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CSGO: BiDa analisa nova equipe do MIBR: "A galera vai hypar independente do que aconteça"

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23 de junho de 2018. Essa é a data em que a MIBR, que ganhou notoriedade durante os tempos de Counter-Strike 1.6, voltou a ativa depois da organização norte-americana Immortals adquirir seus direitos de imagem em 2017.

Com grandes nomes do cenário brasileiro, como FalleN, fer e coldzera, a volta da organização ao cenário de CS com certeza foi uma das maiores felicidades dos brasileirinhos fanáticos pelo jogo, além de gerar um hype enorme em cima do elenco. No entanto, a equipe não performou tão bem quanto esperado.

Apesar dos nomes nacionais (e até mesmo internacionais) de peso, a lendária tag não foi capaz de atender às expectativas criadas pela comunidade - e até mesmo pelos próprios jogadores. Sem obter muitas conquistas em torneios com as melhores equipes do mundo, o problema que assombrava o elenco que antes representava a SK Gaming era uma incógnita.

“É difícil te dizer [qual foi o problema para o desempenho abaixo do esperado]. Eles mesmos não conseguiram identificar e tentaram de diversas maneiras mudar o estilo de ser, mudar jogadores e tentar coisas diferentes, mas no final das contas nunca conseguiram chegar no que era no passado”, avalia o narrador brasileiro BiDa.

“Acho que a questão principal foi a cobrança de todo mundo. Tanto a cobrança do público, quanto a cobrança de cada jogador fez com que eles não deixassem tempo suficiente para cada elenco se encaixar”.

As dificuldades enfrentadas pela equipe em se reerguer e voltar a ter um bom desempenho em muitos aspectos veio dessa cobrança e imediatismo para o sucesso.

Esse imediatismo que se mostra presente em diversas modalidades dos esports, e talvez até mesmo uma questão de conforto, fez com que os jogadores não tivessem tempo o suficiente para criar uma nova identidade e optassem por voltar às estratégias que uma vez deram certo.

“Antes a MIBR sempre tirava um jogador e colocava outro, então você meio que entrava em um estilo de jogo mais estruturado e mesmo que eles tentassem se reinventar, acabavam voltando pras coisas que faziam no passado e que fizeram sucesso”, analisa o comentarista.

A NOVA MIBR

Depois de diversas substituições de jogadores, resultados insatisfatórios e polêmicas envolvendo um de seus coaches, a organização decidiu que era hora de reformular a equipe.

Mantendo kNg e trk na formação principal e com a volta de LUCAS1, além da adição do veterano cogu ao plantel, a organização buscou formar um elenco inteiro de brasileiros, trazendo promessas da elite tupiniquim como leo_drk e vsm.

ATUAÇÃO NA BLAST

Agora vestindo a pesada camisa da MIBR que carrega tanta história, o capitão kNg e seus novos companheiros foram postos a prova durante essa semana na BLAST Premier Fall 2020.

Com uma atuação que os fãs da MIBR a muito não viam, os jogadores mostraram que mesmo estando juntos a menos de duas semanas estavam prontos para os novos desafios, e como todo bom brasileiro, os enfrentaram com energia e garra.

“Eles chegaram sem peso, nenhuma pressão em cima deles e só com aquela alegria de poder representar o Brasil, de ter essa oportunidade”, afirma.

De modo surpreendente e sem muitas expectativas sobre seus ombros, os brasileirinhos conseguiram bater de frente com equipes como Astralis, G2 e FURIA - que hoje se encontram no topo do ranking da HLTV.

O bom desempenho dos jogadores inclusive foi exaltado pelo narrador, que elogiou principalmente o desempenho do atual capitão.

“Para mim o kNg foi um monstro, ele se soltou bastante. O que ele jogou não foi brincadeira não, sem desmerecer os outros jogadores. Todo mundo teve um pouco de ênfase, mas o kNg se sobressaiu um pouquinho”, opina.

Avançando através da chave dos perdedores após perder seu primeiro confronto contra a Astralis em uma série apertada, os jogadores foram capazes de eliminar seus conterrâneos da FURIA, mantendo o sonho vivo ao avançar para a final da chave dos perdedores contra a G2.

As dificuldades vieram em mapas que exigem um entrosamento e trabalho de equipe maior durante todos seus jogos do campeonato. Por conta disso, os brasileiros foram enviados à repescagem para o torneio final após perderem o terceiro mapa (Train) por 16 a 5.

“Acredito que faltou um pouco de trabalho de equipe, porque o mapa da Inferno é um dos mapas onde o entrosamento é muito necessário e a Train também. Então não tem como se esperar que o time saiba jogar mapas como esses, que são mapas extremamente táticos”, analisa BiDa.

Ironicamente a palavra que define como a promissora equipe consertará esses erros para campeonatos futuros, é aquela que não foi dada às antigas formações: tempo.

“A gente sabe que o time foi criado um pouco às pressas porque a MIBR tinha uma deadline para entregar uma equipe pra BLAST [...] mas é só o tempo que pode dar mais oportunidades para eles prepararem estratégias e analisarem”.

TA PERMITIDO HYPAR A NOVA MIBR?

A atuação do novo elenco fez brilhar sorrisos ao redor do Brasil. Apesar de ser algo que pode vir a atrapalhar os jogadores psicologicamente, o hype em cima desses é algo quase que impossível de não existir entre os brasileiros após o bom desempenho.

“Não tem como segurar né, a galera vai hypar independente do que aconteça. O negócio é que tem que tomar cuidado para não se machucar depois, mas com certeza dá pra acreditar em bons resultados da equipe”, afirma BiDa.

Apesar de não saber de que forma os bons resultados da equipe virão, se serão em forma de títulos ou batendo de frente com equipes européias, BiDa acredita que o desempenho do elenco neste último campeonato seja um bom motivo para as expectativas subirem.

“Acho que você batalhar e enfrentar os times grandes de igual para igual [...] ou até sendo melhor que a equipe antiga, como eu acho que foi a performance deles, já é excelente para a galera hypar”, finaliza.