúdo feito por YoDa. No fim, foi uma das coisas mais divertidas que vi em novembro deste ano. Além da mistura entre gírias e dialetos, foi muito bom ver a forma como as comunidades estavam interagindo entre si, no palco e no chat do Discord.

Segundo a Sehloiro Studios, durante as duas horas de show, a transmissão atingiu 300 mil pessoas, com um pico de 78 mil simultâneas. É claro que não dá para saber quantos estavam lá pelo YoDa, pela Batalha, ou pelo evento em si, mas a troca entre todos foi muito boa. Inclusive, muitos dos MCs tinham não só referências de League of Legends a das comunidades envolvidas com YoDa.

Logo no primeiro embate, Big Mike, finalista do dia, invocou a tribo dos patólicos (fãs do streamer Pato Papão). Na batalha seguinte, Andrade usou o meme do “Flash no D” ao encarar Mikezin e em quase todas batalhas pipocavam uma ou outra referência de games, cultura pop e da própria Batalha da Aldeia. A mistura dos dois mundos foi muito divertida e até inspiradora.

De acordo com o próprio YoDa, foi algo muito bem recebido pela comunidade do Rap, da BDA e dos MCs: “vou levar esse momento para o resto da minha vida. A gratidão e o respeito que ganhei de toda cena do Rap é algo sensacional, que precisa ser levado como exemplo para as outras comunidades. Estou muito feliz que eles entenderam o que é brincadeira e o que é trabalho sério. Só tenho a agradecer pela dedicação e pelo carinho de todos e fico ainda mais motivado para seguir evoluindo e entregando o melhor conteúdo sempre”, disse o streamer.

Pedro Qualy, apresentou e comentou a Batalha da Aldeia, também falou da importância do evento para junção do Rap com os games: “foi muito legal ver a alegria dos MCs durante e depois do evento. Esperamos que esse exemplo fortaleça ainda mais a comunidade do Rap e possa promover novas interações com o mundo dos games”.

YoDa contou como se deu o processo de contratação e produção do projeto: “a Batalha de Rap é um programa da SehLoiro realizada para MCs amadores. Na última edição o convidado especial foi o Qualy. Dessa vez, tivemos a ideia juntos, de trazer a oportunidade aos MCs profissionais, dentro do programa PlaYlisT e realizar um verdadeiro show com a conexão de culturas, que é o propósito do programa”.

Os MCs foram convidados por Qualy e a produção da SehLoiro cuidou da contratação junto às assessorias da BDA: “KaBuM, Exitlag e HyperX são nossos patrocinadores, acreditaram na edição especial do PlaYlisT e deu tudo certo”, comemorou YoDa.

Quando questionado sobre a próxima edição da Batalha e um possível selo musical, YoDa respondeu: “já temos os próximos passos para o programa PlaYlisT e a Batalha de Rap da SehLoiro que será nossa quarta edição. Sobre o selo... Novidades em breve”, lembrou o streamer de uma dos memes mais famosos dos esportes eletrônicos.

CRISE DA DMCA NA TWITCH

É importante apontar a ousadia do projeto, que aconteceu em um momento conturbado para os produtores de conteúdos da Twitch. Recentemente, a plataforma vem suspendendo canais e excluindo conteúdos de maneira retroativa.

Quando falamos de um projeto que envolve conteúdo de terceiros, a coisa se torna ainda mais insegura. É claro que a participação do Tropkillaz foi pensada justamente para amenizar essa situação, mesmo assim o VOD (gravação da transmissão) do conteúdo não está mantido na Twitch justamente por segurança.

“A ideia é ter produtores de música em parceria com o PlaYlisT, exatamente para não corrermos mais riscos com a lei de DMCA. No último programa, os beats foram produzidos pelo próprio Tropkillaz, mas não temos os direitos de uso, então não posso deixar nenhum VOD do programa no meu canal, para não correr riscos de strike”, lamentou.