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IntacT curte vida de caster, mas crava: 'Pretendo voltar a jogar R6'

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"O Brasil ter vencido um campeonato mundial, mostra que o cenário é consolidado", diz diretor de Rainbow 6 (4:45)

Ao ESPN Esports, o responsável pela marca do jogo, Alexandre Remy, revelou que a Ubisoft tem planos de voltar a promover torneios no País e como a empresa enxerga o cenário nacional (4:45)

Um dos nomes de maior respeito do cenário nacional de Rainbow Six Siege, IntacT vive um ano de 2020 bem diferente na carreira. O jogador está atuando no competitivo sim, mas “do outro lado da mesa”: na parte de narração e comentários.

O nome de IntacT chamou a atenção da comunidade quando a Ubisoft Brasil anunciou a nova equipe de casting para o Brasileiro de R6 e os demais torneios internacionais que ganharam transmissões em português.

Assim, o jogador com passagens por equipes como Santos, paiN Gaming e INTZ se tornou oficialmente o primeiro pro player como comentarista fixo da empresa - na Pro League RIO, em 2018, ziGueira e nesk atuaram na função, mas só para aquele evento.

“Cara, tem sido uma experiência muito legal e está fluindo com muito mais naturalidade do que eu imaginei assim”, respondeu em entrevista exclusiva ao ESPN Esports Brasil.

“Quando eu estreei, eu fui um pouco... Um pouco nervoso! Nunca trabalhei com a minha voz nem fiz nada de locução. Foi mais o pessoal da Ubisoft que resolveu me dar essa oportunidade como um teste, uma promessa que fosse dar certo. E deu muito certo.”

Inclusive, o jogador comentou que, mesmo não tendo nenhuma experiência de locução, já era do seu interesse atuar nesse segmento. Então Intact deixou a Ubisoft avisada - e por isso aconteceu o convite para a realização dos testes na formação da nova equipe.

“Eu já queria trabalhar com locução e voz. Eles viram que eu tinha uma certa facilidade, um traquejo assim nas entrevistas. Uma coisa levou a outra”, comentou.

IntacT é companheiro de transmissão do narrador Felipe Tonello pelos torneios de México e América do Sul. É uma dupla que já demonstrou boa química logo de cara segundo o próprio jogador. “No primeiro teste que fiz com o Tonello, ele falou que parecia que eu já estava habituado com aquilo.”

VIVÊNCIA E PRECISÃO

“Estou me atentando mais a parte técnica do jogo”, fez questão de reforçar IntacT durante a conversa com a reportagem. Faz sentido uma vez que ele é o único do casting que sentiu na pele o que é ser um pro player de R6.

“É uma das coisas que eu achei engraçado que alguns companheiros de transmissão falam que precisam estudar e talz, mas comigo foi mais tranquilo porque eu vivi o jogo por quatro, cinco anos”, comentou.

“Muitas vezes é só chegar lá e narrar porque muito do que acontece eu já vivenciei. O que eu tenho que fazer mesmo é saber o storyline dos times, questão de mudança de jogador, essas coisas. Mas o que acontece no jogo, sempre estou por dentro. E busco sempre me atualizar porque o meta está sempre mudando.”

A bagagem como jogador profissional beneficia IntacT principalmente em um aspecto: precisão. Enquanto os outros casters precisam dar suas visões com mais cautela, sempre acompanhadas por “Eu acho...” ou “Pode ter sido…”, o jogador-comentarista tem mais propriedade para analisar o acontecido sem tantas suposições.

“O legal de ser jogador é que, por você ter vivido aquilo, você pode falar com mais autoridade: 'Eu sei que isso aconteceu por causa disso'. Tem um pouco mais de precisão.”

“Não estou falando que eles [outros casters] falam algo de errado”, ressaltou. “Eu estava até comentando com a Viic uns tempos atrás porque ela falou. Tudo o que ela fala é questão de probabilidade e estatística.”

“Quem faz a análise tem acesso às estatísticas, então eles têm propriedade para falar o que pode acontecer e ponderar o porquê de repente aquilo aconteceu”, contextualizou. “Às vezes, ela até falou: 'Tenho medo de tomar hate por falar algo de errado'. 'Pode ter sido isso, pode ter sido aquilo'. A diferença entre um jogador e o analista que nunca jogou é essa questão de suposição e probabilidade.”

“Por eu ter jogado durante muito tempo, conheço as etapas do decorrer da rodada”, pontuou. “E a maioria dos times segue o mesmo protocolo.”

IntacT ainda reforçou como passa a ter mais autonomia para comentar por conta do modo de espectador “muito rico” do R6. Aliando as informações apresentadas para os casters com a sua vivência como pro player, a análise sai de forma ainda mais segura e objetiva.

“Então, de repente, a partir de um determinado momento da rodada, se o time não usou um recurso X, você já sabe que eles estão errados ou que algo aconteceu para o round não ter fluído. Eu busco fazer esse tipo de comentário. Sempre me atentando aos recursos, o passo a passo, que a gente chama, pra saber o que o time fez de certo e qual foi a abordagem - principalmente pelas câmeras aéreas.”

DESBRAVADOR

Quando um pro player se aposenta, o esperado é que ele continue no competitivo atuando como técnico ou analista - mas ser comentarista é algo ainda inédito. Segundo IntacT, não é um ramo que os atletas cogitam quando pensam em parar de jogar profissionalmente.

Na verdade, o experiente jogador comentou que falta esse pensamento sobre o que fazer depois que se aposenta. “A grande minoria dos jogadores pensa no que vai fazer depois. Alguns pensam em ser coach, voltado para competição mesmo. Outros pensam em coisas completamente distintas.”

“Quando eu converso com meus companheiros de profissão, quase nenhum fala que quer ser jornalista [caster]. Não surge isso. As duas partes têm que estar igualmente interessadas.”

Questionado se IntacT se vê como pioneiro de uma nova tendência, ou seja, de puxar a fila de pro players de R6 para trabalhar com transmissão, ele adota cautela. “É possível, mas não sei se vai acontecer mais vezes. Em questão de qualidade de conteúdo, pelo o que ouço, estão gostando muito.”

Na visão dele, é muito cedo para qualquer projeção desse tipo já que o cenário competitivo de R6 ainda é novo “querendo ou não”. “Acredito que alguém sempre tem que abrir as portas, abrir o caminho para alguém seguir ou pelo menos aspirar.”

“Como jogador foi assim. Eu, junto com ziGueira e outros jogadores, a gente meio que abriu as portas do R6. Acredito que seja o mesmo agora para essa parte de casting. E a gente tem ótimas referências, não só eu, mas o Meli e o Retalha estão aí sempre. O Meli, que carrega aquela voz carismática e, ao meu ver, é o melhor narrador do Brasil. E o Retalha também, os dois já são referências não só do cenário, mas do mercado em si. Estamos bem atendidos em termos de referências.”

APOSENTADORIA?

Engana-se quem acha que IntacT está aposentado do competitivo de R6. Sem atuar desde sua saída da INTZ no fim do ano passado, ele ainda vê que tem gás como jogador profissional. Acontece que não é prioridade para o momento.

“Eu não pretendo deixar a Ubi na mão, pelo menos não tão cedo”, respondeu. “Quando fechei com eles essa oportunidade de casting, eu estava pensando em uma coisa a longo prazo.”

“Pretendo voltar a jogar, mas também se a oportunidade me parecer promissora. Não vou largar tudo por algo que eu não sinta que seja concreto porque eu já vivi isso tudo. Já conquistei muita coisa também”, avaliou.

O desejo de ser campeão mundial é o que motiva IntacT a não largar a carreira de jogador tão cedo. “Eu já conquistei título brasileiro, latino-americano… Agora seria mais pra matar aquela vontade de ser campeão mundial.”

“Falta mesmo no hallzinho aqui de casa aquele troféu mundial. Então dá vontade. Eu quero voltar a jogar, mas só quando uma oportunidade se apresentar e que seja bem concreta” determinou.

Como forma de mostrar que ele realmente não se desconectou do cenário competitivo, IntacT comentou à reportagem que vem conciliando o tempo como consultor de equipes. “Não é algo que me faça ser clubista nem nada, mas tem equipes que me chamam para analisar o próprio time, ver o que pode melhorar.”

“Estou dando umas consultorias e acompanhando os times justamente pra não perder essa pegada do competitivo. É um jeito que eu peguei para me manter sempre relevante no meio competitivo”, concluiu.