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BLAST rompe parceria com a NEOM

A organizadora dinamarquesa de eventos BLAST encerrou sua polêmica parceria com a NEOM, empreendimento urbano apoiado pelo estado da Arábia Saudita, em meio a protestos públicos e pressão de equipes parceiras e talentos no ar, conforme relatado pela primeira vez pela HLTV e confirmado pela ESPN.

A decisão veio porque muitas marcas parceiras da BLAST e talentos - tanto atuais como antigos, como o ex-comentarista Jason "Moses" O'Toole - criticaram publicamente a proprietária da BLAST, a RFRSH Entertainment, por ter firmado acordo com a NEOM.

Na segunda-feira (10), os executivos da BLAST se reuniram com líderes de suas equipes para informá-los sobre a decisão. A BLAST não respondeu a um pedido de comentário por parte da reportagem.

A BLAST é a segunda maior empresa de esportes eletrônicos a cancelar seu acordo com a NEOM em meio a protestos públicos. A Riot Games, cujo campeonato europeu de League of Legends também havia firmado parceria, encerrou qualquer vínculo com o empreendimento urbano no dia 29 de julho - só 16 horas após o anúncio.

Quando BLAST e Riot firmaram parcerias com a NEOM no final de julho, as redes sociais ficaram em chamas com críticas sobre a forma como a Arábia Saudita lida com os direitos LGBTQ + e a terra em que o NEOM está sendo construído - que é o lar da tribo indígena Huwaitat.

A Arábia Saudita segue a lei islâmica Sharia, na qual ser gay ou transgênero é ilegal. As punições são multas, chicotadas públicas, castrações e várias formas de prisão, de acordo com um relatório do The Guardian.

Para a Riot, a equipe de transmissão do Campeonato Europeu de LoL ameaçou boicotar a transmissão do fim de semana de 31 de julho a 2 de agosto se a empresa não cancelasse a parceria. Vários membros da equipe de transmissão e também dos times participantes se identificam com a comunidade LGBTQ +, incluindo o popular analista Indiana "Froskurinn" Black e o gerente de comunidade da MAD Lions, James "Stress" O'Leary, que são gays.

Vários grandes talentos do Counter-Strike seguiram o exemplo, com a BLAST recebendo críticas do jornalista Richard Lewis, do analista Duncan "Thorin" Shields, do apresentador Frankie Ward e outros. Em particular, muitas das equipes parceiras expressaram suas preocupações, disseram fontes à ESPN. O CEO da Complexity Gaming, Jason Lake, disse no Twitter que acredita que o assunto deve ser tratado em particular antes do início do discurso público.

Texto originalmente postado no ESPN Esports*