<
>

Análise: Tony Hawk's Pro Skater 1+2 é um mergulho na nostalgia entre manobras e tombos

play
Bob Burnquist fala sobre esports, e sua participação em Tony Hawk Pro Skater (2:48)

Bob conta como Tony Hawk reuniu todos os presentes na versão original do game e compara Esports aos espores radicais. (2:48)

Antes de mais nada, muitas quedas e arranhões aconteceram virtualmente para a realização desta minha análise de “Tony Hawk's Pro Skater 1+2” para o ESPN Esports Brasil.

Ainda assim, foram tombos que valeram muito a pena porque a experiência de reviver o maior clássico dos jogos de skate totalmente remasterizado consegue ser única mesmo com aquela sensação nítida de “déjà vu”.

Essa talvez seja a maior virtude do remake lançado por Activision e Vicarious Visions: é um jogo que você já conhece de longa data, mas que, ainda assim, não só te faz resgatar boas lembranças do passado como também te faz se sentir em uma parada totalmente diferente.

“Tony Hawk's Pro Skater 1+2” não é preguiçoso. Não é apenas um título que vai pegar o fã mais nostálgico que, com certeza, não se importaria de jogar os dois primeiros games da franquia apenas com a tecnologia atual dos consoles - o que já seria satisfatório, mas aí teria aquele sabor de “shut up and take my money”.

O jogo lançado em 4 de setembro traz o melhor combo possível (1+2) para entregar um produto que atrai tanto os fãs apaixonados da franquia assim como uma nova legião de jogadores.

Falo isso com a propriedade de ter que dividir o meu tempo de jogatina no PlayStation 4 com meu irmão caçula. Ele nasceu só nove anos depois do primeiro Tony Hawk’s Pro Skater, lançado em 1999, nunca tinha jogado nenhum título da franquia e está se divertindo bastante - além de se sair bem melhor nas manobras do que o irmão mais velho aqui.

Digo isso para exemplificar como “Tony Hawk's Pro Skater 1+2” consegue romper com o choque de gerações e não é apenas um jogo do passado com roupinha (ou skin) nova. Não à toa, o game se preocupa em inserir os skatistas com suas idades de hoje em dia. É um toque muito sutil e necessário sobre também o que representa a essência de “THPS 1+2”.

Quando não jogo com o meu próprio personagem, estou fazendo manobras com Bob Burnquist já com a experiência dos anos no rosto, mas ainda insano nas pistas. Meu irmãozinho, por sua vez, e que pela idade não conhece nem presenciou o maior nome do skate brasileiro, se anima ao ver a também brasileira Letícia Bufoni como selecionável.

Detalhe: ele não só a conhece via YouTube, mas também pôde “dividir” pista ao lado de Bufoni em alguns rolês por São Paulo quando ele ainda brincava de skate.

E esse é o ponto! “THPS 1+2” consegue despertar a paixão pelo skate nos videogames para uma geração que está muito voltada para Fortnite e afins, e que não tem tanta conexão com simuladores ou arcades de esportes - sejam ele tradicionais ou radicais.

DIVERTIDO E DESAFIADOR

Não sei se foi porque já estava mais acostumado por conta da demo, na qual eu me sentia uma samambaia, mas senti a versão completa de “Tony Hawk's Pro Skater 1+2” bem mais fluída nas mecânicas de jogo. Não sinto um cansaço enorme nas mãos nem tanto calo nos dedos - ou talvez só seja eu que não esteja jogando direito mesmo.

Mas diversão era o filtro necessário para esse remake, e é o que acontece. Com o clássico estilo cartunesco e a falta de compromisso de ser um simulador de skate, “THPS 1+2” passa a ser cada vez mais viciante e divertido à medida que você se aventura pelas pistas.

É muito gratificante escutar o som da câmera fotográfica registrando aquela sua linda e desafiadora manobra. Além disso, a trilha sonora te impulsiona cada vez mais a arriscar nas pistas em busca de um combo ainda maior e melhor do que o anterior.

Inclusive, as músicas do jogo - com a querida adição de “Confisco”, do Charlie Brown Jr. - são um dos pontos altos. A imersão é tremenda. Falo com tranquilidade que meus ápices nas pistas se dão exatamente no refrão das minhas canções favoritas - como “No Cigar” de Millencolin e “Afraid of Heights” de Billy Talent.

Só que é muito frustrante você quebrar com o ritmo da trilha ao levar um tombo. Sei lá, o sentimento de culpa e a vergonha são maiores por conta do “silêncio” ensurdecedor enquanto você está caído no chão...

O que leva para o outro ponto da análise: desafios. A curva de aprendizagem no “Tony Hawk's Pro Skater 1+2” é bem suave. Você pode até se sentir um pouco engessado no começo, mas logo você passa a compreender melhor o jogo por conta da mecânica fluida e as manobras saem.

Com maior domínio, você de forma instintiva passa a se lançar em desafios ainda maiores - seja por conta de objetivos do jogo ou por vontade própria de se superar.

É quando percebemos que “THPS 1+2” abraça dois perfis de jogador: o caótico ou o coordenado.

Está tudo bem se você só aperta um monte de botão enquanto salta da rampa e torce pra encaixar uma boa sequência de comandos sem nada planejado. Os pontos surgem naturalmente - assim como os tombos, então a margem de erro aumenta querendo ou não.

Mas o game contempla, obviamente, ainda mais aquele jogador que estuda os movimentos e se propõe a lançar os combos com movimentos pensados e coordenados. Só assim pra que você consiga passar de 300 mil pontos em uma única sequência de manobras, inclusive.

Dessa forma, dica de ouro: não se demore para entrar nas opções do jogo e acessar a lista de comandos, dos simples (divididos em flicks, grabs e slides) até os mais ousados que poderão ser aplicados apenas quando aquela barra de especial estiver completamente carregada. Só quando começamos a testar o repertório de manobras é que o jogo realmente começa.

Por fim, o modo multiplayer. “THPS 1+2” permite que joguemos localmente, revivendo, assim, os velhos tempos de “tela dividida”, e também entrega uma experiência online muito interessante e que remete aos dias de hoje com partidas casuais (o “rolê”) ou ranqueadas. O problema é quando encontramos um viciado na casual…

Eu mesmo, por exemplo, acabo encarando a competição com outros jogadores reais só na base da diversão porque não tenho nível para bater de frente com quem espirra e faz TRÊS milhões de pontuação.

Único ponto negativo é que não é possível você dar rolê virtual em partida fechada com seus amigos. Se estivermos em dois, por exemplo, fatalmente iremos cair em uma partida com gente aleatória. Ponto que precisa urgentemente ser alterado.

CRIATIVIDADE

Menção honrosa e rápida na análise para a parte criativa do jogo. “Tony Hawk's Pro Skater 1+2” tem quatro slots de criação de skatista - e as opções de edição são inúmeras, fazendo com que você consiga ser digitalizado para o jogo com boa dose de fidelidade dependendo do seu nível de imaginação e engajamento.

Gostei muito, inclusive, da opção de colocar uma máscara no nosso skatista - algo que as pessoas estão se esquecendo mesmo ainda com a pandemia rolando. ALIÁS, máscara no queixo não serve pra nada, viu?

E sobre o modo criativo, é como se você estivesse jogando um verdadeiro The Sims - ou RollerCoaster Tycoon por ser um grande parque de diversões. Com mecânicas simples, o “Crie-Sua-Pista” é uma ótima forma de passar um tempinho a mais no game.

VALE A PENA?

Definitivamente sim. Entre manobras, pistas, músicas clássicas e skatistas dos mais variados perfis, “Tony Hawk's Pro Skater 1+2” consegue emplacar um grande combo entre passado e presente, pavimentando, assim, um olhar muito promissor para o futuro da franquia na nova geração de consoles que está para chegar.

Em meio a uma geração de jogos que nos acostumou aos famigerados conteúdos via DLC ou Passe de Batalha, a diversão em “THPS 1+2” também se passa por liberar os conteúdos na marra - ou melhor, nas manobras. É muito prazeroso completar os desafios para liberar aquele mapa que você tanto quer jogar, assim como itens e mais itens.

Por meio dos desafios in-game, somos levados a ter que explorar cantos do mapa para relembrar (ou conhecer, se for um jogador novato) onde estão os “baldes de pipoca” ou “fichários”. “THPS 1+2” é um game no qual está tudo bem você ser apenas casual ou então radical.

Dessa forma, a Activision pavimenta uma nova pista de skate tendo em vista o futuro da franquia.

“Tony Hawk's Pro Skater 1+2” é um remake que joga luz nos tempos dourados desse arcade, incrementa a experiência e nos faz sonhar com manobras totalmente radicais com novos horizontes na próxima geração de consoles.